Análise A Plague Tale: Innocence (PS4)

Acompanhe dois irmãos numa jornada através de um mundo cruel enquanto aprendem a importância dos laços familiares em A Plague Tale: Innocence.

Quanto tempo a inocência pode resistir em meio a um mundo repleto de caos e constantes perdas?

O quanto é possível preservar a bondade enquanto tudo está em ruínas no mundo e dentro de você?

Essas são questões que dois irmãos precisam lidar enquanto tentam superar desafios pessoais e sobreviver a hostilidade de um mundo medieval repugnante, cruel e sobretudo realista.

Esse é o pano de fundo de A Plague Tale: Innocence, jogo de ação e aventura focado em furtividade, resolução de quebra-cabeças e exploração em terceira pessoa, desenvolvido pela Asobo Studio e publicado pela Focus Home Interactive, lançado em 14 de maio de 2019.

Venha para a luz

A Plague Tale: Innocence está disponível para PC, Xbox e Playstation com menus, itens e legendas em português do Brasil e com dublagens em Inglês, Francês e Alemão.

Herança sanguínea

Ao iniciar você recebe o controle de Amicia de Rune, jovem nobre, sonhadora e cheia de desejo pela aventura, com toda uma vida pela frente, até que nos primeiros minutos o seu mundo e de sua família virados de cabeça para baixo.

Depois dos acontecimentos iniciais em que são apresentadas às mecânicas de furtividade e de funcionamento de sua atiradeira, que será usada tanto para combate como para resolver quebra-cabeças, Amicia fica encarregada de cuidar do seu irmão mais novo: Hugo de Rune.

Apesar de serem irmãos de sangue, Hugo e Amicia cresceram separados desde o nascimento de Hugo e são completos desconhecidos um para o outro.

Hugo tem uma doença grave no sangue, que é mais explorada e explicada ao longo da história, e devido a isso é isolado do resto da família por sua mãe, Béatrice, uma alquimista que procura de todas as formas uma cura para a condição de seu filho.

Não vou chorar… chorei!

Por conta dessa superproteção ao mais novo, Amicia é completamente negligenciada pela mãe, criando um misto de antipatia e ciúme bem claro em diversos momentos do trecho inicial.

Contudo em virtude dos acontecimentos ela precisará deixar de lado esse sentimento que nutriu pelo irmão e aprender a amá-lo e sobretudo protegê-lo.

Vamos precisar de ratoeiras maiores

A Plague Tale: Innocence é ambientado na França durante a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, período histórico real entre os séculos XIV e XV, que serve de pano de fundo para as desventuras de Amicia e Hugo.

Não existe guerra bonita

O contexto histórico é importante visto que na primeira fase dessa guerra a Europa foi devastada pela Peste Negra, que dizimou quase metade da sua população.

E um dos inimigos dos irmãos são justamente os causadores dessa Peste: os ratos.

É impressionante como os ratos se comportam como um organismo único, pensante, quase sobrenatural e também a voracidade com que eles atacam suas vítimas.

Se Amicia ou qualquer personagem é pego por eles, o resultado é a morte certa em menos de 2 segundos, o que também pode ser utilizado em seu favor como elemento de jogabilidade.

Quem tem amigos tem tudo

Apesar do medo inicial e urgência de fuga que esses ratos causam, eles são muito fáceis de serem combatidos em um primeiro momento: usando luz e fogo.

Até 5000 ratos podem ser renderizados na tela ao mesmo tempo

Grande parte dos quebra-cabeças são baseados justamente na utilização de luz e fogo, seja criando caminhos no meio da rataria ou ainda os direcionando e confinando em determinados ambientes.

Fogueiras apagadas podem ser acesas ou extintas utilizando a sua atiradeira e munições especiais.

Abordagens ofensivas também podem ser utilizadas, por exemplo, quebrando lanternas a óleo ou apagando tochas dos inimigos para que sejam atacados pelos ratos, criando assim uma distração para fuga ou como estratégia de defesa.

Em virtude dessas diferentes possibilidades existe uma parte focada em melhorias dos itens de Amicia, usando recursos coletados durante as fases para melhorar o equipamento e/ou para produzir munições com diferentes usos para a sua atiradeira.

Apesar de toda crueldade desse mundo, o jogador recebe o auxilio de alguns personagens durante o gameplay, ajudando em puzzles que dependem de mais de um personagem para resolução, ou ensinando novas receitas de munições, dando uma sensação bem-vinda de variação à jogabilidade.

Ninguém escapa da Inquisição

Além dos ratos, Hugo e Amicia precisam fugir e se esconder de soldados ingleses interessados em resgates e espólios de guerra, camponeses supersticiosos que atribuem a culpa da Peste a um castigo divino contra a humanidade e também do inimigo mais sinistro de todos: A Inquisição.

Acne pode ser um problema sério

Por motivos que são revelados ao longo de 17 capítulos, a Inquisição tem como único objetivo capturar Hugo e colocá-lo frente a frente com o Grande Inquisidor, que tem planos para o garoto.

