Conversa de Sofá

Por Tiago Matias em 31/07/2017

Análise Perception

Com uma premissa interessante, Perception coloca o jogador na pele de Cassie, uma deficiente visual com a missão de desvendar mistérios em uma mansão mal assombrada.

Perception foi recém lançado para PlayStation 4

Imagine ter que se localizar em sua própria casa, sem poder enxergar; ou ainda ir ao mercado da esquina… Agora tente imaginar você entrar em uma mansão mal assombrada buscando revelações para os pesadelos que te assolam todos os dias? Imaginou? Essa é a missão de Cassie e a premissa de Perception. Parece familiar? É por que esse argumento já foi explorado exaustivamente em filmes de terror, servindo apenas para dar início a uma jornada formatada para dar todos os sustos possíveis no espectador.

Aqui, o espectador é trocado pelo jogador, que assume uma posição menos passiva e, consequentemente, eleva a consideravelmente a imersão em toda a atmosfera apresentada.

A pergunta que surge naturalmente é: funciona? Bom, dá uma olhada:

O gameplay se desenvolve ao controlarmos Cassie dentro da mansão enquanto ela busca de pistas para desvendar os mistérios de seus pesadelos. Cassie não enxerga e o jogo usa a ecolocalização (lembre-se dos morcegos e dos clickers de The Last Of Us), para “ver” brevemente as formas dos objetos ao seu redor a cada passo que dá ou ao bater com seu bastão/bengala nos objetos. A mansão é um verdadeiro labirinto (um beijo para o Resident Evil original), e enquanto nos deslocamos nela, podemos encontrar bilhetes, objetos ou fitas de áudio espalhados, que nos dão dicas sobre o que ocorreu naquele lugar e a história seus moradores.

Uma pena que grande parte do jogo seja marcado por uma quase completa desorientação que, mesmo que seja intencional (afinal, estamos experimentando um pequeno trecho da vida de uma deficiente visual), acaba “atrasando” nosso avanço no jogo e gerando os clássicos momentos de frustração. Só que aqui temos um agravante: ao contrário de demais jogos os momentos em que não conseguimos avançar não vem acompanhados de trilha sonora, belos cenários (Cassie é cega, né?) ou alguma mecânica que ocupe nossos dedos no controle. O jeito é procurar no escuro (desculpe) um jeito de prosseguir.

Essa é a visão do jogo em quase todo o tempo

Descobrir esses detalhes (a mansão era habitada por um casal-padrão-de-histórias-de-terror: mulher grávida e marido psiquiatra que a trata com remédios muito fortes), nos faz avançar na trama e desbloqueia novas áreas da mansão para serem exploradas. Além de explorar, o jogo nos dá a possibilidade de nos esconder. Esconder sim, pois existe uma assombração na mansão, que embora permita Cassie explorar, descobrir e meter o nariz onde não foi chamada, não tolera que ela faça muito barulho com seu bastão (enxaqueca, talvez?).

Esse antagonista é chamado de “A Presença” e aparece em momentos chave do jogo e pode matar a protagonista, acaso você seja muito descuidado. Todavia, em todo meu tempo com o jogo, isso não aconteceu. Inclusive em momentos em que “A Presença” se mostra mais ameaçadora, o jogo nos dá dicas para que Cassie se esconda, poupando-nos do trabalho e adicionando uma facilidade que não é bem-vinda. Talvez os desenvolvedores tenham imaginado que jogar quase o tempo todo na escuridão já fosse desafiador o suficiente e acabaram por colocar algumas facilidades em relação à perseguição da protagonista.

O caminho marcado também facilita a vida, né?

Apenas com essas informações, eu poderia chegar à conclusão de que Perception falha na entrega de uma experiência de terror, não é mesmo? Não mesmo. A câmera em primeira pessoa aliada à escuridão consequente da deficiência visual de Cassie criam uma ambientação opressora, pois obrigam que o jogador esteja alerta, observando cada detalhe do cenário e criando a armadilha perfeita para sustos, sejam eles bem inseridos ou até mesmo gratuitos.

Aliás, Perception não tem nenhuma vergonha de utilizar os famosos jump scares, pegando o jogador desprevenido sempre que possível, seja ao abrir uma porta ou ajustar a visão após subir uma escada. O melhor de tudo, é que até os sustos mais gratuitos funcionam e os amantes do gênero de suspense/terror poderão sentir um genuíno frio na espinha ao percorrer os corredores da mansão onde o jogo se passa (a não ser que você deteste esse tipo de artifício).

Cassei usa o celular para ler documentos durante o jogo. Garota esperta.

Vale ainda destacar que o jogo possui um elemento bastante curioso: a possibilidade de deixar a protagonista Cassie mais introspectiva e menos tagarela para que ela comente com menor frequência os eventos que ocorrem no jogo. Também é preciso dizer que a localização do jogo possui algumas falhas, com a tradução apenas parcial de alguns textos, mas nada que comprometa severamente o produto.

No fim das contas, apreciar a experiência oferecida por Perception depende muito da inclinação do jogador para momentos de suspense, e se o jogador dá maior ou menor importância para elementos de gameplay e roteiro, já que este não inova no gênero e aquele é, por assim dizer, minimalista.

Até nos games tem games.

Ainda assim, por um preço camarada, Perception consegue cumprir sua principal promessa: entregar bons sustos ao jogador.

Atualmente o jogo custa R$ 70,50 na PlayStation Store brasileira e apenas R$ 39,99 na Steam (existem planos para lançamento futuro no Switch).

Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.
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