Análise Destroy All Humans! (PS4)

O remake de Destroy All Humans! mantém a essência do jogo original, moderniza a jogabilidade e traz gráficos lindíssimos, mas conserva o mesmo sistema de missões um pouco datado

Tenho boas lembranças de Destroy All Humans! no PlayStation 2, só que nenhuma delas é minha de verdade.

Na época do lançamento tinha amigos que gostavam bastante do jogo: “É como se fosse um GTA de alienígenas” eles diziam, e isso para mim tinha um efeito que eles não esperavam: me afastava instantaneamente.

Nunca fui fã de Grand Theft Auto e apesar de adorar histórias sobre aliens, isso sozinho não era suficiente para me engajar em DAH!, mas assistindo esses amigos jogarem enquanto batíamos papo sobre outras coisas um ou outro detalhe do game despertava minha atenção.

Mas minha vontade de finalmente experimentar um game da série DAH! (adoro essa abreviação) só foi despertada quando vi o trailer e o gameplay estendido dele na E3 de 2019.

Crypto não gosta de ser confundido com homenzinhos verdes do espaço

Talvez tenha sido o hype do evento, mas ali me venderam o game como nenhum amigo havia conseguido até então. E agora que pude jogar ele para esse review posso dizer que valeu a pena deixar os preconceitos de lado.

Desenvolvido pelo estúdio Black Forest Games baseado no game originalmente lançado pela Pandemic Studios e publicado pela THQ Nordic, o remake de Destroy All Humans! (que não tem remake no nome) foi lançado em 28 de julho de 2020 para PlayStation 4, Windows e Xbox One. Uma versão para Google Stadia estava prevista para mesma data, mas foi adiada sem maiores detalhes.

Mas agora chega de nostalgia e tecnicalidades e vamos começar a nossa invasão.

Principal Ordem: Exterminar toda a raça humana

A história de DAH! gira em torno da sede de poder da raça alienígena Furon, grandes conquistadores intergaláticos, que recorreram a clonagem para aumentar os seus exércitos e garantir sua expansão.

O problema é que isso contribuiu para que a raça enfraquecesse, criando clones cada vez mais incapazes, e é com essa derrocada dos Furon’s que a Terra passa a ter papel fundamental para a sobrevivência da espécie e vira alvo de uma invasão cirúrgica.

Invadir um lugar bonito desses dá até gosto

Após um breve contato com os humanos no passado o DNA Furon foi inserido nos nossos genes, e na época em que o jogo se passa (final dos anos 50) a Terra é o único lugar do universo que ainda tem esse DNA puro e cabe a Crypto 137 recuperar o máximo dele enquanto apronta altas confusões, diria o narrador das propagandas dos filmes da Sessão da Tarde.

É uma história simples, mas que funciona bem como pano de fundo para a jogabilidade caótica de Destroy All Humans! que neste remake foi refinada para atender padrões mais modernos, como trocas de armas através de um seletor radial ou removendo os intervalos de espera entre o uso dos poderes de Crypto.

É muito satisfatório incinerar um inimigo até os ossos (literalmente), mudar para a arma de choque e eletrocutar um bando de humanos, extrair seus cérebros para recuperar o escudo e depois usar sua mochila a jato ou skate sônico para escapar do local e assumir o disfarce de um transeunte qualquer, tudo isso em segundos.

Fritar uma galera é sempre muito bom

Essa dinâmica de ações que podem ser realizadas ao mesmo tempo e essa fluidez na destruição não existiam dessa forma no game de 2005 e são o grande diferencial aqui, somado aos gráficos cartunescos absolutamente lindíssimos de DAH!.

Além disso ao longo da jogatina serão liberadas gradualmente novas armas, cada uma mais interessante e engraçada que a outra, e isso incentiva a experimentação de novas possibilidades para tocar o terror.

Fora esse arsenal portátil Crypto também pode usar sua nave em determinadas fases para criar caos em uma escala maior, e os controles da nave são tão responsivos quanto.

