Análise The Surge 2 (PS4)

RPG de ação sci-fi da Deck 13 acerta ao evoluir mecânicas trazidas do seu antecessor e introduzir várias inovações mas peca em aspectos técnicos

Quando um jogo ou franquia é aclamado por crítica e público é natural que outros sejam produzidos inspirados ou usando conceitos que esses criaram ou popularizaram.

E a Deck13 vem aprimorando os seus jogos de de ação com mecânicas inspiradas na série Souls e derivados da From Software, desde 2014 com o lançamento de Lords of the Fallen e o primeiro em 2017

Lançado em 24 de setembro de 2019 para PC, Xbox One e e distribuído pela , é uma evolução da fórmula e aposta em elementos novos e melhoria de outros apresentados no jogo anterior.

E apesar de não ser fácil, The Surge 2 não é tão cruel inicialmente como o primeiro e isso foi possível por algumas mecânicas de combate estarem mais acessíveis e simplificadas e alguns excessos retirados, deixando o ritmo de progressão e jogabilidade mais fluídos.

Não gostaria de viver aqui não, me desculpe a sinceridade

Desfragmentar

O jogador começa a bordo de um avião que está caindo após ter sido atingido por uma tempestade ou anomalia e durante esse acidente você tem uma visão de uma criança sendo raptada e toda a história vai ser ancorada nisso.

Depois desse evento você acorda sem memória em uma prisão e ao ganhar controle do personagem a sua missão vai ser encontrar essa menina enquanto tenta recobrar sua memória e entender o porquê da sua ligação com esses eventos.

A fuga dessa prisão funciona como tutorial e vai explicar como funciona o básico do combate, upgrades, itens e equipamentos enquanto readquire habilidades como correr, pular, desviar e aprender como abordar os chefes de área.

De agora em diante a história vai ser contada através de 3 formas: através da interação com os NPCs e missões secundárias, arquivos de áudio encontrados pelas fases e por meio de distúrbios de nano partículas no cenário.

Ecos vão contar a história da pequena Athena

Apesar dessas formas de contar histórias incentivarem a exploração fica muito a cargo do jogador se aprofundar ou não nesses acontecimentos e nem todos terão essa paciência ou curiosidade.

Os eventos catastróficos causados pela CREO em The Surge 1 são responsáveis pelo cenário pós-apocalíptico do segundo jogo agora somado ao surgimento de uma seita chamada Filhos da Centelha e um nano vírus chamado Desfragmentar.

Olá velho amigo

A cidade de Jericho está dominada por esse grupo além de milícias, gangues e agentes do governo sendo assim responsáveis por toda uma variedade de inimigos com diferentes tipos de armas e armaduras.

Além do retorno de alguns personagens de The Surge 1 que vão te passar missões secundárias que ajudam a dar mais sentido a história, que pode ser confusa ou desinteressante às vezes.

Um excelente bordão que usarei daqui para frente

Bateria que dura até de noite

Mas deixando a história de lado onde The Surge 2 brilha é na jogabilidade e nas mecânicas.

O personagem possui um exo-traje modular em que pode equipar diferentes tipos de armadura e implantes.

O que irá determinar o uso desses equipamentos é a potência do núcleo, que é basicamente o nível do jogador e cada item ao ser equipado consome parte da energia desse núcleo te fazendo escolher o que equipar de acordo com o quanto esse item irá ocupar da sua energia total.

A moeda do jogo se chama sucata e com ela o jogador aumenta o nível desse núcleo podendo assim equipar implantes e armaduras melhores.

A cada nível comprado são ganhos 2 pontos para serem distribuídos em um dos 3 módulos: Vida, Vigor e Eficiência da Bateria.

Vida é autoexplicativa, Vigor representa a estamina usada para todas as ações como golpear, correr, pular e desviar e a Eficiência da Bateria é uma barra de energia dividida em células preenchida principalmente ao golpear inimigos.

Núcleo e seus status

Eficiência da Bateria talvez seja o status mais importante em The Surge 2 já que governa o poder e eficiência de todos os implantes utilizados, além de ser utilizada para recuperação de itens de cura ou para realizar execuções dependendo dos itens equipados.

Esse status determina por exemplo quantos % da sua vida um item médico irá curar, ou seja, não adianta ter uma barra de vida longa se os seus itens não curam muito dela caso a sua Eficiência de Bateria seja baixa.

A cada 10 níveis de núcleo o jogador libera um slot para equipar um implante, que são os modificadores do jogo.

Existem implantes de todos os tipos: os que recuperam parte da sua vida ao realizar uma execução ou os que evitam a degradação de uma célula de bateria ou ainda um que aumente a quantidade de sucata ganha ao matar inimigos, é possível montar builds focadas em qualquer coisa desde que você encontre, ganhe ou compre os implantes certos.

