Conversa de Sofá

Por Flávio Ricardo em 30/03/2015

Ubisoft, faça mais jogos como Valiant Hearts

Essa seria uma análise comum, se eu não tivesse me envolvido tanto com o jogo a ponto de apenas escrever sobre ele sem nenhum julgamento técnico ou crítico. O final de Valiant Hearts me deixou muito extasiado e emocionado, e então eu resolvi tentar contar o motivo disso nesse texto.

Sempre gostei de jogos do gênero plataforma, talvez sua simplicidade aliada a curta curva de aprendizagem da maioria deles seja um fator que os diferencie dos outros gêneros para mim. Eu particularmente, gosto de jogos simples de jogar.

Gosto de jogos fáceis, sim, não sou um jogador gamer hardcore que curte passar horas e horas tentando derrotar aquele chefe difícil ou resolvendo aquele puzzle impossível, facilmente me frustro e acabo dando um tempo. Dark Souls? Nunca vi nem comi, só ouço falar. Bloodborne, espero jogar e zerar até o final de 2015, façam torcida.

Valiant Hearts é esse tipo de jogo que me atrai, a jogabilidade é simples e intuitiva e a dificuldade é baseada no nível de atenção do jogador nos detalhes do cenário. Concorre de igual para igual com títuos AAA como o melhor jogo da Ubisoft que eu já joguei, independente do gênero. E olha, eu já defendi bastante a Ubisoft, pra mim já foi uma das melhores desenvolvedoras, mas hoje, anda pisando na bola.

A Grande Guerra

Não apenas pelo gameplay fluído e gostoso de se jogar, Valiant Hearts trás como diferencial contar fatos inspirados nos acontecimentos da Grande Guerra, ou como é mais conhecida, a Primeira Guerra Mundial.

Valiant Hearts War

Todas as ações do jogo tem fundamento histórico, mesmo que a história dos personagens seja baseada em cartas enviadas durante a guerra, conforme avançamos, passamos por localidades e evidenciamos eventos que de fato ocorreram entre 1914 e 1918. Conforme avançamos, vamos coletando itens e liberando notas de fatos específicos daquele período da guerra, sendo alguns bastante conhecidos como as bombas de gás de cloro usadas pelos alemães em 1915, consideradas a primeira arma química usada em guerras.

Como os alemães não dominavam tal tecnologia, muitos cientistas de outros países foram sequestrados na época, sendo um deles o pai da personagem Anna, que dá contexto a personagem que no jogo ocupa o papel de médica, tendo missões de busca e recuperação de soldados feridos na batalha. Sendo ela inclusive uma das principais peças do jogo quando nos aproximamos do final.

Por tratar-se de um período de muita morte e destruição, Valiant Hearts nos faz imergir nos sentimentos e anseios de cada personagem, nos fazendo ficar tristes e aflitos em alguns momentos ou comemorar pequenas vitórias em outros.

Cada um dos personagens, Emile, Karl, Anna e Freddie tem momentos únicos e determinantes para o curso dessa história, cabendo a nós fazê-los avançar. Em determinados momentos do jogo, desbloqueamos os diários pessoais de cada personagem, podendo compartilhar assim dos sentimentos de cada um naquele momento específico.

UbiArt Framework <3

Se você jogou Rayman Origins, o fantástico Rayman Legends ou Child of Light, você sabe do que eu estou falando. Desde que começou a usar a UbiArt Framework, a Ubisoft vem fazendo bonito literalmente quando o assunto é o visual dos seus jogos de plataforma.

Esse gênero vem ganhando força nos últimos anos, mesmo simples, é um gênero que geralmente compensa na história, tem uma trilha sonora fantástica e devido a engines como a UbiArt Framework e outras, visuais ricos e bonitos.

Valiant Hearts The Great War

Após consecutivos erros com as novas e velhas franquias, lê-se Assassin’s Creed e Watch_Dogs, esses pequenos grandes jogos parecem intocáveis e imune a falhas, pelo menos falhas grotescas. Talvez seja mais fácil entregar algo mais bem feito em jogos mais simples, sem precisar se preocupar com mundo aberto, física e coisas assim, mas com certeza não devemos menosprezar o carinho que os desenvolvedores parecem ter ao fazer um jogo usando a engine. Sou desenvolvedor de software, possuo amigos desenvolvedores de jogos, e vejo como muitas vezes a ferramenta e o desenvolvedor se conectam para entregar um bom trabalho.

Mesmo sem anunciar nenhum novo título, sabemos que novos jogos feitos no mesmo molde viram, infelizmente, recentemente o chefe de desenvolvimento de Valiant Hearts deixou a Ubisoft, mas é preciso crer que a empresa vai continuar investindo e acertando nesse segmento.

Coração Valente

Entre bons gráficos e uma história emocionante, Valiant Hearts acabou recebendo menos atenção do que deveria, eu mesmo só o joguei agora quando ele foi liberado como parte da PlayStation Plus. Esperei bastante uma promoção no Steam, mas em épocas de dólar batendo a casa dos R$ 3, toda economia é justificada.

Valiant Hearts Karl

Penso quantos outros não fizeram o mesmo, esperaram e acabaram não dando ao jogo seu devido valor, não pagando míseros R$ 20 nessa obra de arte. Para tentar justificar a minha falha, sempre recomendo o jogo aos meus amigos, alguns já compraram, outros também pegaram na Plus, mas o importante agora é poder compartilhar com eles e com vocês o sentimento de dever cumprido.

Homens morreram, homens de coragem, enfrentamos os alemães e hora estivemos ao lado deles, em Valiant Hearts aprendi várias coisas, que certas coisas na vida são inevitavelmente ruins, mas que nunca devemos desistir de lutar pelas coisas boas.

É um sul-mato-grossense de 20 e poucos anos, que começou no mundo dos games jogando Master System e Mega Drive, quando então conheceu o melhor console já criado neste mundo: o Super Nintendo. Já foi dono dos "clássicos" PSOne e PS2 e hoje passa horas disputando partidas online de Gears of War 3 no Xbox 360.
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