Conversa de Sofá

Por Diego Matias em 10/08/2017

Análise Superhot

Superhot mistura o gênero de tiro em primeira pessoa com puzzles bem elaborados envolvendo controle do tempo e uma direção de arte minimalista e bem objetiva.

Jogos são arte como todos sabemos e acredito que aquilo que os transforma em algo mais que apenas entretenimento é a soma dos seus elementos criativos. Partindo desse pressuposto, o que se pode ser dito pra definir a outra metade, a parte “jogo” desse produto cultural? Embora essa questão possa ser impossível de responder definitivamente, são dois os elementos mais comuns: jogabilidade e narrativa; e desses, a jogabilidade é o alicerce de tudo. Desde Tetris, que é gameplay puro até os títulos da Telltale que são centrados no desenvolvimento de uma história, um jogo exige interatividade.

Superhot a primeira vista é um FPS, só que basta conhecer seu conceito principal nos primeiros minutos de jogo para entender que se trata na verdade de um quebra-cabeças. Cada fase é um puzzle organizado pra ser resolvido com a sua principal ferramenta à mão: tempo. Pra quem não tomou conhecimento do título que foi lançado no ano passado e que agora ganhou sua versão para PlayStation 4 e PlayStation VR, o conceito é bem simples: você está sendo perseguido e precisa sobreviver em situações de combate armado; seus inimigos são silhuetas vermelhas armadas com pistolas, rifles e espadas e surgem por todos os lados em grupos para te matar. Para se defender, você pode utilizar qualquer arma disponível, além de objetos que podem e serão arremessados nos seus inimigos numa velocidade muito superior à deles pois esse é o truque de Superhot: o tempo só passa normalmente, quando você se move e até que você faça isso, é livre pra olhar tudo ao seu redor, planejar seus ataques e inclusive desviar de balas. Esse conceito é o alicerce do jogo todo. Sim, igual em Matrix e com um toque das VR Missions do Metal Gear Solid do PS1.

Superhot

Parece puro visual, mas é jogabilidade acima de tudo

Time is On My Side

Superhot é um jogo elegante. Os inimigos são silhuetas esguias num vermelho que deixa clara a intenção deles. O jogador possui uma silhueta negra assim como todas as outras armas disponíveis – talvez indicando que o protagonista também é uma delas. O cenário em tons de branco/cinza deixa evidente que a única coisa que importa aqui é escapar com vida dos cenários de perseguição usando manobras em câmera lenta. A parte boa é que esse conjunto deixa as nossas ações muito bonitas de assistir e é um prato cheio pra streamings e compartilhamentos de clipes.

A parte não tão boa é que esse visual estiloso fica cansativo após algumas horas de jogo, principalmente quando tentamos passar sem sucesso por algumas fases. Mas mesmo nesse caso, a duração do jogo não facilita – Superhot pode ser completado em cerca de 4 horas.

More Than Meets the Eye

Eu mencionei que esse jogo tem certa semelhança com a obra máxima das irmãs Watchowski? Pois é. O enredo de Superhot flerta com alguns dos conceitos apresentados nessa já saudosa trilogia tecnológica e não vou dizer quais; deixo pra você experimentá-los por si mesmo quando for jogar, já que por causa da duração, qualquer exposição pode estragar um pouco a sua experiência com o enredo do jogo. Não é nenhum marco na história do entretenimento eletrônico mas é uma adição bem vinda num jogo que poderia muito bem ser lançado sem nada disso – e funcionaria! – já que o foco de Superhot é a ação em câmera lenta, inclusive a ponto de sacrificar uma meia dúzia de convenções dos jogos de tiro modernos pra deixar claro que o que importa é como usaremos o tempo a nosso favor na hora de escapar das situações em que o jogo nos coloca. Algumas mecânicas extras fariam muito bem à ação como a simples possibilidade de se abaixar ou executar alguns ataques aéreos mas honestamente acho que o jogo acaba se beneficiando do número limitado de ações possíveis.

Um detalhe interessante que exemplifica a simplicidade das mecânicas do jogo é que embora os comandos tenham certa variedade, quase tudo pode ser resolvido com apenas um botão de ação. Mesmo nos trechos fora dos tiroteios em que o jogo nos ensina a usar R2 + L2 pra executar certo comando, isso também pode ser resolvido apenas apertando X repetidamente. O mesmo vale pra quando é preciso arremessar objetos e apenas dois comandos se diferenciam, o pulo (o jogo usa L2 pra pular. Vai entender…) e o botão de reiniciar a missão que é triângulo. Dependendo da missão em que você estiver, o botão de reiniciar missão vai ser uma companhia constante e, ainda bem que o tempo de espera até a missão recomeçar não é tão longo. Não é imediato como em Hotline Miami, por exemplo, mas não atrapalha. Tudo feito pra você voltar à ação sem perder tempo (olha o tempo aí de novo).

Superhot

Mais do que aparenta

A mecânica intrigante e a ambientação estilosa de Superhot cria situações bem legais de subversão em que começamos em desvantagem e logo nos tornamos a principal ameaça para os inimigos que estão no cenário. Apesar da jogabilidade limitada, descobrir táticas interessantes e executá-las é bastante satisfatório e a duração do jogo assegura que essa satisfação não se perca em repetições maçantes e fases que só existem pra encher linguiça.

Let's rock and ride!
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