Conversa de Sofá

Por Flávio Ricardo em 19/01/2016

Análise Mad Max

Lançado na época errada, Mad Max ficou a sombra de outros grandes títulos mas agradou os poucos que lhe deram a devida atenção. Com suas paisagens áridas e longas estradas, o jogo entrega o que promete.

Era um garoto, que como eu, só queria ficar na dele e dar umas voltas de carro. E assim começa Mad Max, o filme, o jogo, e todo o resto baseado nesse universo onde mais uma vez a humanidade quase se extinguiu em busca de poder.

Assim como nos filmes, o jogo já de início te ensina que uma das tarefas mais difíceis em toda a sua experiência será sobreviver, e não apenas à falta de recursos e mudanças climáticas de um mundo sem equilíbrio, mas também aos outros sobreviventes e facções existentes.

Max dirige seu veículo em uma terra semi-árida quando é emboscado por alguns “garotos de guerra” (War Boys para os íntimos), e logo se vê derrotado, tendo seu carro e roupas roubados, além de ser feito de prisioneiro. Num momento de erro do inimigo (o bom e velho clichê), ele se solta e encara ninguém menos que Scabrous Scrotus, o vilão do jogo e filho de Immortan Joe (do filme).

Esse que é o começo e de certa forma, já prevendo o desenrolar dos acontecimentos, o fim do jogo. É claro que nesse momento Max não consegue derrotar Scrotus logo de cara e após a ligeira batalha os dois seguem rumos opostos, Max em busca de recuperar seu carro e reputação, e Scrotus sua vida após o golpe quase fatal de Max.

Scabrous Scrotus, um dos filhos de Immortan Joe

Scabrous Scrotus, um dos filhos de Immortan Joe

Daí em diante temos um mundo aberto e livre a ser explorado. Como se trata de um futuro onde “deu ruim”, diferente de The Witcher 3 e GTA V por exemplo, o mundo aberto não é muito “vivo”. No geral, as pessoas que encontramos são inimigos em comboios de carros durante nossa viagem até um forte aliado.

Em casos raros, entre um ponto e outro, alguns sobreviventes pedindo água aparecem na beira da estrada, mas a ação desses se limita a isso, pedir água e agradecer quando nós os ajudamos.

Para encontrar pessoas que não sejam inimigos, devemos ir até algum forte aliado e lá sim vemos algumas pessoas conversando e fazendo tarefas do dia-a-dia (de forma totalmente mecânica).

Bom, com esse início de análise já deu pra ficar claro qual é um dos, senão o principalmente ponto “fraco” de Mad Max, que diferente de outras franquias onde sofremos constantemente com bugs e mecânicas travadas, aqui o único mal do jogo é o seu próprio contexto.

Jogos que retratam o futuro da humanidade geralmente são palcos de uma falta de humanos, destruição e criaturas bizarras, que aqui foram substituídas por humanos mal-formados devido a falta de boas condições de vida e doenças.

Max tendo uma visão do horizonte

Max tendo uma visão do horizonte

Para compensar essa falta de vida de Mad Max, a Avalanche Studios criou um cenário belíssimo ao seu modo, são extensas paisagens secas, montanhas e fortes, cavernas para se explorar em busca de recursos e muita, muita estrada para se percorrer com o seu carro.

O gráfico de Mad Max impressiona tanto num PC com configurações baixas quanto no PlayStation 4 e Xbox One, plataformas onde o jogo foi lançado. Além do já citado cenário, é possível ainda salientar os detalhes e as texturas quando em ambiente fechado, seja de construções abandonadas, fortes ou cavernas. Sempre passando aquela impressão de desgaste e sujeira de um mundo prestes a ruir por completo.

Com certa frequência nos deparamos com tempestades de areia. Quando em ambiente aberto, caso a pé Max começará a sofrer dano provido pela força do vento e da areia além de poder ser atingido por destroços trazidos pela tempestade. O mais recomendado é pegar seu carro e procurar abrigo pois mesmo no carro os destroços podem atingi-lo e causa danos indesejáveis.

Vez ou outra, mesmo protegido da tempestade, você pode ser vítima de outro fenômeno, esse que é um bug que faz com que a tempestade lhe cause dano em ambientes fechados. Algo semelhante ocorre com o fogo, que ora causa dano ao tocá-lo ora não.

No maior estilo "briga de rua" os combates são intensos em Mad Max

No maior estilo “briga de rua” os combates são intensos em Mad Max

Em termos de jogabilidade Mad Max faz o básico mas não decepciona. No jogo podemos andar, correr, agarrar itens, subir em locais pré-determinados, combater os inimigos usando luta corporal, usar armas brancas e armas de fogo, além é claro de pilotar e usar as armas do nosso veículo.

Quando a pé Max geralmente se encontra invadindo algum forte inimigo ou explorando alguma caverna, nesse caso é necessário tomar cuidado com armadilhas espalhadas pelo chão e penduradas no teto além de ficar atento aos diferentes caminhos que podemos seguir para encontrar algumas colecionáveis.

