Análise Tiny Tina’s Wonderlands (PS4 e PS5)

Tiny Tina’s Wonderlands utiliza elementos narrativos de RPG e apresenta uma nova ambientação para a série Borderlands. Confira nossa análise!

Arte Oficial do jogo com Tiny Tina cavalgando um dragão

Tiny Tina’s Wonderlands não altera a fórmula da série Borderlands, mas acrescenta um novo cenário para criar uma aventura de fantasia, nos moldes de Dungeons & Dragons. Ficou confuso? Vem comigo que eu explico.

A série fez muito sucesso com uma fórmula cheia de excessos. O sucesso de 2 foi responsável pelo lançamento de vários DLCs, dentre eles um chamado Tiny Tina’s Assault On Dragon Keep, em que a personagem Tiny Tina é a mestra do jogo de RPG “Bunkers & Badasses” e Wonderlands é a continuação desse jogo.

A personagem Tiny Tina segura um boneco do vilão Dragon Lord
Tiny Tina comanda a aventura de “B&B”.

Nosso jogo começa com no final da campanha de Assault On Dragon Keep com os amigos Frette e Valentine derrotando o  vilão Dragon Lord. No entanto, o inimigo se prova mais astuto do que o imaginado e passa a comandar parte da narrativa, levando a novos desafios que deverão ser derrotados por um  jogador novato que deve assumir o papel de herói e derrotar as forças do mal. Tiny Tina cria uma aventura cheia de referências à cultura pop e quebras da quarta parede. Essa roupagem interessante traz um frescor à jogabilidade que, em última análise, ainda é a mesma dos jogos anteriores da série.

Que rolem os dados!

A assinatura de gameplay de se faz presente em Tiny Tina’s Wonderlands. Ritmo frenético, um tipo de humor exagerado e muito, muito loot, incorporando a receita de de ação de jogos como Diablo para o gênero de First Person Shooters, estando na gênese dos chamados looter-shooters como Destiny, The Division e mais recentemente, Outriders. Mas

No entanto, Tiny Tina’s Wonderlands acrescenta elementos de com ambientação medieval à formula o que impacta desde a criação dos personagens, que agora pode ser customizada em todos os aspectos, mas também nas habilidades e classes que fazem referências às tradicionais categorias de RPG como Mago, Bárbaro, Ladrão, Paladino e Necromante.

Dentro da proposta de medieval, elementos mais modernos saem de cena para a introdução de itens mais apropriados como tomos e varinhas mágicas, que combinam muito bem com as armas tradicionais como shotguns, pistolas e metralhadoras, que inclusive são capazes de infligir dano elemental nos inimigos, fazendo com que o combate de Borderlands, que já era bem legal, seja melhorado com a adição de magias que são encadeadas aos ataques gerando combos devastadores!

A tela mostra a personagem e os itens de personalização
É possível criar um personagem do zero em Tiny Tina’s Wonderlands e modificá-lo a qualquer momento.

Em geral, o gameplay de combate é ágil e divertido; a dificuldade é equilibrada na medida certa, havendo trechos de sufoco se não otimizarmos o equipamento da melhor maneira. Fora de combate temos um mundo para explorar, fazendo as vezes de um tabuleiro/mesa, com montanhas, rios, cavernas e oceano, criados misturados com elementos improvisados como latas de refrigerante e salgadinhos, ajudando a criar uma atmosfera descontraída e infantil, no bom sentido. Nesses momentos também existem missões secundárias opcionais e encontros aleatórios com inimigos, que acabam sendo resolvidos com um rápido desafio de combate. Não seria nada mal se o jogo arriscasse a incorporar um elemento de RPGs de turno nessas horas, mas não foi dessa vez.

Jogador empunha uma arma dentro de um castelo medieval. A visão é em primeira pessoa.
Uma combinação nova: e Armas Futuristas.

