Análise Gotham Knights (PS5)

Apesar de Gotham Knights possuir um promissor ponto de partida, seu desenvolvimento não faz justiça aquilo que a bat-família representa.

Gotham Knights

Gotham Knights é novo jogo da série do Batman, desta vez desenvolvido pela Warner Montreal (Arkham Origins), e busca trazer um novo frescor a cidade, tirando o morcegão de cena e incluindo a “Bat-Família” no núcleo principal do jogo.

Mas será que funcionou?

Batman se foi

Antes de qualquer coisa, deixo claro que o próximo parágrafo não é um spoiler, já que está presente em todos os materiais de divulgação do jogo e é o próprio motivo dele existir. Mas, se você é avesso a qualquer tipo de informação sobre história ou se não acompanhou nada sobre o desenvolvimento do mesmo, melhor pular essa parte.

Logo de cara o jogo introduz que Bruce Wayne, o Batman morreu.

Agora que o herói de Gotham se foi, é a “família” de Batman que será a responsável por proteger a cidade. No jogo os personagens são: Batgirl (Barbara Gordon), Asa-Noturna (Dick Grayson), Robin (Tim Drake) e Capuz Vermelho (Jason Todd). Todos eles são jogáveis desde o primeiro minuto de gameplay, e mesmo que escolha um, ao final de cada missão é possível trocar de personagem.

Gotham Knights

Essa ideia de “como seria Gotham sem Batman”, é algo que me chamou a atenção desde seu anúncio, Batman e Gotham estão tão conectados que é dificil de imaginar uma sem a outra. Mas algo que faz o morcego ser o mais popular herói do mundo, é também tudo que está em sua volta, seja seus vilões, seja seus companheiros.

É muito comum, principalmente nas grandes produções como filmes, séries de tv ou jogos, vermos um holofote gigante em Bruce, e seus parceiros vigilantes, somente como escada para fazer o herói ficar cada vez mais maior, porém, a ideia aqui é justamente o contrário, é trazer toda essa luz nestes jovens vigilantes para que eles provem que estão prontos e mostrar à população que mesmo sem o Batman, Gotham estará segura. Porém, perceba que usei a palavra “ideia”, pois a execução é justamente a contrária.

Bruce é citado praticamente em todos os grandes momentos do jogo, deixando a sensação que embora a ideia fosse esquecer o Batman, a execução vai de encontro a isto. E isto em muitos momentos atrapalha demais o desenvolvimento da narrativa, pois sempre que as coisas estão finalmente indo para frente, os heróis estão provando seu valor, o fantasma de Batman vem à tona, e faz com que os personagens voltem algumas casas em seus desenvolvimentos, deixando tudo arrastado demais, e levando o foco principal do jogo sempre mais para frente. E isso é uma grande pena, pois sempre que o foco são o quarteto de vigilantes, onde eles discutem o que é ser um herói; e que tipo de herói Gotham precisa, são as melhores cenas com alguma folga.

Em paralelo a isto, a cidade se encontra em um verdadeiro caos, obviamente que ao perceber a ausência do homem morcego, todos os bandidos que antes ficavam com medo do escuro, agora saem as ruas sem medo de qualquer consequência. Enquanto isso, uma grande organização que surge das sombras finalmente começa a dar as caras, mostrando todo seu poder e influência que sempre tiveram. “A corte das corujas” é a grande vilã ao longo de toda aventura, eu confesso que não sou o maior fã de HQ e me falta conhecimento para descrever mais detalhes sobre esta organização, além do que o próprio jogo informa claro, mas em uma breve pesquisa eu vi que isso é recente nos quadrinhos e fez um grande sucesso entre os fãs, o que faz sentido se está sendo utilizado aqui no jogo.

Combate sólido

Durante minha jornada em Gotham Knigths houve sempre uma coisa que me matinha preso e engajado, seu combate. Como dito anteriormente você tem a possibilidade de controlar os quatro heróis durante a aventura e a Warner Montreal conseguiu entregar estilos e possibilidades diferentes entre os vigilantes.

Por exemplo; Batgirl é troca de soco franca e rápida, seus movimentos sempre buscam um contra um rápido, sendo muito útil para finalizar combate de forma rápida. Já Capuz Vermelho é ótimo em média distância, com golpes e finalizações que não precisam estar próximos dos inimigos e com sua arma ele consegue manter o inimigo sempre longe de si. Claro que todos eles se assemelham em algumas coisas, principalmente em momentos de stealth, mas as diferenças são sentidas no controle deles e visualmente também.

Cada um possui uma árvore de habilidades própria, que buscam sempre deixar o personagem mais forte naquilo que ele é especialista. Um aspecto crucial neste ponto, é que por mais que você controle um personagem de cada vez, suas progressões são feitas de forma conjunta, portanto todos sobem de nível juntos. Mantendo assim, todos no mesmo nível de força, possibilitando o jogador jogar com qualquer um, sem se preocupar com progressão individual. O item que você encontrar com um personagem, pode ser aplicado a todos.

Gotham Knights

Algo que vale muito a pena ser citado é que o jogo possui um repleto inventário de uniformes clássicos dos heróis e todos eles são absurdamente lindos e bem feitos, além disto, são costumáveis, você pode trocar somente a luva, a bota ou a máscara, podendo deixá-los da forma que você achar melhor.

Batgirl

O que aconteceu com Gotham?

Algo que precisa ser destacado negativamente é a cidade de Gotham. Pegando como referência os jogos da franquia Arkham e principalmente para quem jogou alguns desses jogos, com certeza irá se estranhar neste jogo. Uma cidade completamente morta e com aspecto genérico. Por mais que o jogo queira dizer que as noites são tão perigosas que ninguém sai as ruas, não explica todo level design que foi posto ali.

Não existe nada de muito criativo ou chamativo na cidade, passar uma rua, parece que você passou em todas, nada salta aos olhos, principalmente por se tratar de um jogo de nova geração. Imagens falam mais que palavras, olhe isto e tire suas próprias conclusões.

Gotham Knights

Batman Arkham Knights

Desempenho vergonhoso

Pouco antes do lançamento oficial do jogo, os jogadores “descobriram” através da descrição do jogo que possivelmente, Gotham Knights não conteria um modo desempenho que prioriza os 60fps, algo bastante comum nos jogos atualmente. Logo em seguida alguns desenvolvedores confiaram a tal informação. Porém com a chegada do jogo, você descobre que o buraco é mais em baixo, pois nem mesmo a 30fps o jogo consegue chegar.

Andar de moto pela cidade, voar pelos prédios com uso do arpão ou quando a tela enche de inimigos faz o frame rate cair muito, não sou especialista no assunto, mas até mesmo para quem não é sentirá essas quedas, e infelizmente isso é uma constante até o fim do jogo, e não tem nada que justifique este desempenho, pois já vimos jogos mais detalhados e bonitos rodando em 30fps cravados no Ps4 ou Xbox One. Realmente a Warner Montreal deixou muito a desejar neste quesito e isso atrapalha e muito a experiência com o jogo.

Vale a pena?

Definitivamente eu indico que você espere uma grande promoção ou que ele venha em alguns dos serviços de games atualmente disponíveis.

Apesar de apresentar um bom combate e uma história que tem seus tropeços, mas consegue te manter preso até o fim, todo o entorno de Gotham Knights é uma enorme decepção, deixando no jogador um gosto de grande potencial desperdiçado, inclusive seu final altamente frustrante, com uma reviravolta que não fez o menor sentido para mim.


Este review só foi possível graças ao envio da chave de acesso antecipado feito pela Warner Brasil, a quem nós agradecemos profundamente pela confiança.