Análise Clair Obscur: Expedition 33 (PS5)

Um pequeno estúdio francês provou que quando se quer, você pode criar qualquer coisa, até uma obra-prima, como Clair Obscur: Expedition 33.

Clair Obscur

“A primeira impressão é a que fica”, tenho certeza de que você já ouviu essa frase em algum momento de sua vida. Pois é, meu caso com Clair Obscur: Expedition 33 começou assim. Lembro-me perfeitamente de estar assistindo ao Xbox Showcase de 2024, quando logo no início da apresentação o primeiro trailer do jogo foi revelado e de cara me apaixonei.

Porém, não vou mentir, fiquei com enorme receio pois parecia bom demais para ser verdade, já que o jogo vinha de um estúdio pequeno da França. Mas, não importa, aquele trailer foi o suficiente para fazê-lo ficar em meu radar. É fato que a cada novo material de divulgação eu ficava ainda mais curioso e incrédulo que um jogo AA realmente iria fazer tudo aquilo.

Gustave

Pois bem, eis que, poucos dias antes de seu lançamento, Clair Obscur recebeu suas avaliações das críticas especializadas e BOOM. Surge completamente do nada (para alguns), uma nova obra-prima do mundo dos games. Obtendo um 90 + em média no Metacritic, Expedition 33 não era só um jogo bom, mas muito acima de tudo que inclusive eu estava esperando. E minha expectativa, que era grande, implodiu.

E depois de passar quase 40 horas neste universo, eu venho dizer que nunca fiquei tão feliz em estar certo de que um jogo realmente seria bom. Na verdade, para ser bem justo, ele foi muito mais do que eu estava esperando.

Um mundo imersivo

É assustador como Clair Obscur consegue prender o jogador com apenas 1 hora de gameplay. Na verdade, comigo foi logo no menu com a brilhante música tema, mas isso é papo para daqui a pouco.

Clair Obscur

Fato é que atualmente, com a quantidade absurda de ótimos jogos que saem a quase todo momento, o jogador sempre precisa de muita cautela ao saber aonde irá investir seu dinheiro e seu tempo. Até porque, vivemos uma era em que jogos são cada vez mais longos, e por conta disso, não há tempo para se jogar fora em materiais ruins. Além disso, creio que os desenvolvedores estão entendendo isso melhor com o tempo, e criando maneiras de fisgar seu consumidor logo em seu início.

E não é diferente aqui. Caso você ainda esteja em dúvidas em jogar Clair Obscur, eu desafio você a testar pelo menos a primeira hora, se até ali ele não te pegar, pode ir embora, mas eu duvido muito que você irá sair.

O mundo do jogo não é jogado em sua cara como muitos jogos fazem atualmente, tratando o jogador como alguém incapaz de entender metáforas ou hipérboles. Além disso, você não precisa revelar o mistério para me cativar, basta criar diálogos interessantes e criativos, levando o suspense da história, enquanto apresenta suas mecânicas de forma cuidadosa. E assim acontece.

Eu não vou entrar em detalhes sobre o mundo desse jogo, porque eu acho quase impossível você ainda não saber, dada a enorme repercussão que este jogo teve, e caso você viva em uma caverna e ainda não saiba, continue assim, vá às cegas que será ainda melhor.

Mas eu achei brilhante e fiquei assustado, que 30 desenvolvedores e um cachorro entenderam como apresentar um jogo, enquanto vemos produções feitas por centenas de pessoas que não conseguem elaborar maneiras criativas de apresentar seu produto.

Clair Obscur

“A primeira impressão é a que fica”, a mesma frase com que iniciei este texto cabe aqui novamente, pois a apresentação é fundamental nos dias de hoje. O menu, personagens, trilha sonora, design artístico, tudo isso precisa de cuidado ao ser apresentado, pois ele será de fundamental importância na decisão do jogador, e o diretor Guillaume Broche (ex-Ubisoft) entendeu isso.

Texto e diálogos reais

Há algo que me irrita em jogos até hoje e que muitos ainda não entenderão seu peso, é o texto. Falar que o texto de um jogo é bom passa aquela aura de que você é um “jogador gourmet”, que se importa com isso, mas nem mesmo que faz chacota com isso, se emburrece com diálogos toscos e nem percebe.

