Análise Dragon Quest Builders

Dragon Quest Builders, novo jogo da série Dragon Quest, tem foco diferente. O jogo acerta ao combina sandbox com elementos de RPG, proporcionando uma das melhores experiências do gênero.

O mundo de Alefgard pode ser moldado de acordo com a sua própria vontade pela primeira vez através de Dragon Quest Builders. O novo jogo da série publicada e desenvolvida pela Square Enix é provavelmente um marco. Dragon Quest Builders explora de forma incrível um terreno até então, inexplorado, preservando algumas das principais características dos clássicos jogos da série Dragon Quest.

O gênero sandbox tem sido bastante aproveitado nos últimos anos, em grande parte pelas empresas independentes, então uma crianção do tipo vinda de uma empresa como a Square Enix é pelo menos curioso… Alguns até podem julgar como uma oportunidade de fazer mais dinheiro, mas independente do propósito, Dragon Quest Builders é um jogo muito bem planejado e executado, notavelmente feito com cuidado para o seu público. A comparação com Minecraft provavelmente pode pairar na sua cabeça, mas ambos os jogos possuem uma proposta próxima e ao mesmo tempo desconexa que dispensa um comparativo aprofundado.

Dragon Quest Builders se passa em Alefgard, o mundo do primeiro, segundo e terceiro jogo da série Dragon Quest. Acontecimentos alternativos foram desenvolvidos especialmente, e agora Dragonlord, clássico antagonista, está de volta sedento por destruição. Após dominar todas as terras de Alefgard, Dragonlord e as criaturas ao seu comando destroem todas as civilizações e retira das pessoas sua habilidade nata de criar e construir. Você como o herói/heroína da história é destinado(a) a fazer o que ninguém mais é capaz, então sua aventura começa.

A aventura começa em Cantlin, terras de Alefgard tomadas por você sabe quem. As primeiras horas são muito explicativas e bastante coisa é contada, geralmente sobre a criação de algo e como funciona. A história é intercalada entre as explicações, algumas vezes por uma voz misteriosa, e outras por habitantes. Seu principal objetivo na história é criar itens e construir coisas que contribuem com o levantamento da primeira cidade habitável depois do domínio de Dragonlord. O ritmo inicial lento e bastante explicativo pode deixar os mais apressados impacientes, porém como um digno sandbox, Dragon Quest Builders dar liberdade para você fazer o que quiser desde que tenha os materiais necessários.

Diferente de jogos mais conhecidos do gênero, a liberdade é ponderada em prol da aventura. A maioria das coisas tem seu devido valor na hora certa. A receita de um novo machado não é desbloqueada até você chegar em um ponto da aventura que requer realmente um novo machado. A maneira adotada até pode parecer meio precipitada para um tipo de jogo tão aprofundado na liberdade de criação, mas um planejamento criterioso fez toda a diferença. O dito popular “cada coisa tem seu tempo” encaixa perfeitamente na proposta de Dragon Quest Builders, dando ao jogo um estilo de progressão incrível, fazendo você mergulhar de cabeça na história, e encarar tudo como uma aventura única enquanto se diverte imaginando as recompensas que aquela missão em andamento pode proporcionar. O jogo passa a sensação de um típico sandbox, mas o espírito é de um legitimo RPG.

Uma lição de moral valiosa para a vida.
Uma lição de moral valiosa para a vida.

A sua progressão no jogo depende das missões realizadas. As missões se beneficiam de um padrão clássico de jogos RPG, mas não costumam ser ousadas. Muitas missões são do tipo pegue isso, faça aquilo, derrote bicho tal, e por aí vai… Apesar dos objetivos aparentemente rasos, as missões costumam ser muito divertidas. Algumas como coletar uma carne para fazer a refeição que um NPC pediu pode parecer meio boba e chata, mas seu propósito inteligente faz valer a pena, já que desta forma você aprende novas receitas culinárias. A grande maioria das missões partem do mesmo princípio: desbloquear e ensinar sobre algo que você provavelmente não sabia relacionado as maravilhas de Alefgard. O jogo organiza bem as missões, e não amontoa muitas de uma única vez, mas não conta com informativos em tela a respeito, e muitas vezes você acaba esquecendo detalhes importantes de uma tarefa. A única solução viável é falar novamente com o NPC que te passou a missão esquecida para lembrar do que se trata.

