Conversa de Sofá

Por Diego Matias em 12/12/2018

Análise Playerunknown’s Battlegrounds (PlayStation 4)

O jogo que popularizou o gênero Battle Royale finalmente foi lançado no console da Sony para a alegria dos jogadores da plataforma PlayStation (e da Bluehole, que agora atinge a maior base instalada dessa geração). A criança prodígio do Brendan Greene chegou a tempo ou tarde demais?

Playerunknown’s Battleground – PUBG para os amigos mais próximos – tardou mas chegou ao PlayStation 4. Quase dois anos após ter sido publicado na Steam, após um ano como jogo exclusivo do XBox One e tendo sido duramente criticado pelas comunidades de jogadores das plataformas da Microsoft pelos problemas trazidos com o acesso antecipado, PUBG foi liberado para os jogadores da PSN na madrugada do dia 07 de dezembro. Um excelente passo porém, num ambiente agora bastante concorrido.

Se à época do lançamento do H1Z1 o console japonês não tinha nenhum jogo do gênero Battle Royale (BR) senão o gigante Fortnite, hoje, além do próprio H1Z1 – outra cria do Greene – Activision e Electronic Arts já publicaram seus carros chefes, Call of Duty Blackout Battle Royale e Battlefield V, com partidas BR integradas (no caso desse, o modo está previsto pro início de 2019).

O jogo da Bluehole não é um AAA com o orçamento que CoD e BF possuem, então são as mecânicas refinadas e a proposta tática de PUBG que o separa dos demais, mas nem tudo são flores já que o menor orçamento traz à tona alguns problemas.

Pipoco no deserto!

Same Old Song and Dance

O ciclo de vida do PUBG até aqui o torna um produto peculiar. O jogo ficou tanto tempo nas versões beta e early access e mesmo agora apresenta problemas ocasionais apesar de ter sido testado à exaustão nos dois lançamentos prévios. O mais comum: texturas que são carregadas aos poucos. No Ps4 regular, tanto no cenário como na roupa do seu personagem, as texturas parecem demorar alguns segundos até serem completamente carregadas. Por vezes, ao entrar em um edifício, os móveis também se materializam com atraso. Não é de se espantar que ao colocar 100 pessoas simultâneas em um mapa com milhares de metros quadrados de extensão, concessões precisem ser feitas para alcançar a quase sempre estável taxa de quadros de 30 frames por segundo.

Me prometeram um paraquedas bonito…

Estabilidade que, segundo quem jogou ambas versões, está bem melhor no aparelho da Sony do que esteve à época do lançamento – novamente em acesso antecipado – no XBox One, em dezembro do ano passado. Impossível comparar sem levar em conta o desempenho superior do jogo no XBox One X mas ao que parece, o lançamento ainda em fase de teste não foi um bom negócio pra quem o adquiriu para o console base da companhia sediada em Redmond.

Alô PlayStation 3!

Jump in the Fire

Caso você tenha acabado de chegar de uma missão a Marte e perdido os acontecimentos dos últimos 2 anos nesse planeta, Playerunknown’s Battleground é o jogo em que você deve escolher um local no mapa e saltar de um avião em movimento, se equipar com o que puder encontrar num campo de batalha cujo espaço seguro reduz gradativamente e ser o último sobrevivente num grupo de 100 pessoas. A premissa do jogo deu tão certo que diversos clones surgiram com o tempo, cada um com sua própria abordagem no gênero e entre Fortnite, H1Z1 e as versões de celular, PUBG se destaca dos demais pelo realismo tático, do comportamento das armas, anexos e dano causado nos oponentes aos equipamentos como coletes à prova de bala e trajes camuflados.

Arrisco aqui dizer que o foco em realismo e detalhes mais elaborados como o design de som refinado é uma das razões por trás do visual aquém de certos títulos lançados pelas grandes editoras da indústria, como Ghost Recon Wildlands, por exemplo, que apresenta um mapa 3 vezes maior mas carrega todos os detalhes e texturas sem qualquer dificuldade – talvez por processar apenas 4 jogadores simultâneos. No Ps4, a Bluehole sacrifica beleza gráfica em troca de estabilidade e fidelidade tática.

Miramar é o cenário mais bonito até agora!

Shoot to Thrill

A julgar pelo impacto do jogo na indústria, o sacrifício vale a pena. PUBG consegue reunir imersão, cooperação e adrenalina nas partidas graças à decisão de não facilitar a vida dos jogadores com auxílios visuais em tela. Não há indicadores da direção dos tiros ou marcadores no mapa e assim, cada pessoa precisa estar alerta 100% do tempo para localizar e eliminar os demais jogadores. Atenção e estratégia (também algo de sorte) são essenciais pra conseguir ser o único sobrevivente ao final da partida. Atenção suficiente para, por exemplo, se dar conta de que às vezes o som do impacto de um tiro acontecerá antes do som da arma sendo disparada já que o jogo leva em consideração a velocidade do som.

A vitória também é minha se alguém do meu time vence!

Esse nível de detalhe compõe a atmosfera das partidas que podem durar quase uma hora e são eletrizantes nos minutos finais – exceto se você estiver do lado errado dos tiros. Sobreviver na jornada até o último círculo do jogo e vencer irá exigir várias partidas de treino porque diferentemente do PUBG Mobile, a versão principal do jogo não conta com bots. É muito fácil morrer graças a detalhes bobos, como se esquecer de ajustar a frequência de tiros para rajadas automáticas, por exemplo ou correr para a área segura do mapa sem perceber que alguém pode estar logo atrás de você, fazendo a mesma coisa. Um tiro levado na cabeça e pronto, de volta ao início da próxima partida.

O realismo imperdoável aliado ao design dos mapas me remeteu muito ao primeiro título da série Ghost Recon, lançado em 2001 e a possibilidade de trocar a perspectiva da câmera e jogar em 1ª pessoa, remete muito à sensação de desorientação que ocorria no jogo da lendária Red Storm Entertainment, fundada pelo já falecido escritor Tom Clancy, hoje subsidiária da Ubisoft e grande influência para a franquia ArmA. Um detalhe que ajuda a não quebrar a imersão é a possibilidade de jogar sozinho, em dupla ou com mais três amigos em vez de ser jogado automaticamente em um time que certamente teria crianças escutando música alta ou xingando os companheiros de jogo, como acontece quase sempre em jogos competitivos. É possível jogar com estranhos e poder desligar o áudio de todo mundo é essencial.

Late Redemption

Tá, no fim das contas, vale a pena gastar mais de cem pratas por esse jogo a essa altura do campeonato? A resposta pra essa dúvida é a mesma que pra quase tudo na vida: depende. Você já gastou toda sua cota de jogos Battle Royale e não vê a hora dessa moda passar? Você já está jogando H1Z1 e tem certeza que pode muito bem ficar com ele e Fortnite que são gratuitos? Se você respondeu sim pras esses questionamentos e não vê valor algum no realismo tático trazido pelo PUBG, não serei eu que tentarei te convencer do contrário, ainda mais agora que há variados jogos do gênero à disposição nas lojas.

Agora, se você (assim como eu) estava esperando por um Battle Royale com simulação precisa da realidade que fosse publicado no PlayStation 4, então esse jogo vale sim o preço – ainda mais se você tiver um amigo pra comprar junto, se é que me entende – mesmo após os problemáticos períodos de teste, que ao meu ver fazem mais mal do que bem ao produto da maneira como a Bluehole os trata.

Let's rock and ride!
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