Análise Layers of Fear 2 (PS4)

Layers of Fear 2 é um thriller de terror psicológico em primeira pessoa, com foco em exploração e história.

Pele arrepiada. Frio na espinha. Pescoço retesado.

Esses foram os efeitos que Layers of Fear 2 tiveram em mim do momento em que comecei o jogo até o momento em que vi os créditos pela primeira vez.

E apesar de toda essa angústia o que eu mais queria era começar o jogo de novo para experimentar um dos seus outros dois finais.

Layers of Fear 2 é um jogo de horror psicológico em primeira pessoa desenvolvido pela Bloober Team, a mesma de Observer e publicado pela Gun Media, mesma de Friday the 13th: The Game, lançado em 28 de maio de 2019.

Convidativo para caramba

O jogo está disponível para PC, Xbox e Playstation e vale mencionar que está totalmente legendado em português do Brasil. Menus, diálogos, cartas e itens encontrados tudo foi perfeitamente traduzido e localizado.

Prepare-se para o grande papel

O seu personagem é um ator em busca de sucesso que é convidado para trabalhar com um diretor recluso e enigmático, conhecido pelos seus métodos difíceis e pouco usuais de trabalho.

As filmagens aconteceriam em um navio de passageiros e é nesse navio que você acorda e começa o jogo, sem entender como chegou até ali, o que está acontecendo e o porquê de não existirem mais passageiros a bordo, como se todos simplesmente tivessem evaporado apenas minutos antes.

Minha mãe já dizia: céu amarelado é sinônimo de frio

O foco é a exploração dos cenários, resolução de quebra-cabeças e interação com itens, que te contam partes da história de outros personagens que já estiveram neste lugar antes, dando assim um pano de fundo mais rico da vida nesse cruzeiro do inferno.

Inclusive a história secundária de dois garotos que foram clandestinos no navio rouba e muda o foco da história por boa parte do jogo, te levando para ambientes surreais tanto dentro quanto fora do navio para entender como e por que esses meninos acabaram chegando onde estiveram e o quê isso pode influenciar na história do seu personagem.

E é na história desses garotos que o jogo apoia os seus momentos mais extravagantes e imaginativos, como se você entrasse na imaginação das crianças revivendo acontecimentos bizarros pelos quais elas passaram ou mesmo como elas se refugiaram em suas próprias mentes para passar por determinadas situações.

O pesadelo é real?

O medo e tensão causados por Layers of Fear 2 não vem tanto dos sustos, muitas vezes previsíveis, mas sim da atmosfera sinistra do jogo.

Você está sozinho e precisa percorrer os corredores labirínticos do navio em busca de respostas ou de uma saída do que gradualmente está se transformando em um pesadelo, tudo isso estando indefeso, confuso e desarmado.

Melhor não

Enquanto você percorre o navio ambientes antes conhecidos começam a mudar a estrutura, atmosfera e até mesmo as cores, alternando entre preto e branco ou cores berrantes, em questão de segundos.

Entrar em um corredor e sair no mesmo corredor segundos depois, virar a cabeça para investigar um barulho e de repente estar em outro local.

Uma porta que dava acesso a uma cabine agora dá acesso à sala de máquinas, mas retornar por esta te transporta para um salão de festas macabro.

E o mais impressionante: tudo isso sem telas de loading.

Durante os 5 atos do jogo as únicas vezes em que o jogo tem telas de loading são as transições entre um ato e outro, onde o personagem acorda novamente na cabine, que serve como uma espécie de Hub, para poder atuar na próxima cena do pesadelo. Existem loadings disfarçados, como uma porta que não abre da primeira vez esperando o cenário carregar do outro lado, mas longe de ser algo ruim isso contribui para o clima de desespero e tensão.

I am the writing on the wall…

Desenvolvido usando a Unreal 4 engine, Layers of Fear 2 possui cenários lindíssimos. O nível de detalhamento dos ambientes, pisos, paredes itens e iluminação é realmente impressionante.

Mais bonito e também mais sinistro que lá em casa

Outro destaque, além do visual, é a parte de som e efeitos sonoros. Utilizando a tecnologia binaural, que permite uma maior imersão ao criar um som ambiente em que cada ouvido escuta um som diferente, você se sente absurdamente dentro do jogo.

