Análise Ben 10: Power Trip (PlayStation 4)

A série de animação do Cartoon Network ganha mais um jogo com Ben 10: Power Trip, um jogo de ação em terceira pessoa voltado para o público infantil.

Ben 10 Power Trip - Title

A história da humanidade sempre foi marcada por mistérios. Incógnitas que causam inquietação na alma daqueles que ousam dispensar tempo e energia para desvendá-los, muitas vezes sem sucesso. Por quê a torrada sempre cai com a manteiga virada para o chão? Existe uma teoria que unifique a relatividade geral e a física quântica? Por quê é tão difícil adaptar filmes ou seriados para os videogames e vice-versa?

pode cruzar o mapa de patinete!

Ben 10: é o mais recente jogo de videogame da franquia do Network, em que Ben Tennyson possui uma espécie de “relógio” chamado Omnitrix e pode transformar-se em alienígenas, utilizando as habilidades sobre-humanas para salvar o dia. traz Ben e sua família (o avô Max e sua prima, Gwen), além do amigo/rival Kevin, em férias pela Europa, quando o feiticeiro Hex resolve abrir um portal entre dimensões, trazendo criaturas grotescas para o nosso mundo. Cabe a colocar um fim nos planos malígnos de Hex e restaurar a paz no velho continente.

Ben 10 Power Trip coop
O modo cooperativo local para 2 jogadores é um ponto forte do jogo.

O jogo se apresenta em terceira pessoa, em uma espécie de mundo aberto limitado, com áreas específicas como as montanhas, o pântano, a cidade, a madeireira e assim em diante. Em termos de mecânicas, pode andar, pular e rolar. Para auxiliar nos trajetos mais longos, pode usar uma patinete, acionável com um simples toque de botão. Ben Tennyson não luta e delega essa função aos aliens do Omnitrix, mas esses heróis não estão disponíveis desde o começo e devem ser desbloqueados, um a um. Cada um deles possui habilidades únicas e podem ser solicitados em momentos específicos para resolver puzzles ou ultrapassar obstáculos.

Ben 10: Power Trip 4 arms
Cada alien tem habilidades únicas para resolver quebra-cabeças.

Jogabilidade simplificada

O ponto alto do jogo está na possibilidade de jogar em modo cooperativo local, em que um dos jogadores assume e o outro, Kevin, sendo que ambos possuem o poder do Omnitrix e podem transformar-se em alienígenas. Além das habilidades únicas, dos alienígenas, as fases também possuem caminhos que somente possem ser acessados pelo personagem correto. Quatro-Braços move pedras gigantes, liberando espaços e resolvendo puzzles; Chama consegue queimar obstáculos de madeira e alcançar lugares mais altos com pulo duplo e XLR8 pode deslizar pelos cabos de força acima das casas, por exemplo. Dessa forma, os alienígenas são acionados a todo tempo e há uma boa variação na utilização deles.

Debloquear XLR8 revela novos caminhos a serem acessados.

Os gráficos do jogo são cartunescos e coloridos, mas sem muitos detalhes pois carregam a mesma direção artística do desenho animado (que já mudou de traços algumas vezes e agora tem como público alvo crianças mais novas). Os ambientes são amplos (até demais), mas quase sempre vazios a não ser por “ilhas” de inimigos que encontramos aqui ou ali, enquanto estamos de passagem para algum objetivo. Essa ausência de inimigos impacta severamente na dificuldade do jogo que é quase inexistente. Os inimigos são bastante simples e não passam qualquer tipo de sensação de perigo. A música do jogo é bastante monótona e quase sem variação, dando a impressão de que os desenvolvedores resolveram poupar investimentos nessa área (eu não me recordo de ter ouvido três músicas diferentes no jogo todo). Enfim, a apresentação gráfica do jogo é a mais simples possível.

Ben 10 Power Trip RPG
Ben 10: tem elementos de RPG bem simples.

Embora o jogo se esforce para dar ao jogador a sensação de estar em um mundo aberto, a verdade é que quase não há o que se fazer em Ben 10: Power Trip. Mesmo com uma premissa de derrotar o malígno feiticeiro Hex, Ben passa mais tempo como office boy de NPCs recebendo demandas e colocando os alienígenas para realizar todo tipo de tarefas como cortar árvores, colher cenouras, caçar sapos e por aí vai. Por mais que existam pontos de habilidades e outros elementos da linguagem atual dos jogos de ação, com pitadas de RPG, nada disso é realmente relevante para o jogo, pois basta apertar os botões a esmo que os inimigos são derrotados, independentemente de qual alien estamos controlando. Inclusive, sequer existe punição no jogo para a derrota, pois renascemos no mesmo local, mas os inimigos não renascem: continuam com a mesma quantidade de pontos de vida de antes, sendo mais fácil ainda para derrotá-los.

Ben 10 Power Trip Boss
Alguns inimigos são bem grandes.

Ben 10: Power Trip foi feito para crianças

Na verdade, fica claro que o público alvo desse jogo são as crianças mais novas (talvez de 03 a 05 anos de idade), que terão a oportunidade de controlar o personagem favorito na televisão, sem exigir muito do videogame como mídia, mas utilizando o jogo como meio de com a franquia e a mais pura distração. E a possibilidade de jogar em cooperativo local acrescenta valor ao jogo, pois é uma boa opção para irmãos ou até mesmo na interação entre pai/mãe e filho. Todavia, para um jogo feito para crianças, a dublagem somente em inglês é uma barreira imponente e, embora existam textos e legendas em português, nem sempre eles funcionam a contento.

O visual cartunesco de Ben 10: Power Trip vai agradar as crianças!

No fim das contas, basta ter em mente que as crianças podem gostar muito de controlar a dupla Ben e Kevin para perceber o real propósito do jogo que é colorido e sem dificuldade e nesse aspecto pode-se dizer que os desenvolvedores souberam traduzir a sensação de assistir ao desenho animado, acrescentando uma interatividade que vai fazer com que os olhos das crianças brilhem, mesmo que tudo seja bastante limitado, repetitivo e simplório para nós adultos. Só não se pode esquecer que a molecada cresce rápido e talvez eles percam o interesse no jogo mais cedo do que o esperado.

Ben 10: Power Trip foi lançado no dia 8 de outubro para PlayStation 4, One, PC (Steam) e Nintendo Switch. O jogo foi desenvolvido pela PHL Collective e publicado por Outright Games.

A análise foi feita com base em uma cópia digital de PlayStation 4, gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Tiago Matias Escobar
Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.