Conversa de Sofá

Por Diego Matias em 03/08/2018

Análise Bloodstained: Curse of The Moon

Inti Creates teve a tarefa de entregar a prévia do Bloodstained Ritual of The Night e criou um perfeito sucessor do Castlevania original de 1986.

Parece que a onda de videogames retrô não tem fim – ainda bem. Koji Igarashi, co-produtor do lendário Castlevania Symphony of The Night e mentor da série dali pra frente acabou de lançar um dos jogos que prometeu quando abriu uma campanha no KickStarter para produzir sua própria série, agora independente.

Enquanto Bloodstained: Ritual of The Night ainda não viu a luz do dia, Bloodstained: Curse of The Moon,  um pequeno e divertido spin-off teve seu lançamento garantido após as metas do financiamento coletivo terem sido atingidas. O jogo com estilo 8-bit, clara homenagem aos primeiros jogos da série Castlevania, foi lançado dia 24 de maio e os fãs da série não poderiam ter recebido melhor agrado.

Castlev… quer dizer Bloodstained

Curse of The Moon funciona como um prequel para a trama que será mostrada no Ritual of The Night e apresenta a história de Zangetsu, um guerreiro que caça os demônios que o amaldiçoaram com a Maldição da Lua (Curse of the Moon). No jogo ele terá a ajuda de três aliados: Alfred, um alquimista que manipula essências dos demônios, Gebel, outro ser amaldiçoado que terá um papel no jogo principal e Miriam, a própria protagonista de Bloodstained: Ritual of the Night. São oito fases temáticas com caminhos diversos para serem acessados por cada um dos personagens durante várias playthroughs.

É muito livro.

Stand By Him

Bloodstained: Curse of The Moon entra para o panteão dos jogos com aparência antiquada e jogabilidade moderna, emulam perfeitamente os gráficos do NES  como Oniken, Odallus e Shovel Knight (ok, esse trapaceia um pouco) e são uma delícia de jogar porque se a aparência 8-bits possui seu charme único, a jogabilidade rígida dos Castlevania antigos eu não desejo nem pros inimigos. Assim, exceto por Alfred, todos os heróis de Bloodstained são ágeis, sendo Miriam a mais rápida e com o pulo mais alto.

Sobre as habilidades únicas, Zangetsu é quem possui a maior barra de vida mas seu ataque é curto apesar de rápido e forte, Miriam usa um chicote longo, é ágil e pode deslizar junto ao chão por alguns metros. Alfred é frágil mas possui um ataque lento forte e as melhores habilidades especiais e Gebel ataca em área e pode se transformar em Morcego por alguns períodos.

A dinâmica de troca entre os personagens e o uso dos diversos poderes em cada situação é a camada estratégica do jogo. Alguns poderes podem ser ativados por um herói e usados por outro ou ativados para se chegar a um lugar específico, implicando que a perda de um aliado impeça que determinadas áreas sejam acessadas. Como uma vida só será perdida ao perder os 4 heróis e é possível ganhar uma nova a cada 20 mil pontos (aproximadamente), não será difícil passar pelos oito chefes com um pouco de paciência e estratégia e uma vez que a primeira campanha abre o modo Nightmare, Bloodstained consegue prender quem o experimentar por várias horas. Nada mau pro clone de uma série que não recebe um título nesse formato há pelo menos menos 20 anos, mais precisamente desde que Castlevania Rondo of Blood saiu pro MSX.

Homem morcego.

Dance Macabre

A Inti Creates, veterana desenvolvedora em uma das franquias mais clássicas do NES (Mega Man) e responsável pelo spin-off também 8-bits Mighty Gunvolt Burst conseguiu entregar um excelente produto que alegra o coração dos antigos fãs de Castlevania (que trilha sonora excelente!) e alimenta as esperanças dos apoiadores de Bloodstained: Ritual of the Night. Curse of the Moon tem em seu visual influências modernas de jogos como Shovel Knight – principalmente os chefes de fase – e a estética gótica dos cenários e personagens de Castlevania III – Dracula’s Curse e apesar de ser um título relativamente curto, por estar sendo vendido por um bom preço (entre 20 e 40 reais dependendo da plataforma* escolhida) eu não consigo elencar nada que o desabone.

Se você tem qualquer conexão com os lendários títulos de ação/terror da falecida Konami, essa é uma indicação fácil, até óbvia. Caso seja um caçador de monstros de primeira viagem, essa é a oportunidade de conhecer, ainda que indiretamente, uma das franquias originais do NES que por acaso é uma mais influentes da história.

Mandou bem, Iga.

*esse jogo não está disponível na Playstation Store brasileira. Tomara que isso mude em breve.

Let's rock and ride!
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