Conversa de Sofá

Por Diego Matias em 07/11/2017

Análise Wolfenstein II: The New Colossus

A ameaça nazista nunca dorme, mas o nosso herói “Terror Billy” também não, e ele está de volta mais uma vez mandando bala com suas armas e trajes futuristas em Wolfenstein II: The New Colossus.

wolfenstein_II

Numa realidade onde os nazistas venceram a Guerra e tomaram controle do território americano, somente um homem pode enfrentá-los, para isso ele usa de muita violência e um arsenal completíssimo.

Broken, Beat & Scarred

Comecemos pelo óbvio. Este jogo é a continuação de Wolfenstein: The New Order (Bethesda, 2014), o jogo meio que responsável pelo revival que os jogos de tiro em primeira pessoa estão passando. O sucesso de Wolfenstein: The New Order foi o gatilho para a produção de outros shooters tradicionais, sendo DOOM o mais relevante aqui, já que essas duas franquias já têm mais de 30 anos.

Iniciamos o jogo após os eventos do final de “New Order”. A introdução retoma o enredo anterior pontuada por um flashback traumático: o destino de William Joseph Blazkowicz será trágico. Wolfenstein II não poderia estar mais distante de seu irmão, DOOM, apesar da estrutura de qualquer jogo de tiro tender a transformar o protagonista em super soldado.

“Terror Billy” – alcunha de Blazkowicz, conhecido por ser o pesadelo do regime nazista – é um homem assombrado pelo passado de violência na guerra e na infância. Os momentos em que Blazkowicz relembra seu passado está o entre os meus preferidos do jogo e eu não vou descrevê-los aqui pra não estragar a sua experiência. Eu não esperava pela maturidade do conteúdo e partindo do princípio de que este jogo não é adequado pra menores de 18 anos mas que no Brasil, qualquer um com 10 anos de idade já joga GTA, por exemplo, imagino que crianças precisarão da supervisão de um adulto caso venham a experimentar esse conteúdo.

General Engel: pesadelo encarnado.

Iron Maiden

Se a revelação das memórias tem potencial pra chocar o jogador, ele não encontrará alento nas outras seções da história. Se a cabeça de Blazkowicz é perseguida por lembranças, no mundo real ele e sua pequena resistência são caçados como terroristas pela General Engel e essa mulher é um pesadelo ambulante. Os primeiros 20 minutos de jogo servem para estabelecer quem é quem na trama antes de tudo engrenar e a maneira como a general é introduzida na trama é de uma crueldade e sadismo impressionantes. Uma pena que as aparições dela não sejam tão frequentes apesar de suas ações serem grandes responsáveis pelo investimento do jogador na trama e tem tudo pra ser lembrada nas próximas gerações assim como o G-man ou o maluco Vaas de Far Cry 3.

Ferido gravemente no fim da história anterior, Blazkowicz volta a ativa graças a uma armadura que lhe confere mobilidade e o protege relativamente. Uma vez de volta à luta, Blazkovicz executa as missões estabelecidas pela líder da resistência em Nova York, Grace Walker para derrubar o regime nazista que controla o que já foi território americano. Um detalhe que chama atenção, e isso deve ter acontecido com quem jogou The New Order, é que a tecnologia do jogo é mais avançada do que aquilo que havia na época, embora essa linha do tempo seja alternativa, armas e veículos chegam a ser futuristas perto do que havia em meados dos anos 60, chegando a lembrar bastante o arsenal da série Resistance sendo que até a ambientação é um tanto similar. Acho que isso é comum a todo jogo em que invasores destroem os Estados Unidos.

Tecnologia futurista da década de 60

Estado Violência

Mesmo com essa extrapolação na parte tecnológica, o tempo em que se passa a história é um dos pontos fortes do jogo. Blazkovicz viveu todo o período que antecedeu 1939 e foi testemunha da segregação praticada em seu próprio país. Agora com a América sob o domínio do Reich, Terror Billy vê uma parcela do seu próprio povo sendo conivente com o regime totalitário sob qualquer que sejam os pretextos que pautem políticas totalitárias. Tudo mudou, mas nem tanto.

Essa justaposição de acontecimentos e épocas cai como uma luva no enredo do jogo e é origem de conflitos interessantíssimos que atingem Blazkovicz em cheio – e pelo que se sabe, esses conflitos acertam alguns jogadores também. No fim das contas, Billy precisa lutar contra tudo e todos que tentarem vigiar sua liberdade. Uma pena que temos pouco contato com a sociedade e sua nova rotina sob o domínio nazista (numa das cenas em que isso acontece, há uma situação bastante similar à cena de um certo filme).

Infelizmente, nossa ação nesse mundo se resume às mecânicas de tiro e não sei como um jogo com uma ambientação tão legal poderia fazer algo distinto em sua jogabilidade. Talvez isso seja reflexo da “profissão” de Blazkovicz. Essa definição é inclusive abordada em um diálogo bastante interessante com outro líder da resistência americana que também luta contra o Reich e possui uma visão bastante distinta da que tem nosso “Terror Billy”. Ver o jogo levantar essas dicotomias que muitas vezes não possuem uma resposta clara é bastante satisfatório e confere profundidade ao que poderia ser apenas um jogo de atirar em soldados nazistas.

Be My Frankenstein

De maneira geral, Wolfenstein II: The New Colossus é um jogo de tiro bastante sólido no combate e mesmo esse não sendo o meu estilo de jogo preferido, as ocasiões em que o jogo consegue passar a noção de que somos uma máquina de guerra desenfreada são muito boas pois o resultado quase sempre é uma pilha de corpos mutilados e suas armas todas manchadas de sangue. A parte não tão boa é que a premissa de linha do tempo alternativa leva o enredo para lugares que beiram o fantástico, graças à tecnologia super avançada desse universo a ponto de banalizar certos absurdos ~científicos~, mas uma vez que isso não altera o objetivo central da história, é possível avançar sem se sentir desconectado do personagem ou das motivações da resistência a que você faz parte.

Imagino que aqueles que gostaram do Wolfenstein: The New Order, e dos outros shooters publicados pela Bethesda, já estejam jogando esse título e certamente adorando. Aos demais, eu recomendo principalmente pela história e seus conflitos maravilhosos. É muito prazeroso poder jogar um título com provocações tão maduras e, pra bem ou pra mal, atuais.

Wolfenstein II: The New Colossus foi lançado no PC, PlayStation 4 e Xbox One. Análise feita a partir de uma cópia da versão PlayStation 4 cedida pela assessoria de imprensa da Bethesda.

Let's rock and ride!
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