Conversa de Sofá

Por Tiago Matias em 22/01/2018

Análise Super Mario Odyssey

Considerado um dos melhores jogos do ano, Super Mario Odyssey conquistou milhares de jogadores no Nintendo Switch com diversas inovações sem deixar de lado a identidade clássica da série.

Super Mario Odyssey. Finalmente a principal franquia da Nintendo chega ao Switch, trazendo para 2017 o personagem que é quase um sinônimo de videogame. Superou expectativas? É o melhor jogo já feito na face da Terra? É melhor que Zelda Breath of The Wild?

Antes de tudo, preciso começar essa análise esclarecendo alguns pontos importantes. Super Mario Odyssey é a minha primeira experiência com um jogo do Mario em 3D. Isso porque, lá em 1995, eu não tive um Nintendo 64. Ao invés disso, após uma infância montado em um Super Nintendo, fui agraciado com um Sega Saturno (<3) e, mais tarde, iniciei a era PlayStation, com o PS2. Isso significa que eu não joguei Mario 64, nem Mario Galaxy; minha lembrança do encanador italiano é com Super Mario Bros 3 (meu preferido de todos os tempos) e Super Mario Kart. Dessa forma, não posso comparar Mario Odyssey com Mario 64, como muitos fizeram, chegando a afirmar que este seria um sucessor direto daquele. Meu ponto de vista tem um viés menos carregado no amor pela franquia.

Logo de início, vemos uma rápida introdução nos eventos que estão ocorrendo: Bowser sequestrou a Princesa e pretende casar-se com ela. Para tanto, está roubando artefatos especiais (todos relacionados ao casório, como tiaras, bolos, pérolas e por aí vai), de vários mundos. Mario, que perdeu a batalha contra Bowser, encontra com Cappy, uma espécie de fantasma do mundo dos chapéus (acho que alguém exagerou no cogumelo na Big N). Como sua irmã foi sequestrada por Bowser para servir de tiara para a Princesa, Cappy concorda em ajudar Mario na luta contra o vilão (transformando-se no chapéu de Mario), na tentativa de impedir o casamento e devolver os artefatos para os mundos invadidos. Daí em diante, temos um passeio na nave Odyssey, por diversos mundos, onde deveremos encontrar “Power Moons” (combustível da nave) e derrotar os sub-chefes, os Broodals.

Tudo começa de verdade, a partir da segunda fase, Fossil Falls. É aqui onde vamos testar as habilidades de Mario nos desafio de plataforma e, a cereja do bolo, na captura de inimigos para passar obstáculos. O jogo possui uma atmosfera leve e divertida, podendo ser jogado com mais uma pessoa, controlando Cappy. Mario é habilidoso e possui uma boa variação de movimentos para dar cabo dos inimigos alcançar objetivos. Saltos, rolamentos e piruetas são turbinadas com movimentos especiais para causar impacto na queda ou subir mais alto, alguns sendo ativados pelo movimento do controle do Switch, em qualquer de suas variações, ainda que seja mais difícil de ativar as habilidades quando utilizamos o console em seu modo portátil.

Cappy, por sua vez, embora seja mais poderoso, acaba limitado à apenas derrubar inimigos e obstáculos, seja limpando a área ou ajudando Mario a alcançar pontos mais altos. Por óbvio a mecânica mais interessante é a captura de de inimigos, fazendo com que Mario assuma a forma deles e ganhando suas habilidades. Em fases com água (odeio fases com água), Mario pode assumir a forma dos simpáticos peixes, por exemplo, e nadar sem necessidade de ar; assumindo a forma de um Goomba, Mario pode empilhá-los para alcançar locais mais altos. As habilidades e limitações, são determinadas pelas características dos inimigos capturados, fazendo com que às vezes o jogo seja tão maravilhoso quanto frustrante. Inimigos carismáticos (como o caso das plantas em Steam Gardens), resultam em bons momentos; inimigos tediosos, resultam em… nada.