Cadê meu headphone!?

Para aproveitar o máximo dessa tecnologia um dos primeiros avisos do jogo é a indicação do uso de fones de ouvido para uma experiência mais completa.

Os sons ambientes são muito realistas e o eco dos seus passos cria tensão palpável em muitas ausências (propositais) de trilha sonora, contribuindo para qualquer som te deixar alerta. Além dos diálogos extremamente bem dublados e atuados.

Mas a cereja do bolo em relação a som é o narrador: Tony Todd, muito conhecido pelos fãs de filmes de terror pelo papel do assassino sobrenatural Candyman da série de filmes de terror de mesmo nome, por sua participação na franquia Premonição e mais atualmente como o vilão Zoom da série The Flash.

Tony Todd em Premonição

Sua voz é inconfundível e sinistra. Já na primeira linha de diálogo apesar da tensão não pude deixar de abrir um sorriso de orelha a orelha pelo excelente trabalho dessa lenda viva.

O jogo é repleto de referências e homenagens a filmes clássicos, Shakespeare, Goya, filmes de terror e cultura pop em geral que podem passar despercebidos, mas bastante interessantes.

Faz isso comigo não

Como por exemplo, as gêmeas e o triciclo de Danny de O Iluminado, cenas de Se7en, um puzzle direto de A Piada Mortal do Batman ou mesmo um troféu com o nome We Don’t Talk About It em que o resultado da ação ao conquistá-lo é uma referência direta a O Clube da Luta.

Sombras Perdidas no Tempo

Ao completar cada ato numa escalada cada vez mais distorcida em direção a loucura, Layers of Fear 2 tem apenas um ponto que não curti: a introdução de um perseguidor. Apesar da urgência criada, as sequências que precisei correr e fugir foram mecanicamente muito esquisitas.

Cirque du Soleil

O jogo foi feito pensando em andar, e andar devagar para apreciar a ambientação e absorver a tensão momento a momento.

E mesmo que seja ensinado bem no início que você pode correr, o ritmo não parece certo, parece excessivamente pesado e um pequeno erro o seu algoz te alcança resultando em game over. Porém como existem pontos de salvamento generosos não é necessário repetir trechos muito extensos, mas mesmo assim não gostei.

Ao final de cada ato é apresentado ao jogador uma escolha e baseado na combinação dessas escolhas o final será determinado. O jogo possui 3 finais e isso pode render um fator replay para aqueles interessados em saber como suas escolhas afetariam o desfecho ou para aqueles interessados em platinar o jogo.

Platinar ou não platinar? Eis a questão

Falando em troféus, o jogo tem 33 troféus sendo 17 de bronze, 10 de prata, 5 de ouro e diferentemente do primeiro jogo da franquia este tem 1 troféu de platina.

Plim!

Jogadores interessados em platinar o game deverão fazer 3 jogadas com escolhas distintas para cada um dos 3 finais, conseguir troféus específicos de cada ato, além de pegar os diversos colecionáveis disponíveis, como pôsteres de filmes, fotos, entrevistas de fonógrafo e itens misteriosos.

A boa notícia é que esses colecionáveis são transferidos para sua nova jogada, logo o que você pegou em uma não precisará pegar na outra.

Os quebra cabeças não são complexos ou difíceis e normalmente o que é necessário para a resolução está quase sempre a poucos passos do jogador, mas alguns troféus podem ser facilmente perdidos sem o devido cuidado.

Recomendo que a primeira jogada seja sem se preocupar com troféus para aproveitar a história, ambientação, etc. e nas próximas duas lidar com esses pormenores seja usando um guia ou tentando decifrar o que é necessário sozinho.

O jogo é relativamente curto, finalizei com mais ou menos 5 ou 6 horas, explorando bem o cenário, lendo todos itens e me recuperando de alguns sustos. Portanto quem tem interesse em ver como suas escolhas afetariam os outros finais ou platinar esse tempo pode facilmente ser dobrado.

A análise de Layers of Fear 2 foi feita através de uma cópia de PS4 fornecida pelo desenvolvedor.

Trophy hunter, pai e marido.