Análise Resident Evil Village (PlayStation 5)

Resident Evil Village é a esperada continuação da história de Ethan Winters e segundo jogo em primeira pessoa da lendária franquia de horror biológico.

resident evil 8 main

, ou Resident Evil 8 caso você prefira, se passa alguns anos após o incidente na casa da família Baker contado em Resident Evil 7. Retomamos o controle de Ethan Winters, protagonista novo àquela altura e que agora foi colocado novamente em uma situação extrema e precisa sobreviver em um vilarejo europeu – uma das várias semelhanças com Resident Evil 4.

Ficou claro desde os trailers que a Capcom havia decidido que o jogo teria uma atmosfera mais leve que a do seu anterior, cuja revelação foi feita com uma demo em realidade virtual apavorante chamada Kitchen. Como Resident Evil 7 foi tido como aterrorizante demais, Village apostou em um porto seguro tanto para a desenvolvedora quanto para as mais de 10 milhões de pessoas que fizeram da aventura de Leon Kennedy pela Espanha um sucesso. Essa mudança deu certo?

Mais uma vez você entrou no mundo do

Direto ao ponto: não é tão assustador como o 7. Aqui, mesmo mantendo a perspectiva em primeira pessoa e o novo protagonista da série, exploramos lugares mais amplos em oposição à propriedade claustrofóbica da família Baker já que à exceção de algumas áreas específicas, grande parte da “aventura” de Ethan se passa em um vilarejo a céu aberto. É bem interessante como essa edição da série se assemelha àquela lançada para o Game Cube, vide o vilarejo, o castelo assombrado e a presença de um personagem dedicado à compra e venda de itens. Só faltou ter uma mira laser na arma mas, ainda bem, não é o caso.

resident evil dimitrescu
A dona da p*rra toda. O castelo, no caso.

Village também se diferencia por não usar os mofados do RE7 nem os moradores infectados do jogo do Leon. Aqui os inimigos são uma espécie de lobisomem e o único refúgio para Ethan escapar desses monstros grotescos é aquele castelo suspeitíssimo onde mora a figura que tomou de assalto as ações de marketing de Resident Evil 8: Lady Dimitrescu, a mulher-vampiro com 2 metros e meio de altura. Para aqueles que jogaram a demo “Maiden”, mais cedo este ano, essa personagem não será novidade, mas a versão final do castelo guarda diferenças bastante relevantes comparado àquela demonstração para valer a pena explorar novamente aqueles calabouço e salão principal.

A mudança de tom aqui tem duas consequências diretas que são o número maior de inimigos em cada trecho de combate e a quase ausência do elemento sobrevivência já que é raro se ver sem recursos na dificuldade padrão e quando isso acontece, temos à mão um sistema de criação de bem simples e prático que dá uma finalidade digna às famosas plantas presentes na série, por exemplo. Além das plantas, retornam do passado (e da série de remakes paralelos, Resident Evil 2 e Resident Evil 3) as máquinas de escrever que registram o progresso do jogador num piscar de olhos no PlayStation 5.

As alterações implicam dizer que Village é um jogo de horror e exploração cujos pontos fortes são a ambientação e o mistério por trás dos eventos que levaram Chris Redfield a executar Mia Winters a sangue frio na frente de Ethan (SPOILER de RE7: eu que decidi salvar a Zoe no jogo anterior, vibrei como no Tetra) e o jogo faz um ótimo trabalho com a gradual revelação da história à medida que vamos ganhando mais e mais acesso às áreas do vilarejo e do castelo Dimitrescu.

resident evil máquina de escrever
Olá, velha amiga…

A beleza das imperfeições

Resident Evil sempre foi uma série de jogos peculiar que tem seus pontos altos quando consegue entregar o melhor equilíbrio entre mistério (exploração e puzzles), horror (atmosfera de suspense e chefes) e história (personagens e trama) e vimos que a ação pode ser bem vinda nessa equação, desde que não pese demais sobre algum daqueles outros elementos. RE8 consegue se virar bem nesse malabarismo apesar da presença de um vendedor que parece teleportar pelo mapa e de alguns quebra-cabeças e outros detalhes malucos que roubam um pouco da nossa imersão. Nessa disputa entre o realismo e a imersão impostos pela perspectiva e ambientação e o nonsense funcional característico de um jogo de videogame, o absurdo nunca ultrapassa o seu limite graças em grande parte ao motor gráfico RE Engine.

O que já era impressionante nos jogos anteriores continua lindo em Village. A construção dos cenários e da atmosfera do jogo é sempre capaz de puxar o jogador de volta para aquele mundo a cada vez que saímos de uma sala segura para explorar. Essa capacidade de transmitir a sensação de perigo, frio e horror nos mantém presos à história e é responsável por um dos momentos mais desconfortáveis da história da franquia, que me arrancou risos nervosos para poder lidar com o medo.

resident evil house beneviento
Que casa bonita e convidativa. Vou entrar!

Apesar da competência na entrega da história, eu ainda achei que em alguns trechos iniciais, RE8 pega na mão do jogador em vez de deixar nas mãos dele a responsabilidade de encontrar a solução para alguns conflitos, isso contribui para a sensação de que o jogo é fácil em comparação direta com Resident Evil 7 Biohazard. Também senti falta do relógio que mostrava a saúde do Ethan, um elemento elegante de HUD que remetia aos jogos clássicos.

Falando nele, se era divertido ver as influências do cinema que a Capcom trouxe para RE7, tem sua própria coleção de referências. Uma delas se destaca pelo modo simples e efetivo como é apresentada (eu nem passava perto dessa “coisa” pra não correr nenhum risco). RE8 também acerta na escrita de alguns personagens dando a eles uma profundidade inesperada.

Um brinde ao futuro!

é uma ponte para o da série principal da franquia. As decisões de remodelar o jogo para a perspectiva em primeira pessoa e a inclusão do Ethan Winters são comprovadamente acertadas a essa altura e elevam esses episódios a um patamar novo. Mas se RE7 jogou seguro ao prender o jogador em um ambiente limitado, RE8 traz uma trama que avança no tempo e espaço, possui uma região mais ampla para o jogador explorar e com consequências irreversíveis que já são a fundação para a inevitável sequência.

Se você é fã da franquia desde 1996 assim como eu sou, eu não tenho muito a dizer porque certamente está no seu radar. Caso você goste dos ótimos remakes recentes, quer mais Resident Evil porém acha que o RE7 é apavorante demais, RE8 é um ótimo ponto de partida.

Com o modo que estende a longevidade do jogo para além da campanha principal, é uma recomendação mais do que certa para os fãs!

resident evil armário beneviento
Eu nunca mais vou sair daqui. Obrigado, Capcom…

A análise de foi feita graças a uma cópia para PlayStation 5 fornecida pela assessoria de imprensa da Capcom.

Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!