Quer um exemplo? Pega qualquer momento dramático de um jogo da Ubisoft, EA ou Bethesda e compara com Red Dead Redemption 2, The Last of Us 2 e Clair Obscur: Expedition 33, e você notará a diferença. E perceba, não falo de captura de movimentos, nem de performance dos atores, e sim de texto.

Imagine seu dia a dia, pense em uma discussão que você teve com qualquer pessoa. Como funciona esse diálogo? Um fala por vez? O tom de voz é sempre o mesmo? Tenho certeza de que não. E a prova cabal disso é a quantidade de cenas que são retiradas de jogos como Assassin’s Creed e viram piadas na internet.

Acampamento

Em suma, a maioria, além de serem textos infantis, não passa sentimento e profundidade – que não servem para dar peso aos personagens em tela.

Sei que cada jogo possui sua proposta, mas de nada custa criar um texto cuidadoso em pensar uma sensação humana real, que esboça um compromisso com a inteligência de quem está jogando. Afinal de contas, a maioria dos jogadores é adulta, e não possui mais paciência para textos hiper expositivos, ou medindo palavras para não ofender.

E claro, por fim, a atuação dos atores, seja por captura de movimentos ou dublagem, conta muito e, meu Deus, que trabalho brilhante. Ao término do jogo, eu realmente não consegui distinguir quem estava melhor, pois dentro de cada proposta todos foram praticamente perfeitos, porém, eu destaco o trabalho de Ben Star como Verso, Jennifer English como Maelle, e Andy Serkis como Renoir, que estão brilhantes.

Combate intuitivo

Eu não sei você, mas eu nunca fui um grande fã de combates por turnos. Muito por conta da falta de dinamismo que sentia com o passar do tempo. Além disso, eu sempre achava tudo simples demais em suas animações, e não via nada que saltasse aos meus olhos a ponto de se tornar divertido de jogar. Porém, devo salientar que nunca investi demais nesse gênero e, por conta disso, eu certamente estou falando bobagem.

Clair Obscur

Porém, Clair Obscur busca preencher essa lacuna para jogadores que, assim como eu, sentiam esse tédio com o passar do tempo.

Como eu já disse antes, a apresentação é tudo e Expedition 33 entende isso ao criar uma forma simples de aprender, mas extremamente complexa em até onde o jogador pode ir.

Mesmo sendo por turno, os desenvolvedores não tiveram preguiça em animar cada movimento de seus personagens e inimigos. Tudo é feito com muito cuidado e beleza, que acaba sendo divertido testar novas habilidades somente para ver a animação do golpe. E, mais importante, tudo é rápido. Mesmo sendo belo, o jogo entende que tempo é tudo, então as coisas precisam acontecer, ser fluídas, com isso, o jogador nunca vai cair no loop de apertar um botão e ficar parado 30 segundos olhando para a tela sem fazer nada – e muito por conta de como seu combate funciona.

Muito se falou em quão interativo o combate de Clair Obscur é no momento de ataque, com vários QTE para apertar no tempo preciso para que seu ataque seja aplicado em sua forma mais potente, mas para mim, é no momento de se defender em que ele mostra todo seu potencial. Mas eu também não quero entrar em detalhes, até porque existem algumas mecânicas que nem estão nos trailers de divulgação e seria estragar a surpresa, embora eu ache quase impossível que você não tenha visto, mesmo que sem querer. Mas é assustador o que eles conseguiram desenvolver.

Novamente, eu não sou um grande fã do gênero jogos por turno, mas de todos que testei, eu nunca vi algo parecido, e não falo só sobre as mecânicas simples de mira, esquiva ou parry, mas pela profundidade de formas de se jogar que ele possui. É sério, você pode criar centenas de formas de jogar, pois é assustador em como eles foram meticulosos ao pensarem nos personagens como complementos. Toda habilidade individual acaba sendo uma arma de poder em grupo, ou seja, uma habilidade que irá ajudar o personagem seguinte. E, novamente, é incrível que 30 pessoas tiveram este cuidado.

Trilha sonora que complementa

Embora eu já tenha elogiado este jogo em tantos níveis, aqui vai provavelmente o mais alto elogio. QUE TRILHA SONORA ESPETACULAR!

Clair Obscur

Uma vez eu ouvi de um amigo que você sabe se o jogo vai ser bom é se a trilha sonora do menu for boa. Claro que isso não é verdade, mas pode ser usado aqui. Pois neste momento você já percebe que está diante de algo muito acima da média.

