Análise Wildcat Gun Machine (Xbox One)

Wildcat Gun Machine é um dungeon crawler repleto de balas voando pela tela com dificuldade mediana, mas que peca pelo medo de arriscar.

Se você estiver lendo esta análise achando que vai encontrar um game baseado em ou com alguma narrativa, corra para as colinas pois em Wildcat Machine somos jogados direto para a gameplay, sem nenhuma ou até mesmo informação sobre a nossa personagem ao ponto de terminar o game sem saber o nome da personagem no qual controlamos durante a aventura. Gera um pouco incomodo, sim, mas não o suficiente para atrapalhar a proposta do jogo que é a diversão e ter a sensação de dever cumprido após uma batalha frenética contra um Boss. Desenvolvido pela Chunkybox Games e publicado pela Daedalic Entertainment. Wildcat Machine é um jogo de tiro casual dungeon crawler com raízes de um bullet hell. E quando eu digo ‘casual’ , é porque o game não apresenta tantas dificuldades se comparados a outros títulos do mesmo gênero. Mas não pense que é uma tarefa fácil avançar todas as áreas do jogo sem que haja momentos de frustração ou até escolhas erradas dentro de determinados cenários ou até mesmo de armas que não servem para determinadas batalhas.

Wildcat Machine começa bem tranquilo mas com nível de dificuldade crescente onde as seguidas mortes realmente começam no segundo ato (são quatro no total) as mortes se tornarão familiares, então esteja preparado. Existem chefes intermediários ou ‘pré-chefes’ que são desafiadores o suficiente, mas não devem fazer você suar muito mas em contrapartida somos apresentados aos chefes principais que matam com um golpe, e é ai que as mão que seguram o controle começam a suar com pressão arterial elevada. O que pode incomodar no game é que você não pode aumentar sua saúde ou ganhar a opção Machine ( uma espécie de especial da nossa protagonista) durante uma luta contra um chefe, então espere algumas batalhas brutais…

O inicio do jogo é a parte de familiarização com com a personagem que até o presente momento eu não sei o nome, então vou chama-la de Daniele, por um motivo especial ok? Dito isso, espero que compreendam e vamos ao que interessa.

Uma estátua de caveira não é nada se comparado as hordas de demônios que estão por vir !

Ao assistir o trailer e ver vários projeteis e inimigos indo em direção a Daniele, temos a sensação de que o jogo será frenético e que irá sugar todo o seu potencial e habilidade adquiridas de outros jogos do mesmo gênero mas não se engane pois Wildcat Machine é um jogo “tranquilo” de se jogar, óbvio que vamos morrer por algumas vezes, mas não o vejo como um jogo que tem o poder de afastar o jogador, muito pelo contrário, ele é até um pouco viciante em determinados pontos onde a dificuldade começa a querer incomodar mas até lá você já estará apto com a dinâmica e o ritmo que o jogo é levado, sem contar o arsenal robusto para ser usado em diversos tipos de situações.

Logicamente teremos nossas armas preferidas, mas é de suma importância escolher aquelas que realmente são mais eficazes em alguns confrontos um pouco mais pesados ou seja, desapegando das queridinhas e usando as que de fato vão fazer com que você avance no game e não perca tempo se estressando para matar um Boss com uma arma que não foi totalmente feita para usar contra ele, a não ser que você queira um desafio mais do que o jogo pode te oferecer.

Nossa protagonista “Dani” e seu arsenal de armas primarias, secundarias, granadas e o especial Gun Machine.

A jogabilidade é padrão do gênero e os controles são simples; analógico esquerdo para movimentar a personagem, direito para mira, um gatilho para atirar, uma opção de esquiva, granada e por fim um especial. O game possui uma boa variedade de armas que são adquiridas durante a jornada ou comprando-as. A moeda do jogo é encontrada em ossos coletados de cadáveres espalhados pelo chão dos níveis percorridos ou colhidos aniquilando qualquer demônio que venha pela frente, sendo a Phaser com disparos teleguiado a minha preferida em boa parte do jogo.

Quando os saem, os ratos fazem a festa? Não em Wildcat Gun Machine!

Quando falamos em armas, Wildcat Gun Machine nos oferece um leque de opções para todos os gostos e momentos específicos de jogabilidade e nela temos dois slots de armas, ou seja, a primária que pode ser comprado no posto de controle e nele é mostrado um medidor de dano e um atributo único de cada uma delas, então pode ter certeza que encontraremos armas com disparo amplo, rápido, perfurante, lasers ou até mesmo mísseis teleguiados. As secundárias obviamente são muito melhores em questão de poder e excelentes em fazer aquela limpa na área recheada de inimigos, mas devemos ficar atentos pois a munição é limitada, então a dica é usa-la em momentos onde você pode sentir dificuldade diante de diversos tipos de inimigos na tela fazendo aquela limpa e alterando para a primária quando as coisas ficarem mais tranquilas para não perder munição atoa. O fato da arma primária ter disparos infinitos, ela não é tão eficaz quanto o prazer de usar a secundária. Como disse antes, há uma boa variedade de armas que você irá experimentar todas as que conseguir no maior estilo Borderlands.

A Gun Machine de laser não é uma das melhores do jogo mas é eficiente em salas pequenas.

