Conversa de Sofá

Por João Ibarra em 12/02/2016

Análise Assassin’s Creed Syndicate – DLC Jack The Ripper

A DLC Jack The Ripper de Assassin’s Creed Syndicate tem uma história muito boa, e mostra que ainda podemos esperar algo bom no futuro de Assassin’s Creed.

Quando terminei Assassin’s Creed Syndicate, jogo lançado no último semestre de 2015, fiquei com uma sensação de que o jogo tinha um potencial muito grande não aproveitado. De fato, a Ubisoft entregou um bom jogo e ainda havia um capítulo que me interessava muito: A DLC Jack The Ripper, lançada em 15 de dezembro de 2015.

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Jack, o Estripador

Jack, o Estripador, foi o primeiro assassino em série que chamou a atenção da mídia mundial, em um período em que a informação não era tão acessível. Seus crimes ocorreram no final do ano de 1888, no distrito de WhiteChapel. Sua identidade nunca foi descoberta, este fato gerou toda uma mitologia, alimentado na época pela imprensa que descobria como conseguir vender jornais com desgraça. Algo, que deixou sequelas no jornalismo até os dias atuais.

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Commercial Street no distrito de Whitechapel

O bairro de White Chapel era habitado por uma população muito pobre, formada principalmente por imigrantes irlandeses. A Inglaterra era a terra da oportunidade, porém a oportunidade não vinha para todos. Cada um tentava sobreviver da maneira que podia. A tensão social era constante. Manifestações da população da região eram comuns. Tal situação abriu caminho para subempregos e principalmente para a prostituição. O distrito passou a ter uma quantidade enorme de bórdeis. Esta situação caótica foi um terreno fértil para o surgimento de vários assassinatos que se estenderam de 1888 a 1891.

Jack tinha sempre um modo muito semelhante de cometer seus assassinatos: todas as vítimas eram prostitutas, eram mortas no distrito de White Chapel e todas apresentavam mutilações. Algumas tiveram órgãos retirados de uma maneira precisa. Jack, segundo constam as investigações, possuía um grande conhecimento de anatomia humana.

O Papel da Imprensa

Apesar de muitos crimes serem atribuídos a Jack, “apenas” cinco assassinatos são de fato considerados de sua autoria, mas pelo menos outro 7 crimes foram investigados, mas não foi possível conecta-los de forma conclusiva.  As vítimas comprovadas são chamadas de “cinco canônicas”: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly.

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Charge de um jornal de 1888, referente ao assassinato de Chapman

A imprensa da época representava seus crimes através de ilustrações. A história foi se alastrando de uma forma nunca vista antes. A venda de jornais crescia. O fato do caso não ser solucionado pela polícia, criava uma grande tensão na região dos crimes. Centenas de cartas chegaram aos jornais e a polícia na época. A maioria, de pessoas que tentavam indicar alguma pista, mas no fim das contas de pouca serventia. Muitas cartas chegavam afirmando terem sido escritas pelo próprio assassino.

Três cartas se destacam: A carta “Ao caro chefe” – publicada para tentar encontrar alguém que reconhecesse a grafia. Esta é a primeira carta que menciona Jack o estripador, e que viria a ser o nome conhecido do assasino por toda a imprensa. Cartão postal, “O insolente Jacky” – tinha um estilo similar à carta “Ao caro chefe” e mencionava um evento duplo, que remetia aos assassinatos de Stride e Eddowes. Entretanto, ambas as cartas foram identificadas como fraudes, produzidas por jornalistas. A carta que desperta uma maior veracidade é a “carta do Inferno”. Ela foi entregue no Comitê de Vigilância de Whitechapel em uma caixa que continha a metade de um rim humano. Eddowes teve um de seus rins retirados. O autor, descrevia na carta que havia fritado e comido a outra metade do rim.

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Carta “Do Inferno”

A cobertura dos assassinatos foi algo sem precedentes e que influenciou e criou um novo nicho de imprensa. Os assassinos que viriam posteriormente sempre viriam a ter um apelido para causar um maior impacto no público. O fato da identidade de Jack nunca ter sido descoberta fez com que ele virasse um mito. Muitos historiadores e investigadores tentaram descobrir sua identidade. Muitos foram apontados como sendo o assassino, mas sempre de forma inconclusiva.

O jogo: Seja Jack!

A história começa 20 anos após os acontecimentos de Assassin’s Creed Syndicate. Ao todo são 10 missões principais que ocorrem nos distritos de Whitechapel e City of London. Jacob Frye está em uma caçada atrás de Jack, e cobra um jornalista para que não publique mais cartas do assassino. Uma prostituta, Nelie, aparece informando que foram encontradas nova vítimas: Katey e Lizzie.