Um dos pontos altos do jogo é sem dúvida o design das fases. Logo em Fossil Falls dá pra perceber como os desenvolvedores fizeram “muito com pouco”. Fases curtas com poucas áreas, mas que ao serem examinadas com cuidado revelam diversas outras camadas de exploração. Você pode passar horas explorando Fossil Falls e ainda assim encontrar novos segredos apenas olhando para o mesmo cenário por outro ângulo, pois a câmera fixa atrás do Mario esconde propositalmente diversos pontos de escalada ou queda, onde encontramos novos itens, sejam Power Moons ou Moedas. Essa incrível característica do level design atinge seu ápice em Steam Gardens, que é, pra mim, a melhor fase do jogo, com a maior variedade de gameplay (tem até tiro em 1ª pessoa). Também é obrigatório destacar os trechos de gameplay em 2D, sem dúvida os meus preferidos. Com belíssima recriação dos gráficos em 8bits, em uma maravilhosa homenagem ao primeiro jogo do encanador. Uma pena serem trechos curtos e não estarem presentes em todas as fases.

Todavia, à medida que o jogo avança a qualidade não é mantida. Os chefes de fase são bem fáceis e, quando são os Broodals, tediosos, dada a completa falta de carisma desse grupo de inimigos. Em fases maiores, o level design deixa de ser primoroso, algumas com direção de arte bem feiosa (é você mesmo Forgotten Island), dando lugar a desafios tediosos, sejam em plataformas ou com inimigos que não ajudam, já que vamos capturá-los com Cappy. Passadas as cinco primeiras fases, o jogo torna-se cansativo, com poucos inimigos cativantes ou cenários bonitos, como vistos em Tostarena, por exemplo. Outros detalhes menores também incomodam, como a obrigatoriedade em seguir ao próximo nível, assim que coletamos o número necessário de Power Moons para ativar novamente a Odyssey, mesmo que ainda existam segredos a serem descobertos na fase atual. Sem falar na completa ausência de outros personagens jogáveis. Luigi, Yoshi e Toad fazem aparições pontuais, algumas nada relevantes. Uma pena.

A queda da qualidade permanece até chegarmos a New Donk City, novamente uma fase viva e deslumbrante, que apresenta o melhor que Super Mario Odyssey tem a oferecer em mais uma belíssima homenagem às origens do personagem, nascido juntamente com Donkey Kong, em 1981. Também é uma pena que a homenagem fique limitado aos primeiros jogos do Mario, não havendo qualquer menção aos jogos posteriores e igualmente consagrados como Super Mario 3 ou Super Mario World. Pelo menos, o carisma do Mario segura bastante o clima da aventura, sobretudo com a possibilidade de alteração das vestimentas do encanador, através de moedas especiais encontradas nas fases.

Super Mario Odyssey apresenta grandes momentos em um jogo marcado pela limitação, que quando é utilizada a favor da criatividade, resulta em momentos incríveis de exploração e desafio. Por outro lado, a repetição destes desafios acaba deixando a experiência maçante, já que a recompensa por ultrapassar os obstáculos e conseguir as Power Moons ou moedas especiais não é lá tão satisfatória. Aparentemente, a Nintendo optou por diminuir o escopo do jogo, entregando um mundo limitado, mas com uma alta capacidade de replay. Ao revisitarmos as fases já passadas podemos encontrar boas surpresas e novos desafios, mas ainda assim, com parte do gameplay atrelado às habilidades dos inimigos existentes em cada fase, a qualidade varia demais uma vez que nem todos são tão divertidos de capturar.

Não posso deixar de imaginar como seria acaso pudéssemos jogar com Luigi e Yoshi, utilizando outras habilidade, que não Cappy, ou até mesmo a existência de power-ups clássicos, como cogumelo e flor. Mesmo esses itens já tenham sido exaustivamente explorados em jogos anteriores, penso que uma nova camada de gameplay não faria mal.

No fim das contas, apesar dos pontos negativos, Mario Odyssey tem seus méritos, sobretudo na inovação com a mecânica de captura dos inimigos e na construção de fases incríveis, que conseguem extrair o máximo de gameplay possível de áreas aparentemente pequenas. Some-se a isso aos belíssimos trechos de jogo em 2D, o clima de descontração e um fator replay altíssimo, o resultado é um ótimo jogo, sendo uma excelente opção para jogadores de todas as idades.

Super Mario Odyssey foi lançado em 27 de outubro de 2017, exclusivamente para o Nintendo Switch.

Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.
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