Análise Avatar: Frontiers of Pandora (PC)

Frontiers of Pandora é visualmente incrível, tem ótimos personagens, boa gameplay e acerta em adaptar uma das maiores franquias do cinema

Avatar Frontiers of Pandora

Avatar, desde o primeiro filme de James Cameron, sempre foi sinônimo de algo grandioso, gigante. Não a toa ele proporcionou uma grande revolução ao difundir as obras e os cinemas 3D em todo mundo. A franquia abocanhou a primeira e terceira colocação entre as maiores bilheterias de todos os tempos e é uma referência em tecnologia e efeitos visuais. O material rico que as duas películas criou poderia facilitar uma adaptação aos videogames, por outro lado a responsabilidade de produzir uma obra (em qualquer mídia que seja) desse universo é um desafio que poucos teriam condições de encarar.

Avatar: Frontiers of Pandora mostra que escolher a Ubisoft para o projeto foi um grande acerto. A experiência da produtora francesa em fazer jogos de mundo aberto como Assassin’s Creed e Far Cry foi de extrema relevância para um jogo que precisava atingir o tamanho das expectativas.

Se você, eu não sei como, nunca ouviu falar de Avatar, recomendo fortemente que assista pelo menos ao primeiro filme. Não estou usando várias vezes os adjetivos relacionado ao tamanho e grandeza a toa. Além da altura dos personagens principais, os Na’vis, todo o mundo (ou lua) de Pandora é gigante. Toda a flora e fauna foram criadas de uma forma encantadora aos mínimos detalhes.

Se nos filmes a história principal se passa em torno de humanos que controlam avatares da espécie Na’vi para explorar Pandora, no jogo controlamos uma nativa desse planeta. Mas as semelhanças se juntam no mote principal da história. Os homens, que já acabaram com todos os recursos da terra, agora estão explorando, e destruindo, outros mundos. A ganância e falta de empatia faz com que os recursos estejam sempre a frente das vidas. E nem mesmo a destruição do planeta natal foi o suficiente para humanidade aprender com seus erros.


Na pele de um(a) jovem Sarentu (um dos clãs Na’vi), começamos o jogo em uma espécia de orfanato/escola onde recebemos a criação dos humanos. Após muitos anos, nosso personagem consegue ir para o ambiente externo e então exploramos juntos muito do fantástico mundo de Pandora, conhecendo florestas, rios, campos e, principalmente, outros da nossa espécie. E então descobrimos a grande tristeza que o povo do céu tem trazido para todos.

Coleta de frutas em Avatar Frontiers of Pandora
Sistema de coletas

E assim já encontramos dois pontos fortes de Frontiers of Pandora. O visual e a exploração.

O jogo é absolutamente lindo. De longe o mais bonito, que eu conheço, da Ubisoft. A forma com os diversos biomas são retratados é fantástica. As florestas tem uma diversidade muito grande de flora e fauna, onde quase todas elas podem ser investigadas, muitas podem ser colhidas ou utilizadas de alguma forma na gameplay. Isso fez com que eu passasse muito tempo somente andando, observando, conhecendo Pandora.

O capricho em cada detalhe me chamou a atenção. Os biomas são distintos e todos eles reagem de alguma forma diferente se é dia ou noite, se está seco ou está chovendo e também se estão saudáveis ou poluídos. Cada recurso tem o seu jeito e condição certa pra ser colhido na melhor qualidade possível, você até pode desrespeitar a natureza e pegar esse recurso de qualquer jeito, mas nunca será tão bom quanto para aqueles que se atentam e respeitam os detalhes das diferentes formas de vida.

Quanto tive ciência do lançamento, uma das coisas que me chamou a atenção, negativamente, foi por ele ser em primeira pessoa. Achei um absurdo um jogo com todo esse potencial utilizar essa forma onde praticamente não vemos nosso personagem. Mas jogando entendi o motivo, Avatar: Frontiers of Pandora é um jogo de tiro. Por mais que temos toda a aventura, história e exploração, a ação se encontra em atirar seja com armas na’vis ou humanas. Confesso que ainda gostaria de ter experimentado ele em terceira pessoa, mas tenho que elogiar como o jogo funciona bem na forma que ele é proposto.

Tiro em primeira pessoa
Acertaram ou erraram na perspectiva?

Para derrotar os inimigos, podemos utilizar diversas armas o que é útil para termos abordagens diferentes para qualquer situação. Podemos utilizar arcos rápidos que são ágeis e até fortes, mas de curta distância. Ou arcos pesados, muito poderosos e que podem derrubar até helicópteros.

Também temos a disposição lanças, fuzis e escopetas, todos com suas características principais e algumas outras que podem ser alteradas por modificações. O que não é agradável durante a gameplay é que somente 4 dessas armas podem ficar no seu modo de seleção. As outras é preciso entrar no menu do jogo para selecionar o que tira totalmente a imersão do combate.