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Na parte seguinte, o mais inesperado de tudo que vi, foi o fato de jogar como o próprio Jack. E já no primeiro momento do jogo. Sua primeira missão é perseguir e matar Jacob. Após lutar com Jack, Jacob desaparece. Um mês depois, Evie Frye chega a Londres. Jacob havia lhe pedido ajuda. Ao conversar com o Inspetor Abberline, que lhe passa informações sobre o assassino e desaparecimento de Jacob. A ligação entre ambos os fatos é bem clara, então Evie começa sua investigação. E assim começa a história da DLC.

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London Noire

A DLC tem um foco bem diferente da campanha principal. Em vários momentos temos que investigar ambientes em busca de provas e reconstituir fatos, bem ao estilo da série Batman Arkhan e LA Noire. E isso deixa a história bem intrigante. Os itens e pistas encontrados, deixam você criar várias teorias de quem é o assassino. As cenas de crimes investigadas utilizam as vítimas reais.

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Investigação do assassinato de Mary Jane Kelly

Habilidades do medo

Jack possui habilidades que aterrorizam as pessoas. Ele utiliza um grito que deixa seus oponentes sem reação o que facilita a ação de imobilização brutal, que resulta em uma morte terrível. Utilizando uma faca, Jack rasga a pessoa desde umbigo até o peito. Aliás, jogar com Jack pode ser um pouco perturbador. A tela fica falhando e a imagem fica desfocando, causando um certo desconforto. Isso aliado a violência gráfica de seus assassinatos me deixaram muito mal em certos momentos, principalmente em uma missão em que tinha que matar todas as testemunhas.

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Jogar como Jack pode ser um pouco perturbador

Evie possui as mesmas habilidades, porém elas são até certo ponto, não letais. Elas podem ser melhoradas em uma pequena árvore de habilidades existente no menu do jogo. Evie possuí dois tipos de imobilização: uma utilizando um ferrão que prende o adversário no chão e outra semelhante ao de Jack – só que sem a parte de estripar. Ela também possuí bombas de medo, que fazem um barulho aterrorizante que fazem os oponentes correrem de medo. O inimigos possuem um estado emocional com três níveis: calmo, ansioso e assustado.

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Árvore de habilidades de medo da Evie

Missões secundárias

As missões possuem foco nos três principais pilares por trás do mito do estripador: as vítimas, os jornalistas e a polícia. Cada uma é reprepresentada por um associado: a prostituta Nellie, o jornalista Arthur Weaversbrook e o inspetor Frederick Abberline. Cada missão lhe proporciona algum tipo de melhoria. As missões de Nellie consistem na defesa das prostitutas, que estão sendo atacadas pelos chamados “tenentes de Jack”.

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As missões Weaversbrook são mais investigativas. Tem o intuito de descobrir informações sobre as cartas publicadas atribuídas ao estripador – sim as mesmas citadas anteriormente: carta “Do Inferno”, “Ao querido Chefe” e “O insolente Jacky”. As missões de Abberline são para conter a violência que se alastra por criminosos a serviço de Jack ou outros aproveitadores, bem como o fechamento de clubes de luta.

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Missão secundária: Clube da luta

Veredito

A DLC possuí uma gameplay com foco em investigação e em invasões furtivas. De certa forma isso muda um pouco a dinâmica em relação a campanha principal. O que me fez gostar mais da DLC foi o fato de o vilão ser sensacional. Ele é muito maior do que a já cansativa luta entre templários e assassinos. Por mais que o jogo tente jogar Jack neste contexto, esta rivalidade é colocada em segundo plano.

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Entretanto, existe um grande porém: o final da DLC é extremamente frustrante. Eu diria que é um final covarde, porém até compreensível. Mesmo com um final que deixa a desejar, Assassin’s Creed Syndicate: Jack The Ripper possuí uma história e dinâmica melhor que a campanha principal. Jogar como o estripador foi algo realmente surpreendente. Você pode encontrar mais informações sobre a história e mitologia por trás de Jack o Estripador aqui.

Índio do pantanal, nunca teve console. Começou jogando no Super Nintendo na casa de amigos. Viveu a era de ouro das Lan Houses jogando CS 1.6 e NFS Underground. Analista de Sistemas, quase Engenheiro da Computação, vendeu a alma para a Steam, é grande fã das franquias Half Life e Max Payne.
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