Os métodos que esses cavaleiros da inquisição usam para conseguir o que querem são brutais, não importando a moral cristã e o bem maior, mas sim os interesses escusos de seu líder.

Nem tudo são flores

Apesar de estarem em fuga cruzando locais cercados por cadáveres e destruição, Hugo ainda consegue ver beleza nesse mundo, especialmente por não conhecer nada dele.

Pode ter certeza

Chega a ser tocante ver ele empolgado com sapos em uma lagoa, se divertindo correndo atrás de borboletas ou como às vezes ele desvia do caminho para coletar flores para Amicia.

Tudo isso enquanto sua doença misteriosa vai piorando.

Visuais impressionantes

Desenvolvido utilizando uma engine proprietária da Asobo Studio, A Plague Tale: Innocence é visualmente maravilhoso, principalmente não sendo um jogo com grande orçamento.

As texturas e iluminação dos ambientes são lindíssimas e os personagens bem detalhados, seja nas roupas ou nas expressões faciais, tanto in game como durante cutscenes, deixando muito jogo AAA no chinelo.

Esse jogo é bonito demais

O diretor de arte Olivier Ponssonet menciona inclusive que a paleta de cores e cenários foi influenciada pelo caráter romântico e onírico das pinturas de Claude Lorrain, pintor francês do século XVI, criando cenários ao mesmo tempo bonitos e melancólicos.

Vista de La Crescenza, 1648–50 – Claude Lorrain

A trilha sonora é muito bem orquestrada, configurando mais um ponto positivo, e tanto a sua presença quanto a ausência ajudam a criar tensão nos momentos certos.

Mas o que mais se destaca em matéria de som é a dublagem.

Inimigos conversando, personagens que te ajudam, NPCs em geral, e obviamente Hugo e Amicia, todos têm linhas de diálogos convincentes e bem interpretas passando com precisão a emoção de determinadas sequências.

Influências grandes e pequenas

Fortemente influenciado por The Last of Us e por Brothers: A Tale of Two Sons, A Plague Tale: Innocence entrega uma história linear muito interessante, usando uma mistura de acontecimentos históricos e fantásticos de forma bastante criativa.

Sua duração é variável, algo em torno de 12 a 15 horas, dependendo do quanto o jogador explore os cenários para coleta de recursos.

Os quebra-cabeças são simples e é fácil entender o que precisa ser feito ou qual tipo de equipamento será necessário para cada resolução, mas que em nenhum momento sua inteligência é subestimada.

É simples, mas inteligentemente simples.

Ninja trabalhando, shhhh…

Como o elemento base é a furtividade, Amicia não é uma guerreira e sim uma sobrevivente e mesmo sendo capaz de se defender e de melhorar seu arsenal ao longo do tempo, ela morre com apenas um golpe de todos os inimigos.

As situações em que combates são inevitáveis são um pouco truncadas, principalmente em determinadas boss fights, com a câmera muitas vezes se comportando de forma esquisita, sendo esse o único ponto fraco.

Dito isso A Plague Tale: Innocence é uma daquelas pérolas que muitas vezes passa despercebida no meio de outros lançamentos ou por diversos motivos, mas que vale muito a pena ser jogado.

Inclusive o nome do estúdio te convida a isso, Asobo traduzido do japonês significa: “jogar”.

E aí vamos jogar?

Tem platina? Tem, sim senhor

No que tange a troféus o jogo possui 36, divididos em: 22 de bronze, 9 de prata, 1 de ouro e 1 troféu de platina.

O som da vitória

Por possuir apenas um final, teoricamente seria possível conquistar todos os troféus em uma única jogada.

Porém recomendo não focar em troféus na primeira jogada para evitar spoilers de guias e aproveitar a história.

Determinados troféus precisam ser feitos em capítulos específicos, mas são fáceis de ser conquistados já que a partir do segundo capítulo é liberada a opção de selecioná-los e até ver uma mini estatística dos colecionáveis que foi pega ou não naquele capítulo específico.

Existem 3 tipos de colecionáveis no jogo: flores, presentes e curiosidades e 5 troféus atrelados a eles.

Colecionáveis

Também existem 2 troféus por realizar todas as melhorias de equipamento e todas melhorias da atiradeira, assim a exploração dos cenários para conseguir os materiais necessários é vital.

Menu de melhorias

Para outro troféu é necessário criar 100 munições e visto que isso também gasta recursos recomendo as que utilizem os itens mais comuns.

Não existe troféu atrelado as melhorias da parte de alquimia, então não se preocupe em gastar recursos nisso a não ser que esse seja o seu estilo de jogo preferido.

A análise de A Plague Tale: Innocence foi feita através de uma cópia de PS4 fornecida pelo desenvolvedor.

Pai de três, marido de uma e caçador de muitos troféus no PlayStation.