Análise Bad North (PS4)

Defenda seu império contra a invasão Viking em Bad North, rogue lite tático com batalhas em tempo real disponível em todas as plataformas.

Quando coloquei meus olhos em assim que ele chegou no Quartel General do Conversa de Sofá fiquei com duas impressões iniciais: que ele se tratava de um game simples e por conta disso sem desafio.

E enquanto estava certo sobre a simplicidade, com certeza a minha primeira jogada mostraria que em relação a dificuldade eu estava redondamente enganado.

Minha primeira experiência com Bad North durou exatos 10 minutos e nesse tempo aprendi lições valiosas.

Primeiro que assim como ressaltei no meu review de Wartile, aqui também o posicionamento é super importante e em segundo lugar escolher a maior dificuldade de cara me deu realmente o que eu pedi, mas que não esperava.

Resultado da minha primeira interação com Bad North

Apesar desse susto inicial, que considero bem-vindo, na segunda jogada percebi que Bad North é sim difícil, mas não punitivo e todos os meus erros foram literalmente meus.

Uma estratégia errada aqui, um erro de posicionamento ali, uma melhoria que deveria ter sido feito em outra unidade, e por aí vai.

A cada gameplay eu avançava e entendia mais sobre o jogo.

Desenvolvido pelo estúdio sueco , distribuído pela Raw Fury e disponível em do Brasil para Windows, 4, Xbox One, , iOS e Android, Bad North é um roguelite de em que o objetivo é defender ilhas do seu império contra invasões Vikings.

Praias sangrentas

Velejar de ilha em ilha e defender as residências dessa invasão é basicamente toda a história de Bad North.

Não existem diálogos e nem texto explicando nada disso e a bem da verdade não precisa ou faz falta, o game é muito intuitivo, simples e o tutorial dura poucos segundos.

As invasões funcionam por ondas e antes de cada uma o jogador consegue visualizar de onde virão os barcos inimigos, posicionar as suas unidades em pontos estratégicos e quando os vikings desembarcarem a luta acontece automaticamente, isso se repete até a última leva de saqueadores ser destruída ou até que eles destruam todas as casas da ilha ou matem todos os seus soldados.

Uma mesma onda de inimigos pode vir de diferentes direções

Ao final da fase o jogador é recompensado com moedas de acordo com o número de casas que conseguiu proteger. Casas maiores rendem 3 moedas, casas médias 2 e pequenas 1 moeda.

Esse dinheiro é dividido ao final de cada partida entre os comandantes presentes na batalha de acordo com a sua preferência e é usado para comprar melhorias e especializações para cada exercito, como transformar uma unidade em arqueiros, enquanto outras poderão se tornar lanceiros ou infantaria, cada uma com vantagens e desvantagens.

Ao final de cada ilha o jogador pode dividir as recompensas

Arqueiros podem matar os inimigos ainda nos barcos e diminuir a quantidade que desembarca nas ilhas, mas tem pouca defesa e morrem facilmente se a infantaria inimiga os alcançar.

Os lanceiros são muito fortes para liquidar os Vikings assim que colocam o pé nas areias da praia, mas não tem defesa contra arqueiros e são unidades estacionárias, ou seja, só ficam no quadradinho que o jogador posiciona eles.

Já a infantaria de espadas consegue combater corpo a corpo e avançam em direção ao inimigo mesmo que tenham sido posicionados no quadrante ao lado da atual posição dos malfeitores e já na primeira melhoria ganham um escudo, extremamente necessário para se proteger de arqueiros.

Além disso podem ser adquiridas habilidades que funcionam como ataques especiais enquanto itens são encontrados em ilhas específicas e funcionam como power-ups, como aumento na quantidade de soldados por unidade ou bombas, por exemplo.

Upgrades

Se ao final das invasões naquela ilha você conseguir manter vivo ao menos um combatente por unidade esse pelotão poderá ser usado na próxima ilha, mas se todos de um destacamento morrerem é game over para essa tropa e não importa o quanto de recursos foram investidos nela tudo será perdido, bem similar a como os jogos da série lidam com a morte dos personagens.

E esse risco de perder um esquadrão e o gerenciamento desses upgrades, apesar de serem bem didáticos, pode ser o primeiro passo para uma derrota tão rápida quanto a duração das partidas.

Aprendendo com os próprios erros

Como mencionei no início desse , cometi alguns erros básicos nas duas primeiras jogadas em Bad North por excesso de confiança e por achar que pelo visual bonitinho ele seria bem fácil, até mesmo infantil, o que já expliquei ter sido um erro.

Além disso também errei na hora de comprar melhorias e ao não diversificar as minhas tropas.

Os arqueiros são excelentes, a ponto de nas primeiras ilhas minha infantaria nem precisar entrar em . Então o que fiz inocentemente? Transformei minhas duas unidades iniciais em arqueiros, afinal se com uma já estava arregaçando os inimigos imagina com duas.