Aumentar o poder à medida que avançamos é uma experiência muito agradável simplesmente pela sensação de que podemos ir mais além já que podemos melhorar nossas habilidades como andar mais rápido no cenário, adquirir uma granada de fogo que ao meu ver é ótima quando você esta repleto de inimigos na tela, granada eletrostática, que é muito mais devastadora se comparado a granada inicial. Podemos aumentar a velocidade com que a granada se regenera assim como a esquiva que nossa protagonista usa.

Quem não tem cão caça com gato…

Embora a parte técnica esteja perfeitamente alinhada, Wildcat Gun Machine está abaixo de seus concorrentes na questão visual e sonora e essa foi a parte que mais me deixava desconfortável principalmente nas batalhas mais intensas onde eu conseguia vencer uma de inimigos querendo me devorar o tempo todo e cada vez que atingimos um inimigo, uma espécie de “Ploc” é ouvido, e isso me incomodava muito pois não é o que realmente eu queria ouvir de um demônio sendo morto logo depois de ter tomando uma chuva de balas, na verdade eu esperava um grito de um inimigo derrotado e não um som artificial da era dos 8 bit. A trilha sonora do jogo é composta por umas batidas rítmicas que dão a sensação de caos contínuo em cada momento onde entramos em cada uma das salas que são interligadas por corredores em praticamente o jogo todo, as musicas variam de acordo com a progressão e até soam empolgantes mas na verdade são bem repetitivas.

Após derrotar um Chefe principal, usamos uma maquina que elimina facilmente as hordas de demônios, uma pena que é usada por pouco tempo.

Do ponto de vista gráfico, as escolhas feitas sofrem de variações. Embora o design geral dos monstros e nossa heroína “Dani” seja uma agradável mistura de quadrinhos e demônios, sentimos que a maior parte do trabalho foi feita nos chefes do jogo, esses sim são bem bacanas e detalhados enquanto o resto acabou em segundo plano com menos capricho, não que o game seja feio, muito pelo contrário, ele é bem desenhado, polido e bonito, mas o cenário poderia ter mais elementos visuais. Tudo bem que o excesso de elementos pode deixar o game contaminado visualmente e até fazendo com que o jogador se confunda durante a jogatina, mas mesmo assim ainda continuo achando que poderiam ter dado mais importância nessa parte. Muitas vezes nos encontramos bloqueados por elementos da decoração que não parecem agregar em nada no jogo.

Em Wildcat Gun Machine o ponto positivo do visual fica destinado aos Chefões bem detalhados, diferente do restante do cenário.

Os portais de tele transporte tornam nosso progresso mais fluido e o sistema de backup é eficiente. Nossas mortes dão origem a uma escolha surpreendente onde usamos um gatinho que nos da a opção de continuar de onde paramos, tendo perdido todo o nosso medidor de ataque especial, ou retomar desde o início da área atual e enfrentas os inimigos novamente para carregar o medidor de especial e progredir ao ponto de chegar mais bem preparado. Essa é uma escolha que provavelmente vai ser de jogador para jogador, eu particularmente fiz a mescla entre usar um gatinho para evitar enfrentar uma área difícil do game deixando para trás minha Gun Machine e me garantindo na habilidade mesmo, e em o outros momentos eu usava o retorno para o posto de controle. Acredito que tudo vai de acordo com sua visão geral do jogo em determinados momentos para fazer as escolhas mais efetivas na jornada.

O mapa de Wildcat Gun Machine nada mais é do que corredores interligados a salas que se fecham e só abrem após eliminarmos todos os demônios.

Machine, Gun, Cat!

Levei cerca de treze horas para terminar Wildcat Gun Machine, as fases trazem no geral uma mescla de poder extremo quando estamos com as armas que julgamos ser as ideais e ao mesmo tempo a frustração em morrer por ficar encurralado ou até mesmo um erro bobo na hora de calcular a direção da sua esquiva, cada cenário são muito curtos e a falta de um aliado, ou seja, alguém que quer quer salvamos tudo aquilo ali que estamos jogando, ou até mesmo uma voz narrando, por vezes nos impede de nos sentir motivados por essa aventura da qual nada sabemos. O jeito é se adaptar e repito, focar somente na proposta do jogo especialmente dada a dificuldade crescente, para querer superar a aventura do estúdio australiano.

Os nove desbloqueáveis que nos ajudam a retomar a partida de onde morremos deitados no ponto de controle.

Conclusão

Wildcat Gun Machine é um bom título mas precisa apenas uns simples detalhes para se tornar mais agradável, tais como uma câmera mais distante, uma história, conexão com a “Dani” nossa protagonista, efeitos sonoros melhores, principalmente dos inimigos e visual mais trabalhados são os elementos mais importantes. O resultado é um bullet hell fácil de manusear, que oferece uma verdadeira sensação de poder que por vezes testará sua paciência, mas que luta para nos manter viciados ao longo desta aventura da qual não sabemos absolutamente nada.

Um modo multiplayer tornaria o game muito mais interessante e divertido, mas mesmo sendo repetitivo o game cumpre seu papel, fazendo de Wildcat Gun Machine um jogo com ótimo custo-benefício, e ainda sobrará grana para comprar um sachê suculento de whiskas para o seu gatinho.

A análise de Wildcat Gun Machine foi escrita com base em uma cópia de One gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.