Manobrar a nave é bem satisfatório principalmente depois dos upgrades

Respeitando o passado (até demais)

A dublagem em inglês foi remixada, mas mantida exatamente como no original, sem regravações ou reinterpretações, um ponto positivo para fãs de longa data da franquia já que assim foi possível manter a mistura canastrona e rabugenta de Crypto intacta.

Infelizmente o que também foi mantido intacto foi o sistema de missões isoladas e esse talvez seja o ponto que mais contribua para deixar o game com um aspecto datado para quem está mais acostumado com mundos abertos ou semiabertos contínuos, como o próprio GTA.

Ao terminar uma missão você obrigatoriamente deve retornar a nave-mãe e pode usar o DNA conseguido para melhorar as armas ou a nave, selecionar novas aparências, ler o Codex, tão bem-humorado como o restante do título, comparar os designs do game antigo com o remake e selecionar a próxima fase.

O free roam é o grande parque de diversões de DAH!

Também é possível repetir as áreas em um sistema de free roam para que o jogador possa completar desafios específicos e encontrar colecionáveis espalhados pelos cenários, essa exploração extra rende DNA e consequentemente é possível aprimorar Crypto e a nave mais rapidamente.

Considerando que as fases de Destroy All Humans! são bem curtas, existe uma quebra de ritmo constante e os loadings entre esses momentos não são dos mais rápidos. Eu particularmente não me incomodo com jogos que possuem sua estrutura de missões construídas dessa forma, mas é um ponto a ser levado em consideração.

Em questão de dificuldade DAH! é um jogo casual e o desafio vai ficar para aqueles que desejarem cumprir os objetivos secundários nas missões principais, que em sua maioria são fáceis também, ou completar os diferentes desafios no modo de jogo livre, sendo esses um pouco mais exigentes.

As telas de loading ao menos são engraçadas

Um ponto importante é que o remake conta com legendas e com uma localização em Português do Brasil muito bem-feitas, o que é  ótimo para quem tem pouca ou nenhuma familiaridade com Inglês.

Inclusive algumas liberdades tomadas na localização casam muito bem com o humor de DAH!, por exemplo, o HoloBob, que Crypto usa para se disfarçar de humano, no Brasil se chama HoloZé. Uma mudança sutil, mas muito inteligente e engraçada.

“Eu entendi essa referência”

E por falar em humor esse é outro ponto alto do título.

O game é permeado por um humor ácido e crítico à sociedade de consumo dos Estados Unidos do final dos anos 50 e início dos 60, principalmente em relação ao medo incutido na população em relação ao Comunismo.

É muito engraçado ver o governo tentando encobrir a invasão alienígena com notícias falsas usando esse medo como cortina de fumaça.

Para os governantes culpar os comunistas sempre dá certo

Existem muitas piadas e referências à cultura pop também e essas não ficam restritas a esse período histórico e algumas homenageiam coisas que ainda viriam a acontecer.

Ao ler a mentes dos humanos cada um está pensando em algo inusitado (que depois de um tempo começa a se repetir) e grande parte da graça do texto vêm das pessoas comuns: na minha jogatina consegui pegar referências ao filme Serpico com Al Pacino, Tommy Wiseau em The Room, a famosa frase de Clint Eastwood em Dirty Harry, Jack Nicholson em O Iluminado, o conjunto Village People, vários filmes estrelados por Marlon Brando, a série I Love Lucy dentre outras.

Homenagem bacana a Darksiders 2, da própria THQ Nordic

Tentar captar todas essas citações é um hobby particular meu, mas sei que muita gente gosta também.

Vale a pena?

Em resumo o remake de Destroy All Humans! é engraçado, cheio de personalidade e a atualização gráfica e de jogabilidade ficaram excepcionais.

Mas a decisão de deixá-lo muito fiel a obra original contribuiu para que não houvessem alterações significativas na estrutura de missões, o que remete a uma escola de level design mais simplificada, e isso pode incomodar principalmente pela quantidade elevada de loadings entre cada fase.

O remake conta com uma área extra cortada do jogo original

A análise de Destroy All Humans! foi escrita com base em uma cópia de PlayStation 4 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Papai Platina
Trophy hunter e pai de 3 filhos maravilhosos.