Mas ele vai muito além disso. É assustador como, em todos os momentos do jogo, é impossível não notar a presença da música. Não importa que seja somente “mais uma fase”, você nota cada acorde das músicas e em como elas são apresentadas sempre da melhor forma possível.

Mas não há dúvidas de que nos momentos mais dramáticos é onde ela chega ao inimaginável e alcança quase a perfeição sonora. Eu não me lembro quantas vezes eu arrepiei somente com a música em um jogo, mas digo com tranquilidade que este foi o jogo em que a música mais me impactou – e ainda vou além, se fosse para fazer uma lista de 10 melhores trilhas sonoras dos últimos 10 anos, a trilha sonora de Expedition 33 com certeza estaria.

Personagens marcantes

Embora eu já tenha destacado os personagens do jogo, eu preciso citá-los aqui de uma forma mais cuidadosa. Eu amo jogos que possuem party. Normalmente se vê muito em JRPGs, como é o caso aqui, afinal de contas o jogo não precisa ser do Japão para ser um JRPG, porque a forma como eles fazem RPG é um gênero próprio e Clair Obscur entra exatamente nisso.

Jogos como Final Fantasy VII e IV, Tales of Arise, Yakuza Like a Dragon, são jogos em que os personagens carregam grande parte do interesse do jogador na narrativa. Caso eles não sejam cativantes, é muito difícil que ele se sustente, mesmo que tenha outros pontos positivos.

Expedition 33

E devo enfatizar que amei toda a party de Expedition 33. Definitivamente, essa turma irá ficar em minha mente por um bom tempo. Cada um possui uma característica muito própria que é perfeitamente contada ao do jogo. E não há uso de textos expositivos para apresentá-los, você entende suas motivações na forma como lutam, como se comportam e como reagem a cada problema.

E claro, tudo isso é possível graças à brilhante atuação de atores e dubladores. Eu o joguei todo em inglês e por isso não sei dizer como está em francês, mas eu recomendo que jogue em inglês, porque é um trabalho formidável.

Tropeços? Tem sim

Claro que não existe produto perfeito, e Clair Obscur não é. Não acho que eles são problemas que atrapalham a narrativa, porém, eu sinto que em alguns momentos seu texto perde a mão no humor, principalmente no começo. Embora eu entenda o uso do humor, que entra para aliviar o clima dado o nível de acontecimentos em seu prólogo, creio que ele destoa demais do peso que a narrativa está criando, e com isso, a piada acaba ficando jogada ao ar.

Expedition 33

Além disso, senti que em alguns momentos, os picos de dificuldades estavam um pouco desbalanceados. Na mesma fase em que você destrói um inimigo, existem outros que exigem uma perfeição que faz o jogador repetir aquele trecho várias vezes.

E falando em performance, eu não tenho muito o que reclamar, embora eu tenha tido um bug em que meu personagem ficou preso em uma pedra e não saía mais. Mesmo fechando o jogo e abrindo novamente, fiquei preso naquele lugar e me deu um medo absurdo, pois achei que teria que recomeçar o jogo. A sorte é que o próprio jogo faz saves automáticos, onde eu consegui carregar um anterior e sair dali.

Mas, fora isso, rodou de forma tranquila, somente com pequenas quedas de FPS, mas joguei no PC e isso pode ter acontecido por questão de potência, já que não tenho um computador da NASA.

Vale a pena?

Sim! De todas as reviews ou artigos que já escrevi na vida, eu poucas vezes me senti tão confortável em recomendar um jogo, até mesmo para os que não gostam de combate por turnos.

Clair Obscur: Expedition 33, é um daqueles jogos que irei carregar comigo por um bom tempo. Seja por sua brilhante narrativa, pelos seus personagens carismáticos ou seu combate divertido.

Clair Obscur

Como eu disse, eu já possuía boas expectativas, mas ele foi muito mais além – se tornando o jogo do ano para mim até o momento, e entrando na minha lista de 10 melhores de todos os tempos.

Caso tenha a chance, não deixe de jogar porque Clair Obscur: Expedition 33 é uma obra-prima.


A análise de Clair Obscur: Expedition 33 foi escrita através de uma cópia de PlayStation 5 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do game. Também disponível para Xbox Series X|S e PC.

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