Análise Green Hell (PlayStation 4)

Green Hell te desafia a sobreviver no meio da Amazônia do planeta sozinho ou com amigos, ótimo para quem sempre quis conhecer a maior floresta do planeta.

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Chegou a hora do brilhar! Se na vida real as coisas não andam muito bem para a floresta mais extensa do planeta, em Green Hell, jogo de sobrevivência da polonesa Creepy Jar, a Amazônia senta no banco da frente e mostra ao desafortunado jogador quem é que manda.

O pulmão do mundo

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Tudo isso é a Amazônia.

A natureza não perdoa ninguém. Um casal de pesquisadores (um antropólogo e uma linguista) tenta um segundo contato com uma etnia indígena isolada até que em determinado ponto da história, Mia e Jake Higgins se separam um do outro e precisam lutar para continuar vivos. Bem, Jake precisa, já que ele é o personagem com quem jogamos na campanha.

Uma das primeiras coisas que Green Hell faz bem é dar a liberdade para que o jogador escolha entre 4 modos de jogo a princípio: tutorial, modo história (comece pelo modo história, o tutorial está dentro dele), sobrevivência solo ou sobrevivência co-op.

Não preciso dizer que o último modo é o meu preferido, apesar de que precisei gastar boas horas no modo história até conseguir me virar, especialmente porque os jogadores da partida não iniciam no mesmo local. Independentemente do modo escolhido, a sobrevivência funciona do mesmo jeito, assim como a floresta em que estamos perdidos e, por essa razão, por mais que eu tivesse vontade de jogar sem me prender a uma narrativa, o ideal é começar pela história para aprender não apenas o que fazer mas onde estamos.

A sobrevivência na selva amazônica depende de três fatores bem simples: comida, água e descanso, então é muito possível sobreviver alguns dias apenas na área inicial da selva mas uma hora será necessário explorar atrás de recursos e aí entram em cena o perigo e a recompensa do jogo pois precisaremos manter nossas necessidades básicas sempre atendidas, coisa que, obviamente não é possível.

Dormir aumenta a fome e sede do personagem, enquanto caçar, coletar, produzir ferramentas e cozinhar consome energia e por mais tentador que seja cozinhar tudo de uma vez e estocar comida, ela é (vejam só!) perecível. A sobrevivência depende de conseguir se equilibrar nesse tripé com habilidade.

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Hora da janta!

La se lo Llevó

Depois de descobrir qual cogumelo comer, qual fruta fornece mais nutrientes e de caçar a primeira capivara, a necessidade de exploração irá te expor aos mais variados perigos. Exceto pelos grandes predadores, nenhum perigo é imediatamente mortal, nem mesmo as cascavéis (quem diria…), mas cada ataque sofrido por cobras, escorpiões, abelhas e formigas causam efeitos negativos diversos no jogador como inflamação na pele, envenenamento e febre. Esses quadros negativos podem ser sanados caso o jogador possua os ingredientes necessários para remover os efeitos dos ataques, e Jake sendo um pesquisador, pode acessar suas anotações feitas no seu caderno pessoal acerca de plantas, frutos, construção de ferramentas e toda sorte de solução para a sua sobrevivência. Algumas estão lá desde o início do jogo, como a função das folhas de tabaco ou o método para se montar uma fogueira, outras receitas ou propriedades médicas ou venenosas deverão ser descobertas do melhor/pior jeito possível: experimentando.

Por sorte, mesmo tendo uma ótima variedade de mecânicas e sistemas interligados, Green Hell é até benevolente com o jogador iniciante porque, como disse, nada é imediatamente mortal e a descoberta de alguns antídotos muito úteis ocorre bem no início do jogo, assim, o que importa de verdade quando saímos sem rumo pela selva é que cada ação deve ser planejada com antecedência. Vai pescar? É bom pensar no lugar da fogueira e onde irá dormir caso precise – as noites são um problema sério pois é muito fácil se perder. Quer construir uma proteção para que a fogueira não apague durante as chuvas? É melhor checar a condição do seu machado pra não correr o risco de ficar na mão.

Essas e outras aleatoriedades exigem que o jogador se torne um discípulo do Major Alan “Dutch” Schaefer para estar preparado para cada situação que a selva imponha, de aranhas armadeiras a onças pintadas, sanguessugas e água contaminada com parasitas.

Emergência, porém nem tanto

O ciclo da jogabilidade de Green Hell é bastante envolvente e graças a um medidor complexo de necessidades alimentares, estamos em busca do tipo certo de nutrição o tempo todo e, diferentemente de jogos de mundo aberto amplo (DayZ, por exemplo), essa busca tende a ocupar uma parte considerável das horas úteis do jogo, afinal, a luz do dia é finita assim como a nossa energia.

O que também pode levar um tempo considerável é o nosso progresso na história porque enquanto estamos perdidos na selva, temos duas referências da nossa localização: nossas coordenadas, que são mostradas no relógio inteligente, e um mapa de papel que é atualizado com pontos de referência a cada descoberta (uma clareira, uma caverna, uma passagem na parede de rochas) mas nada irá apontar a direção para onde você já esteve, está ou deve ir. A exploração exige a memorização do terreno e a utilização das direções mostradas no mapa, algo que pode ser bem frustrante quando a gente se perde e super satisfatório quando conseguimos nos localizar e explorar com sucesso.

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Boa noite, vizinhança

Essa característica da exploração é a principal responsável pelo avanço lento na história do jogo, principalmente na primeira vez que jogamos, pois a tarefa de encontrar certos itens no meio da selva é algo pra lá de ingrato. E já que vamos demorar pra encontrar o que precisamos, toda a urgência que pudesse existir acaba desaparecendo. Não me entenda mal, eu prefiro assim e não gosto de jogos que pressionam o jogador para tomar decisões rapidamente, mas é interessante perceber como a narrativa deixa a jogabilidade tomar as rédeas do progresso do jogo.

Vivendo e aprendendo

Green Hell é um jogo com objetivo simples e sistemas complexos. No fim das contas, não há muito o que fazer na floresta além de permanecer vivo (o modo história narra uma aventura com início meio e fim) e explorar uma área relativamente grande de mata. Nessa hora o modo multiplayer é uma mão na roda para melhorar e estender a experiência com o jogo, afinal, com duas pessoas, a exploração passa a ter objetivos mais concretos do que apenas a mera sobrevivência diária.

Se você gosta de minúcias dos jogos de sobrevivência como caçar, cozinhar, construir armas e coletar recursos, certamente vai gostar de Green Hell, especialmente por ele estar com todo o texto localizado para português e ter modos que atendem a diferentes perfis de jogadores.

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Nessa briga,  eu aposto na onça.

A análise de Green Hell foi feita graças a uma cópia digital gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.

Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!