Como nenhuma forma de multiplayer está disponível, Dragon Quest Builders compensa dando personalidade aos seus personagens NPC para tornar a sua experiência mais “sociável” dentro de um mundo tão vasto. A história é envolvente o suficiente para transportar você e deixá-lo encantado por cada grande capítulo. Ao todo são 4 capítulos, e cada um deles proporciona incontáveis descobertas, desenrolar emocionante da história, e muitas oportunidades criativas. São dezenas de horas de diversão só acompanhando a história, depois de concluir o primeiro capítulo você descobre que dezenas serão transformadas rapidamente em centenas no modo Incognita.

Nada é para sempre, inclusive a sua vestimenta. Estilo Mogli. :P
Nada é para sempre, inclusive a sua vestimenta. Estilo Mogli. 😛

Incognita é um modo de jogo para chamar de seu. Você tem liberdade para fazer o que quiser, quando quiser, pelo prazer da criação. Se você for um bom aventureiro no modo história, desbloqueará um bocado de itens ao concluir os capítulos. Cada capítulo possui uma série de desafios para serem batidos, e ao completá-los você desbloqueia itens específicos no seu Incognita. Algumas das únicas funcionalidades online do jogo estão acessíveis através do Incognita. As possibilidades online estão limitadas à visualização e compartilhamento de criações.

A quantidade e variedade é uma coisa maravilhosa em Dragon Quest Builders. Quando você menos espera, não tem mais baús para tanta coisa. Tudo no jogo é como um item disfarçado, quebre e descubra! Sabe as missões? Elas provavelmente já te ensinaram a lidar com toda a fartura de coisas e você nem deve ter percebido. Você vai conseguir fazer quase tudo que quiser com todas as coisas coletadas, mas lembre-se! Cada coisa tem seu tempo.

Baú principal está tão cheio que foi preciso organizar o restante das coisas em um amontoado de baús secundários.
Baú principal está tão cheio que foi preciso organizar o restante das coisas em um amontoado de baús secundários.

Administrar uma quantidade de recursos muito elevada não é fácil. A solução encontrada foi relacionar todos os itens coletados em um sistema unificado. Em uma clássica situação na qual você precisaria de vários tipos de itens para construir um objeto especifico, ao invés de selecionar um por um e carregar no inventário principal até a mesa de construção como aprendemos na maioria dos sandboxs da vida, você só precisa ter os itens guardados, independente de qual dos vários baús esteja. Há algumas regrinhas básicas, mas o conceito continuará prático, facilitando demais a produção.

O jogo utiliza a maioria dos botões do controle (PS4) cuidadosamente. A simplicidade é herdada do mapeamento padrão de muitos jogos de RPG japonês. A manipulação de blocos talvez seja a parte mais difícil no começo, aprender a lidar com os gatilhos do controle requer certa prática. Através dos gatilhos você posiciona os blocos minuciosamente em três níveis de acordo com a altura do seu personagem em relação ao local. Rapidamente você consegue manipular os blocos pelos locais desejados com perfeição, todavia alguns blocos de telhado, por exemplo, requerem um aprofundamento e até criatividade na hora de serem colocados.

Telhado básico, esforço avançado.
Telhado básico, esforço avançado.

O sistema de combates não chega a ser horrível, mas é um pouco decepcionante. A falta de dinâmica do personagem principal e movimentos genéricos dos inimigos provoca uma sensação plástica, ofuscando parte do brilho de um jogo que tinha tudo para proporcionar batalhas épicas. Batalhas contra criaturas maiores e principalmente chefes revertem a situação um pouco, mas no geral os combates são razoáveis. Amantes de armamento e equipamento estarão bem servidos ao decorrer do jogo, mas a maioria não altera muita coisa além da aparência e atributo.

A parte visual é muito bonita, o estilo estético em voxel com características meio plásticas deu uma peculiar personalidade ao jogo. Mais uma vez o mestre Akira Toriyama contribuiu com o design de personagens para a nossa alegria. Quanto a trilha sonora, é… excepcional. Propõe canções moderadas com toque sereno condizente com o clima de aventura do jogo. Muitas canções inclusive foram inspiradas ou mesmo extraídas do primeiro jogo da série Dragon Quest.

Aproveitando os pequenos momentos da vida.
Aproveitando os pequenos momentos da vida.

Dragon Quest Builders é um jogo surpreendente, produzido com muito esmero. São tantas descobertas, momentos criativos e aventuras memoráveis. Apreciar seu conjunto de elementos tão bem colocados proporciona uma das melhores experiências do gênero. Jogue e seja transportado para uma das mais cativantes aventuras com liberdade criativa.

Dragon Quest Builders foi lançado no PlayStation 4 e PlayStation Vita. Análise feita a partir de uma cópia da versão PS4 cedida pela assessoria de imprensa da Square Enix.

Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Ascendente escritor, desenvolvedor e empreendedor. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho duro e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante de limão, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.