Não posso deixar de falar que o jogo foi feito para ser jogado tanto sozinho como em modo cooperativo local (tela dividida com 2 controles) ou online. Uma pena, no entanto, que os outros NPCs da mesa, Valentine e Frette (interpretados por Andy Samberg e Vanda Sykes), não apareçam durante o gameplay, mas somente nas cutscenes juntamente com Tiny Tina (Ashly Burch).

Longa ao Cel Shading

Visualmente, Tiny Tina’s Wonderlands é belíssimo, tanto no PS5 como no PS4, aproveitando-se do visual cartunesco para equilibrar a diferença entre as versões. Isso não quer dizer que os gráficos no PlayStation 5 não sejam melhores, pois mais polidos, com detalhes mais nítidos. Um recurso que também se destaca no console mais potente da Sony é a utilização da sensibilidade dos gatilhos no DualSense.

Mundo miniatura de Tiny Tina's Wonderlands, mostrando uma estrada, ponte e montanha, além de um dado de 20 lados.
O jogo possui um mundo aberto com apresentação de tabuleiro.

A apresentação do mundo é muito bonita e colorida, utilizando-se muito bem da temática medieval para entregar calabouços, cavernas, castelos e rios, além de uma gama de inimigos apropriada para o tema, como esqueletos, bandidos, dragões e outras criaturas. Em relação ao nosso personagem, a todo momento encontramos novos itens cosméticos para serem equipados, aumentando o nível de personalização, o que é especialmente bem-vindo, em um jogo com foco cooperativo online e offline (a aparência pode ser alterada a qualquer momento na taverna de Casco Cintilante).

Os personagens de Tiny Tina’s Wonderlands costumam falar sem parar e intervém em todas as situações possíveis, sejam conversando entre si ou fazendo comentários diretamente para nós jogadores, inclusive os inimigos possuem falas ameaçadoras ou mesmo piadas relacionadas à cada situação. Os diálogos são um dos pontos fortes do jogo, pois sempre bem-humorados e garantem uma identidade única à aventura, mesmo que às vezes passem do ponto ou não sejam tão engraçados assim. De qualquer forma, o tom é sempre leve, sendo uma ótima opção para quem quer apenas se divertir sem muita preocupação.

O personagem Paladino Mike e a rainha unicórnio na praça central de Casco Cintilante
Tiny Tina’s Wonderlands viaja na fantasia sem medo de ser feliz.

Ainda nos aspectos técnicos, o som do jogo me incomodou um pouco pela mixagem que deixa os diálogos baixos demais quando utilizei áudio diretamente da televisão, problema de não existe ao usar fones de ouvido/headset. Embora as falas sejam todas em inglês, o jogo conta com textos e menus totalmente em português brasileiro e fico imaginando a dificuldade que os tradutores tiveram para adaptar os neologismos criados. Atenção redobrada é necessária, uma vez que os ritmo dos diálogos é e acompanhar as legendas não é tão fácil.

Diversão em camadas

Tiny Tina’s Wonderlands não revoluciona a série Borderlands, mas traz um novo sabor ao estilo de jogo consagrado pela Gearbox Software. É divertido por seus próprios aspectos de jogabilidade, mas essa diversão se expande com a sobreposição do elemento narrativo apresentado por meio de uma partida de RPG, com diálogos e situações absurdas na medida certa. Além disso, os novos cenários de fantasia medieval trazem ar fresco à série e ajudam a criar uma ambientação agradável ao jogador.

Por fim, tudo isso pode ser experimentado em modo cooperativo, inclusive local, o que eleva as possibilidades de diversão. Em resumo, é um jogão!

Tiny Tina’s Wonderlands desenvolvido pela Gearbox Software e publicado pela 2K para as plataformas Xbox One, X|S, PlayStation 4, PlayStation 5 e PC.

A análise foi feita com base em uma cópia digital para PlayStation 4 e PlayStation 5 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.

Tiago Matias Escobar
Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.