Visão geral dos implantes

Um dos primeiros implantes adquiridos é o responsável pelos itens de cura recuperados utilizando uma célula de bateria. Cada item estocado uma barra de energia é gasta.

Essa é uma das mecânicas principais em The Surge 2 já que existe o balanço risco/recompensa, se o jogador estiver sem itens de cura em uma luta vale a pena ser agressivo e encher as barras de energia para assim conseguir recuperar itens de cura.

Além dos implantes você tem a sua disposição um Drone, que é extremamente útil em combate principalmente após a liberação de determinados módulos conseguidos ao derrotar chefes e explorar Jericho.

Corta mais que Tramontina

Durante o combate é recomendável focar em uma determinada parte do corpo do inimigo e ao golpear essa parte o suficiente um prompt aparece na cabeça do mob e ao segurar esse botão o jogador decepa essa parte de formas tão violentas e bonitas que nunca me canso de ver a animação.

Vamos por partes já diria o carrasco

Se esse membro estiver coberto por uma armadura ao arrancá-lo o jogador ganha um esquema dessa parte para ser construída e se for o braço direito além dessa blueprint você ganha a arma que o inimigo estava empunhando e existe uma variedade enorme de armas de diferentes tipos, sejam armas de duas mãos, armas pesadas, lanças, luvas de combate, etc.

Após conseguir esse modelo esquemático se for cortada novamente essa mesma parte de outros inimigos com a mesma armadura o jogador receberá materiais utilizados para evoluir essa parte específica.

Armas 2.0 são quando se mata um chefe de uma forma especial chamada hardcore kill

Aqui entra outro gerenciamento, ao executar um desmembramento uma das barras de energia é consumida, mas a maioria dos inimigos normais morre com esse ataque, mas já que essa barra também é usada para abastecer os itens de cura, então em meio a uma batalha com uma multidão de inimigos vale mais a pena eliminar logo as ameaças ou jogar mais seguro estocando itens de cura?

Obviamente ao ir explorando é possível encontrar implantes que possibilitem ganhos maiores de energia e manutenção dessas barras, que do contrário são perdidas depois de um tempo.

Existem ainda conjuntos de armadura que possibilitam não utilizar uma dessas barras no desmembramento ao realizar uma execução.

É preciso estar sempre na moda

Outra implementação interessante em The Surge 2 são os bônus para conjuntos parciais de armadura, no primeiro jogo ao equipar uma armadura completa o jogador ganhava um bônus específico daquele conjunto, seja um uso mais eficiente da estamina, ganho maior de sucata, proteções elementais ou diversas outras vantagens, já neste o jogador ganha um bônus a cada 3 peças equipadas e outro bônus ao equipar as 6 partes.

Bônus parciais e completos de armadura

Então é possível buscar um determinado bônus para a armadura completa ou utilizar dois conjuntos parciais e aproveitar duas vantagens diferentes.

Em combinação com os implantes certos é possível criar builds complexas e fortes, além de incentivar tanto a exploração como a experimentação de combinações.

Legítima defesa

Outra mecânica introduzida é o parry direcional, em The Surge 2 é necessário defender no momento certo em que o inimigo ataca e assim poder usar um contra-ataque devastador, utilizando além do botão de defesa o direcional do analógico.

Existe um implante que você tem automaticamente ao iniciar o jogo que permite ver de qual direção o adversário irá atacar e se conseguir usar esse parry direcional no momento certo o inimigo perde a estabilidade e fica vulnerável a um dano maior.

Essa mecânica é vital em determinados chefes, já que todos têm barras de escudo além da barra de vida.

E apesar de ser possível causar dano sem tirar esses escudos o dano é menor e a única forma de quebra-los é acertando os parrys direcionais.

Sem usar parry esse a luta com esse chefe é loooooonga

Se um chefe tem 4 escudos são necessárias 4 aparagens perfeitas para quebrar o escudo e atordoar esse inimigo, deixando um espaço de tempo livre para aplicar um dano considerável a barra de vida dele.

A má notícia que após isso os escudos voltam e é necessário fazer o mesmo procedimento até a vitória.

Em determinados chefes é até mais vantajoso causar menos dano com ataques normais e deixar o parry de lado do que tentar acertar o tempo correto deles, principalmente os mais rápidos e agressivos.

Search and destroy

A exploração também é uma evolução em relação ao primeiro jogo, as áreas são mais interconectadas e existem muitos atalhos e elas são suficientemente distintas para evitar que o jogador se perca, o que acontecia demais no cenário monotemático do primeiro.

