Conversa de Sofá

Por Tiago Matias em 30/01/2017

Análise Watch Dogs 2

Após os conturbados lançamentos do primeiro Watch Dogs e Assassin’s Creed Unity, a Ubisoft acalmou os ânimos, reavaliou sua estratégia de lançamentos e reorganizou o time em campo. Mesmo com as desconfianças, a desenvolvedora francesa superou todas as expectativas com Watch Dogs 2. Confira a análise.

Toda a controvérsia que envolveu o lançamento do primeiro Watch Dogs (lançado em maio de 2014) com acusações de que a Ubisoft teria promovido o game com gráficos melhores do que os presentes do produto final, ofuscaram o brilho do maior lançamento de uma nova franquia pela desenvolvedora francesa. Podemos acrescentar que Assassin’s Creed Unity (lançado em novembro do mesmo ano), não ajudou muito a limpar a imagem da gigante francesa com os consumidores, pois além de lidar com a controvérsia do downgrade gráfico, ainda levou pra Paris mais um problema: a fama de lançar de jogos aparentemente inacabados.

Mesmo com bons lançamentos AAA em 2015 e 2016 (Far Cry Primal, Rainbow Six e The Division, por exemplo), quando Watch Dogs 2 foi anunciado, em junho de 2016, com lançamento em logo em novembro, houve uma certa apreensão acerca da capacidade da Ubisoft em entregar uma continuação à altura do potencial da franquia, algo que o primeiro jogo não foi capaz de fazer.

Apesar do pessimismo, podemos tirar o elefante da sala de afirmar: Watch Dogs 2 é um excelente game!

Apresentando o novo protagonista, Marcus Holloway, conhecido nas “interwebs” por Retr0, Watch Dogs 2 deixa pra trás o mundo solitário e triste de Aiden Pearce, inserindo Marcus no coletivo DedSec, formado por seus companheiros Sitara, Josh, Wrench e Horatio.

Após uma missão de introdução que serve como rito de passagem para a iniciação de Marcus no DedSec, somos apresentados ao novo protagonista em um trecho bastante icônico que constrói muito bem sua a personalidade deixando claro que Marcus é o oposto do sisudo Aiden Pearce.

Logo de cara também podemos perceber que a atmosfera do jogo é outra. A São Francisco do game é colorida e vibrante, muito devido à direção de arte que preza mais pelo tom levemente cartunesco do que a fidelidade hiper realista, tão perseguida pela atual geração de games.

Essa apresentação visual não valeria de nada se Watch Dogs 2 não tivesse um gameplay excelente. Marcus movimenta-se de maneira fluida à pé ou correndo, e nessa hora as manobras de parkour são muito bem inseridas. Temos ainda as mecânicas de combate, bastante eficientes, sobretudo pela inserção de um taser que nos dá uma opção de abordagem não-letal com os inimigos. Além de armas clássicas, temos ainda dispositivos que ajudam no progresso do jogo. O destaque óbvio fica para a dupla drone e jumper, quase brinquedos controlados por controle remoto que possibilitam até mesmo completar missões sem colocar os pés na área restrita da fase.

Ainda sobre mecânicas, os hacking puzzles presentes no original estão de volta, dessa vez integrados aos cenários das maneiras mais variadas possíveis, incentivando a exploração do ambiente, seja a pé ou utilizando os gadgets.

Embora a variedade de veículos em Watch Dogs 2 não seja tão grande quanto a vista em GTA V, temos uma melhora na dirigibilidade dos carros e motos. Mesmo assim, o ronco dos motores ainda é bastante incômodo, assim como o som das buzinas, que continuam bem estranhas. As perseguições de carro ou moto são bem exploradas no jogo, trazendo desta vez, a possibilidade de controlar remotamente os outros veículos (mesmo que seja apenas um comando por vez), fator extra de interação, além da possibilidade de controlar semáforos, estourar encanamentos de gás e levantar barreiras, como já vimos no primeiro game.

E falando em dirigir, também foi melhorada a péssima coletânea de músicas do primeiro jogo. Por mais que não tenha tantos clássicos quanto esperado, existe uma variedade interessante de rádios e estilos musicais (meus preferidos são a rádio pop e a internacional, com músicas latinas). Diferentemente da franquia GTA, em Watch Dogs é possível ouvir música fora dos veículos, por meio do app no celular, já que Marcus carrega consigo possivelmente o melhor smartphone do mundo juntamente com fones de ouvido.

Watch Dogs 2 também integra bem a utilização do celular de Marcus com a trama apresentada, fazendo com que as ações dos membros do DedSec, como postar fotos tiradas em pontos turísticos ou “vandalizar” out-doors, sejam uma forma de ampliar a base de seguidores do coletivo hacker.

Não bastassem o ótimo gameplay e belos gráficos, o enredo de Watch Dogs 2 aborda excelentes questões com relação à privacidade, exploração de dados pessoais por corporações, lavagem cerebral religiosa e, de forma sutil e competente, feminismo (Sitara não é a lider do DedSec à toa).

O game também possui ainda interações online integradas ao modo campanha, sem nenhum carregamento (modo que ficou indisponível na primeira semana após o lançamento, mas já foi consertado). Podemos encontrar outros jogadores para hackear, como no Watch Dogs original ou completar missões cooperativas. Watch Dogs 2 ainda traz o modo “Caçador de Recompensas” onde é possível perseguir outros jogadores que estejam procurados pela polícia acima do nível 3 (excelente!). Todavia, o modo mata-mata foi excluído do novo game.

Mas nem tudo é alegria. O maior problema de Watch Dogs reside no alinhamento do DedSec e, consequentemente, de Marcus Holloway. Enquanto eles são os caras legais lutando contra mega corporações que exploram a privacidade das pessoas para obterem mais e mais lucros, de outra ponta, o game não hesita em colocar armas à sua disposição para, se for de sua vontade, matar todos os inocentes que quiser. Mesmo a morte de funcionários que estão nas fases apenas fazendo a segurança do local é questionável, deixando uma sensação de contradição entre o gameplay e a história que está sendo contada.

Tirando esse detalhe o game todo é um atestado de competência da Ubisoft, que soube identificar os problemas do Watch Dogs original, de modo a alcançar o potencial que a franquia prometia. Cheio de referências da cultura pop, sobretudo nos diálogos de Marcus com Wrench, Wacth Dogs 2, traz ótimos personagens, enredo e gameplay. Um prato cheio para quem gosta de games de ação em terceira pessoa, com fortes elementos de furtividade e certamente vale o investimento.

E se você ainda estiver com algum receio, a Ubisoft acaba de disponibilizar uma demo temporária, onde é possível jogar o game completo por 3 horas, mais do que suficiente para ser fisgado pela aventura do DedSec.

Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.
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