Conversa de Sofá

Por Flávio Ricardo em 10/01/2017

Crítica Assassin’s Creed (2017)

Com enredo simples porém bem adaptado ao presente, Assassin’s Creed faz sua estréia no cinema trazendo uma história inédita e fazendo bom uso dos elementos e mecânicas já conhecidas do jogo, confira nossa crítica do filme da Ubisoft.

Esqueça a história. Se apegue ao conceito. Esse é o primeiro passo para que você possa aproveitar a experiência que o filme de Assassin’s Creed tem a lhe oferecer, o maior problema dos filmes “baseados” em jogos é a expectativa errada do expectador que vai ao cinema esperando ver um jogo em live action.

Eu sei, a série Assassin’s Creed é o que é devido a sua história e os personagens icônicos que dela fazem parte, mas convenhamos que muito do que vimos e passamos no jogo, não seria bem adaptado para as telonas e causaria histeria nos fãs, por outro lado, não segui-la também causaria, ou seja, temos um impasse. Repito agora o que eu disse no começo da crítica: se apegue apenas ao conceito.

A proposta da Ubisoft para os cinemas é ousada, no jogo, o jogador é levado ao seguinte cenário: os descendentes dos assassinos pertencentes ao Credo de diferentes épocas são levados a reviver as memórias dos seus antepassados através de um sistema chamado Animus, que usa os traços do seu DNA para estimular suas memórias.

Instalações da Abstergo em Assassins Creed

A empresa por trás de tal projeto é a Abstergo, uma organização que diz buscar a paz mundial, mas que na verdade tem suas raízes ligadas aos templários, cavaleiros comandados pela igreja e inimigos do Credo dos Assassinos, e que buscam a extinção do livre-arbítrio através da Maçã, um antigo artefato que contém o código genético humano.

O filme, usa estes elementos de forma sábia, conectando-os com o tempo presente (o filme se passa em 2016), mas dando vez a um novo protagonista e seu antepassado, Callum Lynch é um criminoso que viu sua mãe ser assassinada por seu próprio pai, que vestido de assassino o mandou fugir para que “eles” não o encontrassem. Seu antepassado é ‎Aguilar de Nerha, membro do Credo na época da Inquisição Espanhola e o homem que colocou as mãos por último na Maçã.

Logo de cara é possível compreender a que o filme veio, fazendo uso do contexto e do conceito criado nos jogos da série, a Ubisoft desenvolveu uma inédita e “versão atualizada” de tudo que o jogador viu até agora, fazendo uso de uma linguagem mais atual e bastante utilizada nos filmes de ação e ficção.

Michael Fassbender como Aguilar de Nerha

É claro, nem tudo são rosas, o personagem de Lynch tem uma origem um pouco confusa, diria até que rasa, mesmo a atuação de Michael Fassbender não foi suficiente para torná-lo um “queridinho” dos fãs como Ezio Auditore ou Edward Kenway, ambos personagens do jogo. Porém, ao decorrer do filme, o espectador passa a entender suas motivações e torcer por ele, ainda assim, só lhe é dado um motivo para estar ali e lutar pela causa próximo do final do filme.

Felizmente, essa falta de “simpatia” é preenchida por incríveis cenas de ação e uma fotografia incrível. O filme sabe dosar bem as cenas do passado com o presente. Em alguns momentos, ambas as “linhas temporais” se intercalam, quando conectado, Lynch parece não ter consciência de suas ações como ‎Aguilar, tudo o que acontece é uma representação fiel dos fatos da época, sendo reproduzidas visualmente por ele e através de projeções por aquelas presentes na sala do Animus.

Falando em ação, ponto super positivo para o filme nesse quesito, tanto as coreografias de luta quanto as cenas de Parkour e perseguição foram muito bem feitas. É comum em filmes e séries que tem inspiração em combates “fantasiosos” vermos coreografias que parecem terem sido feitas de forma amadora, felizmente em Assassin’s Creed isso não acontece, aliadas a uma empolgante trilha sonora, todas as cenas prendem a atenção e nos fazem até pensar que estamos dentro do jogo.

Callum Lynch acorda nas instalações da Abstergo

O Animus do filme é diferente do que vimos no jogo, ao invés de deitar numa cama/cadeira e usar uma espécie de capacete, no filme, um braço articulado se prende a cintura de Lynch, uma Hidden Blade é colocada em cada uma de suas mãos e a conexão neural é feita através de um dispositivo conectado a espinha do protagonista. Dessa forma, ele consegue reproduzir suas ações para quem o assiste. Os fãs mais atenciosos vão conseguir identificar alguns easter eggs em algumas cenas, como a cadeira usada no jogo, ao fundo da sala.

Particularmente achei essa abordagem mais instigante, já que no jogo, o “mundo real” é explorado de forma chata e rasa, diferente do filme, onde a trama está diretamente conectada ao mundo presente, reservando-nos inclusive diversas cenas de ação e algumas surpresas, que dão liga ao filme e tem suma importância para os acontecimentos de uma possível continuação.

Como todo filme baseado em jogo, a história tem seus furos, algumas coisas parecem meio bobas, mas olhando por uma perspectiva menos “fan service”, o filme é seguro e bem feito, fazendo jus ao seu orçamento e a nomes de peso da indústria do cinema no elenco. Um paralelo a Assassin’s Creed no cinema é o filme também baseado em um jogo da Ubisoft, Prince of Persia.

Veremos uma continuação de Assassin’s Creed no cinema?

Calma, Prince of Persia peca por tentar ser um grande sucesso da Disney, e apesar das incríveis cenas de ação, tem demasiadas cenas de humor e um tom mais infantil, o que não acontece com Assassin’s Creed, que mantem um tom adulto e sóbrio durante todo o tempo.

Para quem nunca jogou ou sequer ouviu falar sobre Assassin’s Creed, o filme pode deixar algumas lacunas, talvez alguns diálogos a mais ou flashbacks fossem uma forma de contar um pouco sobre a Abstergo ou mesmo sobre o Credo. Se você é fã da franquia, não se deixe abalar por comentários ou críticas ao filme, Assassin’s Creed vale o seu ingresso e é uma excelente forma de expandir o universo da franquia, podendo quem sabe no futuro servir de conexão para os jogos e vice-versa.

É um sul-mato-grossense de 20 e poucos anos, que começou no mundo dos games jogando Master System e Mega Drive, quando então conheceu o melhor console já criado neste mundo: o Super Nintendo. Já foi dono dos "clássicos" PSOne e PS2 e hoje passa horas disputando partidas online de Gears of War 3 no Xbox 360.
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