O jogo conta também com um sistema de montaria que também diversifica a gameplay, boa parte das missões você pode fazer voando no seu Ikran (uma espécie de pássaro gigante) ou até em um Equimivel (algo próximo de um cavalo, mas com 6 patas). Isso se você não tiver dó de ver seus animas levando bala e bombas dos inimigos da RDA. Seguindo a tendência dos jogos da Ubisoft, temos diversas árvores de habilidade onde cada jogador pode escolher como irá aprimorar seu personagem. Esse é um pequeno elemento de RPG que dá uma sensação de liberdade, mas não é o foco do jogo. Assim como em boa parte da franquia Far Cry, podemos focar em furtividade ou trocação franca. Além de melhorias de coleta, artesanato e montaria.


As missões principais são criativas e envolventes, embora desde o início deixe claro que objetivo era o embate com os humanos, a jornada é bastante imersiva. Durante a jornada vamos conhecendo diversos clãs e personagens e aprendendo com suas diferenças e assim vão deixando de ser um bando de povo azul para ganharem identidade.
Já as secundárias, embora não tenha o mesmo brilho, são interessantes. A maior parte é única e com um arco próprio. Até existe alguma repetição quando você precisa buscar algum recurso ou eliminar criaturas bestiais, mas sempre adicionam novos elementos. Podem não ter toda a criatividade e grandeza das missões paralelas de um Starfield, mas estão muito patamares acima de jogos como Spider-Man por exemplo.

Clãs Na'vi

O sistema de coleta e produção é extremamente bem feito e intuitivo. Deve agradar quem gosta de personalizar até os mínimos detalhes o seu equipamento. Eu confesso que após muitas horas de jogo, praticamente, só utilizava armas e itens que eu achava ou ganhava de algum NPC. Mesmo que isso me deixasse em alguma desvantagem em algumas missões.

Essa desvantagem não foi um grande problema pois a dificuldade do jogo é bastante moderada. No modo normal, que eu joguei, o desafio só se torna grande quando os inimigos estão em grandes quantidades. Mesmo estando em alguns níveis abaixo das missões é possível encará-las utilizando estratégia e calma.


A parte sonora é incrível. A trilha sonora é composta de músicas tribais com muita percussão e instrumentos de sopro, nos ambientando muito bem ao mundo. Os efeitos sonoros são de extrema qualidade assim como a dublagem. Aliás, é muito satisfatório ver que a Ubisoft localizou totalmente o jogo, com todos os detalhes, documentos e textos em português assim como a dublagem que é uma das melhores que já vi. Cada clã tem seu próprio sotaque, passando a impressão que realmente são povos distintos.

A parte gráfica, como já mencionada, é incrível, talvez seja o ponto mais forte do jogo. Ele é um dos primeiros jogos na nova versão da engine Snowdrop e tem um trabalho muito bom em iluminação, sombra e reflexos. Isso, aliado a modelos muito bem desenhados e textura de alto nível fazem com o que o jogo tenha um visual incrível e ao mesmo tempo pesado. Uma menção honrosa é que não encontrei nenhum bug grande no jogo, coisa rara em 2023.

A versão testada foi a de PC e uma placa de vídeo intermediária sofreu para rodar o jogo em 1440p acima dos 60 quadros. Isso só foi possível graças a nova tecnologia AMD FidelityFX Super Resolution 3 (ou FSR3 para os mais íntimos).

Avatar: Frontiers of Pandora é apenas o terceiro jogo com suporte a esse recurso que além de contar com “upscalling” (renderizar um jogo em uma resolução mais baixa e depois aumentar a saída por inteligência artificial), conta também com um gerador de quadros. Assim foi possível jogar em qualidade alta, 1440p, redimensionamento em qualidade alta com 40 quadros nativos, mas 80 sendo exibidos passando uma sensação de fluidez muito satisfatória. O resultado ficou muito melhor do que baixar as predefinições gráficas.

Conclusão

Avatar é o maior acerto recente da Ubisoft.

Visualmente é incrível, o enredo, apesar de simples, é bem contado e envolvente. A gameplay é boa, com muito de outros jogos da desenvolvedora, principalmente Far Cry. O mundo é denso, tanto em personagens, quanto fauna e flora.

Algumas vezes o jogo pode ficar repetitivo quando é necessário coletar ou caçar, mas imagino que isso vai depender de jogador pra jogador. Eu adorei passar muitas horas em Pandora (mais de 40) e ainda tenho lugares pra visitar e admirar com meu Ikran.


Avatar: Frontiers of Pandora foi produzido pela Massive Entertainment um estúdio da Ubisoft em colaboração com a Lightstorm Entertainment. Seu lançamento será no dia 07 de dezembro de 2023 e contará com versões para PC, PlayStation 5 e Xbox Series S e X. Agradecemos a assessoria de imprensa do game pelo envio de uma cópia antecipada para review.