Análise Evil Inside (Xbox One)

Evil Inside é um jogo de terror psicológico em primeira pessoa inspirado em PT Silent Hills focado em um mistério que precisa ser revelado.

Antes de falar de , preciso mencionar que apesar de não ser um jogo completo, pode-se dizer que o P.T. de Hideo foi o jogo de terror mais influente da geração anterior de jogos, assim como da memória recente em geral. É indiscutivelmente mais importante para a indústria do que uma de suas principais fontes de inspiração, os jogos .

Seu cancelamento inspirou muitos estúdios a criar sucessores espirituais para tentar recapturar sua magia e até mesmo beber da mesma fonte da demo criada por Kojima. Evil é um desses jogos. Agora vamos ver se o game desenvolvido pela JanduSoft consegue realmente nos colocar em uma atmosfera aterrorizante?

A resposta? Não. O jogo tenta muito ser assustador mas falha miseravelmente em todos os níveis que você possa imaginar de um game de terror. A premissa básica é simples e é algo que vimos inúmeras vezes: nosso personagem acorda em uma casa, coisas horríveis aconteceram e temos que juntar as peças para resolver um mistério que afeta diretamente o personagem que controlamos. Você precisará passar por vários loops de tempo e reunir peças de um tabuleiro Ouija. Não é uma algo ruim que tenha que se fazer, mas Evil Inside falha principalmente em sua execução.

Se você está procurando por sustos em Evil Inside, você os encontrará. Tenha cuidado onde você explora.

Eu sempre fico empolgado quando vejo jogos tentando recapturar a magia por trás de P.T. Silent Hills que mesmo se tratando de uma demo, possui uma premissa envolvente. No entanto, você precisa adicionar algo mais para apimentar as coisas, para criar sua própria identidade. Foi assim que o teve sucesso: ele se expandiu além do alcance de um único corredor, forçando você a explorar uma casa inteira, distorcendo seu senso de direção e brincando com suas expectativas de maneiras brilhantes e causando sensação de medo constante a cada passo que damos.

Por outro lado, o Evil Inside mantém o formato original estabelecido por P.T. Silent Hills, mas é aqui que está o problema: aquele jogo era uma demonstração. Não era para indicar totalmente o que Silent Hills seria. Evil Inside se concentra demais em ser uma cópia paga de P.T., porém não acrescenta nada de diferente com a fórmula e em momento algum vi o game tentando ser o que é.

Os corredores da casa é praticamente uma cópia de P.T Silent Hills, mas não entregam a mesma atmosfera.

O jogo o força o jogador a andar constantemente por um único corredor. Cada vez que você completa um loop, ele muda para um novo, com novos sustos e quebra-cabeças para resolver. É bastante simples e ridiculamente fácil, já que todos os seus quebra-cabeças são simples de resolver e não há ameaças reais que possam realmente matar você ou ao menos manter um nível de tensão constante, o que quebra todo e qualquer clima em jogos desse tipo.

A grande maioria de seus “momentos assustadores” (se é que eu posso chamá-los assim), são sustos com os famosos jump scares tão previsíveis e que posso contar no dedo quantas vezes esse evento ocorreu. Eles são compostos principalmente de ruídos altos e um objeto que aparece rapidamente na tela.

Evil Inside possui um quebra-cabeça fácil de ser resolvido logo após a cruz ficar invertida.
Os poucos quebra-cabeças de Evil Inside são resolvidos encontrando um objeto específico e usando-o no único lugar possível.

O jogo não dá a si mesmo tempo suficiente para criar tensão até o momento certo para te assusta, ou seja, não há atmosfera alguma. Simplificando, sabe quando você ta navegando na internet e de repente aparece uma tela com propaganda de algum produto, então imagine isso acrescentando um som, essa é a fórmula de Evil Inside.

Outro fator que foi muito decepcionante pra minha experiência, foi o fator visual. A falta de atmosfera pode ser vista no design pouco inspirado do corredor, apresentando um trabalho de textura inexpressivo e uma falta geral de detalhes ambientais.

Através da câmera fotográfica, é possível revelar pistas na parede da casa em Evil Inside.
Evil Inside coloca à sua disposição dois itens que aparecem durante a trama: uma lanterna e a câmera, que nos permite ver o que realmente está nas paredes da casa.

Os poucos personagens que vamos encontrar são projetados único e exclusivamente para favorecer os sustos, dando uma leve impressão de que foram inspirados em obras clássicas de terror japonês, como Ju-On ou The Ring. Relativamente a estas fontes de inspiração, o game nos reserva uma estranha surpresa e talvez a casa não seja o único local que visitamos…

Evil Inside é mais uma tentativa fracassada de recapturar o brilho do P.T. em um formato de “jogo completo”, mas acaba errando o alvo de todas as maneiras que você possa imaginar. O game não é assustador, com gráficos limitados que rodariam facilmente em um Xbox 360 ou PlayStation 3, desinteressante e o mais importante, a rapidez com que o jogo é finalizado, levando cerca de 40 minutos pra terminar o jogo por “completo” que possui tempo de uma demo.

Existem jogos de terror inspirados no P.T. muito melhores, então não perca seu tempo com ele a não ser que esteja em alguma promoção na plataforma onde você costuma jogar, mas se optar por jogar mesmo assim, vá fundo e será mais uma jogador frustrado como eu fui.