O combate é bem semelhante para não dizer uma “cópia” do sistema disseminado pelos jogos da série Batman Arkham. A diferença (e boa, diga-se de passagem), fica por conta do estilo de combate de Max. Proveniente de um mundo onde ele aprendeu a se virar por conta, Max luta usando socos fortes, joelhadas, empurrões e pontapés, falta habilidade mas sobra brutalidade.

Quando empunhado de algum bastão, cano ou lança, Max bate com esse em seu adversário com toda força, sendo possível também arremessar alguns. Já as armas de fogo são poucas e úteis em momentos extremos pois a munição também é escassa.

O ponto fraco dessa sessão fica na trava que o jogo coloca te permitindo subir e escalar apenas locais pré-determinados, geralmente marcados pela cor amarela.

Chum (acima do carro), acompanha Max nas batalhas durante a gameplay com o carro

Chum (acima do carro), acompanha Max nas batalhas durante a gameplay com o carro

Uma vez abordo de seu carro e maior arma, Max se torna quase que uma lenda viva, podendo percorrer o mapa de uma ponta a outra desde que haja gasolina suficiente e caso encontre algum comboio inimigo, usa de um gancho e de suas quase infinitas trombadas para derrotá-los.

A jogabilidade do carro é muito boa, além de responder bem aos comandos, é possível sentir quando entramos num terreno onde as condições de dirigibilidade são diferentes, o carro reage bem quando atingimos ou somos atingidos por inimigos, além de como já citado, depender de gasolina e de reparos para funcionar.

Tanto Max quanto o carro tem suas habilidades melhoradas conforme o jogo avança. A cada missão concluída ou inimigo derrotado, ganhamos pontos que podem ser usados para melhorar nossa força, vitalidade, roupas, e no caso do carro suas carenagem e armas.

Mad Max, o filme, o jogo, e todo o resto baseado nesse universo sempre teve uma história que pode ser considerada rasa, o mesmo acontece aqui. Nosso objetivo principal é sobreviver e todo o resto se desenvolve em meio a isso, os conflitos gerados e as pessoas que se envolvem com Max o fazem pois em algum momento estávamos em busca de algum recurso ou do domínio de algum território.

Max no início do jogo, após ser derrotado e saqueado pelos war boys

Max no início do jogo, após ser derrotado e saqueado pelos war boys

O próprio motivo pelo qual Max enfrenta Scrotus acaba sendo motivo pelo fato de o vilão tentar dominar um número cada vez maior de fortes e matar aqueles que se colocam em seu caminho.

Se você consegue deixar a história de lado e se divertir apenas pelo princípio de concluir inúmeras missões primárias e secundárias em sequência, Mad Max é o seu jogo. Agora se profundidade é o que você procura, Metal Gear Solid V e The Witcher 3 são bons títulos para você.

Além de enfrentar comboios de carros, invadir e tomar fortes, lutar contra grupos de inimigos e eliminar o domínio de Scrotus em diversas áreas do mapa, um dos princípios de Mad Max é (ou pelo menos deveria ser), a sobrevivência.

Assim como o carro depende de gasolina e reparos, Max precisa comer e beber para continuar sua jornada. Em diversos pontos do mapa é possível encontrar reservatórios de água onde podemos reabastecer nosso cantil. Em construções abandonadas encontramos algumas latas de comida para preencher nossa barra de vitalidade.

Apesar de na teoria serem itens importantes, na prática acabamos deixando a busca por alimento e água em segundo plano a maior parte do tempo. Não há dificuldade alguma nesse quesito, só de concluir grande parte das missões você acaba se deparando com os recursos que precisa para seguir em frente.

Ao final do jogo, o semblante de Max é de abatimento (detalhe para a barba grande)

Ao final do jogo, o semblante de Max é de abatimento (detalhe para a barba grande)

E não apenas água e comida, mas também peças de sucata, necessárias para construir e dar um upgrade em armas e equipamentos, acabam sendo encontradas em abundância.

No geral, Mad Max reúne diversos elementos de outros jogos e entrega uma experiência um pouco genérica, mas divertida a seu modo. Sempre tendo em mente que o universo do jogo é sim um fator que o limita, você com certeza vai percorrer muito chão seco, explorar várias cavernas e fazer várias missões secundárias antes de enjoar de Mad Max e mesmo quando isso acontecer, talvez ai seja hora de focar nas missões principais.

Mad Max foi lançado no PC, PlayStation 4 e Xbox One. Análise feita a partir de uma cópia da versão PS4 cedida pela Warner Brasil.

É um sul-mato-grossense de 20 e poucos anos, que começou no mundo dos games jogando Master System e Mega Drive, quando então conheceu o melhor console já criado neste mundo: o Super Nintendo. Já foi dono dos "clássicos" PSOne e PS2 e hoje passa horas disputando partidas online de Gears of War 3 no Xbox 360.
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