Telltale acerta novamente na segunda temporada de The Walking Dead

The Walking Dead Season Two mantêm fórmula do primeiro jogo para continuar agradando. Ponto forte do jogo continua sendo a história, leia nossa análise.

Ficha técnica

  • Plataforma: PC / OSX / Xbox 360 / Xbox One / iOS / PS Vita / Ouya / Android / PS4 / Xbox One
  • Lançamento mundial: dezembro de 2013 à agosto de 2014 (episódios 1 ao 5)
  • Desenvolvedor: Telltale Games
  • Distribuidor: Skybound Entertainment

Após o grande sucesso da primeira temporada, que recebeu vários prêmios de jogo do ano, no fim do ano passado a Telltale Games lança a segunda temporada de The Walking Dead. Com a dificil missão de repetir o sucesso de seu antecessor, a sequência se apega aos aspectos que fizeram sucesso e tenta melhorar as falhas. Eu joguei a versão de PC pela Steam, paguei R$ 25 reais, mas o preço normal sai a R$ 45,99.

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Jogabilidade

O jogo sofreu uma série de melhorias no aspecto de jogabilidade. O controle passou a ser aproveitado de maneira mais completa. Além dos botões de ação, agora os gatilhos são utilizados para atirar, utilizar armas brancas (facões, machados) ou dar socos e chutes. As sequências de ações que antes necessitavam apenas clicar em um botão freneticamente continuam e foram adicionando momentos de sequências de botões, as vezes misturados com o uso do analógico. Essas pequenas alterações foram benéficas, principalmente, porque o jogo possui muito mais momentos de ação que a primeira temporada. Apesar das mudanças, continua sendo um jogo bem fácil. A interação com os objetos foi melhorada, bem como a movimentação dos personagens.

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Gráficos

Se você é fã de gráficos, definitivamente este não é o seu jogo. O estilo do gráfico é cartunisado (presente em todos os jogos da Telltale) e não sofreu grandes alterações em relação a primeira temporada,  apesar da expressão das personagens ter melhorado muito. A ambientação ganhou mais detalhes, mas de certa maneira continua pobre.

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O que importa mesmo é a história

O foco realmente é na história. A principal alteração é no protagonista. Na primeira temporada tínhamos Lee, um professor universitário que havia cometido um assassinato e no meio do apocalipse conhece uma criança, Clementine, que passa a ser a sua razão de viver, transformando sua vida completamente. Na segunda temporada a protagonista passa a ser Clementine, e a história mostra a sua mudança de criança para uma maturidade precoce, que o mundo devastado força ela a se tornar.

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No começo eu esperava certa limitação dos problemas que Clementine enfrentaria, afinal ela é uma criança e há certos limites que a “moralidade” não permite ser ultrapassados. Porém, eu diria que ela não é poupada de quase nada. A única coisa que ela não participa é de um relacionamento amoroso, de resto tem de tudo. Clementine é testada ao máximo emocionalmente em conflitos de grupo, solidão, ameaças de outros grupos, animais, clima, enfim ela passa por muitos problemas.

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O ínico da segunda temporada se passa algumas semanas após o fim da primeira. Após um ataque de um grupo de homens, Clementine é obrigada a se afastar de seu grupo e fica sozinha no mundo de novo. E é sobre isso basicamente o jogo: em como Clementine se transforma de criança da primeira temporada em alguém totalmente auto suficiente, que consegue se defender, se alimentar, enfim sobreviver em um mundo totalmente inóspito.

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O jogo te leva sempre a ter que optar por uma escolha. E não é a melhor. Por  que nesse jogo não existe uma escolha que tenha um “final feliz”. Você tem que optar na menos pior. Chega um ponto que nem se pensa muito, simplesmente toma a decisão por impulso, já que não tem jeito mesmo. São escolhas como quem deve morrer ou amputar membro de uma pessoa para salvar a vida. Se não fizer sua escolha no tempo determinado o jogo escolhe por você ou dependendo da situação, você morre.

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Na review da DLC da primeira temporada 400 Days, escrevi que era esperado a participação das personagens da DLC na segunda temporada. E elas realmente estão, mas de uma forma decepcionante. Apenas uma personagem é bem aproveitada, as demais fazem pontas imperceptiveis. Eu esperava que as escolhas da DLC realmente fizessem parte de uma maneira mais importante na segunda temporada.

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O jogo possui três finais e estes finais possuem algumas variações. Assim, temos praticamente 5 finais diferentes. Não existe um final bom: existe um final com o qual você se identifica mais. A decisão de como será o fim de jogo ocorre no capítulo 5. Nenhuma decisão tomada antes deste capitulo irá interferir.

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A Segunda temporada de Walking Dead irá despertar no jogador várias emoções: dor, medo, angústia, agonia, pena, raiva, tristeza e em alguns momentos alegria. O roteiro do jogo consegue dosar todos. Se você for uma pessoa mais sensível, diria que pode chorar em vários momentos. Clementine consegue substituir Lee como personagem principal com méritos e o grupo em que ela tem que conviver possui excelentes personagens.  A continuação de Walking Dead tinha a difícil missão de manter a qualidade do primeiro e consegue, naquilo que tem de melhor: a história.

Futuro Garantido

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Após o enorme sucesso da primeira temporada (inclusive com vários prêmios de jogo do ano) e da segunda temporada, a Telltale Games confirmou em sua conta no Twitter  que a terceira temporada já está garantida. Analisando os últimos jogos da empresa, devemos esperar por um jogo com uma excelente narrativa, mas espero também melhorias para a expressão facial, ambientação, gráficos e movimentação, afinal, temos uma nova geração de consoles para ser explorada.

8.5
  • História fantástica
  • Desenvolvimento dos personagens é muito bom
  • Se você é fã de gráficos, este não é o jogo para você
  • Expressão dos personagens melhorou, mas ainda não está boa
Índio do pantanal, nunca teve console. Começou jogando no Super Nintendo na casa de amigos. Viveu a era de ouro das Lan Houses jogando CS 1.6 e NFS Underground. Analista de Sistemas, quase Engenheiro da Computação, vendeu a alma para a Steam, é grande fã das franquias Half Life e Max Payne.