E isso funcionou bem nas 2~3 primeiras ilhas, mas aí começaram a aparecer Vikings com escudos e meu esquadrão não durou nem 5 segundos após o desembarque.

Na terceira jogada eu aprendi a balancear melhor minhas tropas

Outro detalhe que demorei a perceber é que é possível comandar que um pelotão procure abrigo em uma das casas para se recuperar.

Se estiver em uma situação em que entre uma onda e outra só restarem poucos soldados em um determinado destacamento, é possível ordenar que eles se escondam em uma das casas até que o número das tropas volte ao inicial.

Obviamente isso leva um tempo e nesse ínterim as outras unidades tem que dar conta do recado e segurar as pontas sozinhas e caso a casa que os soldados estão se recuperando seja destruída, já era para aquela turma.

Outro erro que cometi e conto aqui para que você leitor não precise passar por isso foi não observar o meu mapa do mundo com atenção e de novo a simplicidade do game armou a sua armadilha e me pegou.

Veja bem, o mapa é bem didático, você escolhe uma ilha, navega até ela e a partida começa, porém existem alguns detalhes que me passaram despercebidos no começo.

Quando você termina uma ilha abrem-se ramificações de caminho e entendi que mesmo tomando o caminho B, depois poderia voltar e lutar na ilha A, já que ela também estava conectada a B, mas não, se A ficou para trás não é possível voltar nela, o jogador tem liberdade para escolher o caminho, mas esse deve ser na direção de setas mesmo que a ilha esteja conectada uma a outra por uma linha (vai ficar mais claro na figura).

Se eu for para Pepperholm partindo de Rochedo depois não é possível ir para Alfsay, só para Drangarnir

Com isso deixei diversos recursos importantes que poderiam ter mudado o destino da batalha para trás, como novos exércitos, representados por uma bandeirinha, ou itens, representados por uma interrogação.

Quanto mais você avança mais os exércitos Vikings avançam no seu encalço (essa onda azul mais escura à esquerda da figura acima), então é importante às vezes não ramificar tanto a quantidade de ilhas visitadas, já que se suas tropas foram alcançadas o jogo acaba.

Aleatoriedade procedural

As partidas de Bad North são geradas de forma procedural e embora as ilhas às vezes sejam bem similares a recompensa vinda delas e os inimigos que irão te atacar são aleatórios.

E apesar de ilha maiores normalmente terem mais casas e consequentemente mais ouro, elas também serão atacadas por inimigos mais fortes e em maior número, e cabe ao jogador avaliar o balanço risco/recompensa.

Vale a pena arriscar ir para uma ilha maior e depois ter ouro suficiente para realizar upgrades rapidamente ou é mais seguro lutar em duas ilhas menores para isso?

E a resposta é: depende da sua estratégia.

Relaxando e aguardando a próxima onda

Meu reino por um barco e por uma atualização

Em termos visuais Bad North é um título bonito para o escopo que se propôs, bem cartunesco e colorido, com ilhas bem desenhadas, porém senti falta de um detalhamento melhor dos exércitos em si e dicas visuais que identificassem melhor os inimigos ao longe.

Várias vezes confundi arqueiros com inimigos portanto escudos e posicionei minhas tropas de forma equivocada, esse foi um problema menor e como as ilhas são relativamente pequenas erra fácil corrigir esse posicionamento mesmo após a chegada Viking, mas ainda assim é um problema que poderia ser evitado.

Outro detalhe importante: em todas as outras plataformas, exceto no , está disponível uma atualização grátis chamada Jotunn Edition que traz algumas melhorias em relação a versão base, como um indicador acima da ilha que alerta quais os tipos de inimigos que o jogador vai encontrar naquela região, além de novos tipos de inimigos, etc., mas o mais importante e que faz muita falta aqui é um sistema de banco para o ouro conquistado.

Da forma que é feito hoje na versão base, o jogador tem que dividir o ouro entre as unidades que participaram da batalha e muitas vezes eu não me lembrava qual era a que estava mais próxima da melhoria seguinte e acabava passando o dinheiro para o tropa errada, fazendo com que adiasse a potência mortal dos meus exércitos.

O jogo tem 40 ilhas, mas você não consegue visitar todas

Essa atualização está planejada para chegar ao PlayStation 4, mas até a publicação deste texto ela ainda não havia sido disponibilizada.

Mesmo assim, Bad North é viciante e um prato cheio para quem gosta de jogos de estratégia mais simples e que ofereçam um desafio bem balanceado ou simplesmente quem quer jogar algo mais relaxante e rápido.

Se você se enquadra em uma dessas categorias vale a pena conferir o game.

Plataforma para jogá-lo é o que não falta.

A análise de Bad North foi escrita com base em uma cópia de PlayStation 4 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.

Papai Platina
Trophy hunter e pai de 3 filhos maravilhosos.