Guarapari… Búzios… Minha arte

Continua o mesmo multiplicador de experiência desde Lords of the Fallen, quanto mais tempo passar matando os inimigos sem visitar uma Estação Médica, local usado para realizar as evoluções de equipamentos, construir armaduras ou armazenar sua sucata, mais experiência será acumulada por conta desse multiplicador.

Mas e aí!? Vale mais não descansar em um centro médico e ir aumentando esse multiplicador e ganhar mais e mais sucata ou é melhor não arriscar e sempre armazenar o que já ganhou?

Se descansar nesse local seguro o multiplicador é perdido além dos inimigos voltarem a vida.

Por outro lado, esse multiplicador também zera se o jogador morrer e neste caso a sucata acumulada fica em uma pilha no local do falecimento durante 2 minutos e meio, caso consiga chegar até lá nesse tempo a experiência é recuperada, criando assim um senso de urgência.

Eu ainda não tinha o melhor módulo de Drone do jogo

Ainda acerca da exploração é importante dizer que nem todas as áreas estão acessíveis no começo, são necessários diferentes equipamentos para abrir certas portas, ou tirolesas que precisam ser ativadas para alcançar certas áreas que só estarão disponíveis após encontrar itens especiais ou um módulo diferente do Drone que vai te permitir navegar nesses ambientes.

Então o jogador irá voltar algumas vezes em cenários que já passou para poder acessar um local que estava bloqueado anteriormente, podendo assim encontrar recompensas ou novos atalhos que vão interligar regiões.

Online?

Apesar de não poder jogar com amigos ou ajudar e ser ajudado por alguém em um chefe mais difícil ou uma área cravada de malfeitores mais fortes, The Surge 2 tem interações online mas elas se resumem a elementos sociais.

O contato com outros jogadores pode ser de duas formas: através de grafites espalhados pelas ruas de Jericho que servem para indicar quando existe um inimigo mais difícil a frente, perigos naturais e até segredos escondidos ou através de um excelente mini game de caça à bandeira.

Olha os amiguinhos contando que tem um segredinho ali

Ao conseguir o módulo do Drone chamado bandeira você pode esconder um avatar do seu personagem por vez em algum local do cenário.

A ideia dessa brincadeira é que quanto menos jogadores acharem a sua bandeira você receba uma quantidade bônus de sucata após um determinado tempo, que varia entre 250 a 5000 sucatas dependendo da criatividade ao esconder o boneco.

É uma mecânica que não tem muito a ver com o restante do jogo e talvez pareça meio bobinha, mas primeiro: é sucata grátis que vai te ajudar a progredir e em segundo lugar: é divertido chegar em uma área nova e planejar o melhor local para esconder sua bandeira.

E essa textura aí!?

Apesar de ser mecanicamente interessante e gostoso passar horas desmembrando tudo pelo caminho uma parte essencial que vai desagradar boa parte dos jogadores é o visual do game.

The Surge 1 foi muito criticado por ter cenários genéricos, monotemáticos e claustrofóbicos, reclamações que foram ouvidas e em grande parte corrigidas em The Surge 2.

Ainda existem muitos caminhos parecidos em uma mesma área, mas a noção geral é de um ambiente mais aberto e variado entre distritos, apesar disso o problema desta vez são as texturas, que não carregam ou somem de uma hora para outra mesmo depois de já terem sido carregadas.

Não vai carregar essa textura aqui parceiro, pode desistir

Placas, mapas, armaduras, inimigos, cenários, qualquer coisa, tudo está muito borrado e por conta dessa falha nas texturas The Surge 2 está absurdamente feio para um jogo dessa geração tanto nos consoles base como no Xbox One S e PS4 baunilha (que foi onde eu joguei) até os mais potentes como o PS4 Pro e Xbox One X.

É uma lástima que um jogo que tenha uma variedade incrível de armas e armadura não consiga exibir detalhes importantes destes e isso incomoda bastante e tira a imersão do jogador.

Roupas, armaduras e rostos sem detalhes e totalmente borrados

E este não é um problema causado pela quantidade de inimigos, partículas ou algo que aparentemente consuma muita memória do console já que é possível notar esses problemas na tela de seleção de personagem bem no início do jogo.

No momento desse um patch de correção para PC já foi lançado e um está programado para consoles segundo o twitter e fóruns oficiais da empresa, mas sem data prevista de lançamento.

No balanço geral The Surge 2 é viciante e tem uma jogabilidade excelente para quem gosta de jogos com combate cadenciado, diversidade de equipamentos e possibilidades de builds variadas, além de um senso de progressão bom e chefes desafiadores, mas com problemas para manter o jogador envolvido na narrativa e visuais até o momento muito problemáticos.

A análise de The Surge 2 foi feita através de uma cópia de PS4 fornecida pelo desenvolvedor.

Trophy hunter, pai e marido.