Análise Blind Fate: Edo no Yami (PC)

Blind Fate: Edo no Yami não é o melhor jogo de samurai já feito, mas com certeza tem o espírito de um ótimo jogo de samurai.

Blind Fate: Edo no Yami é um hack and slash e plataforma com temática samurai cyberpunk, desenvolvido pela Troglobytes Games e distribuído pela 101XP. A história se passa num Japão fictício situado num mundo que sucumbiu às máquinas e a humanidade regrediu à era feudal. Fora dos habitats humanos, robóticas conhecidas como Yokai habitam e continuam sendo a única fonte de tecnologia avançada. Yami é um samurai que foi enviado em uma missão para matar um poderoso Yokai, mas ao fazê-lo, despertou a ira do guardião do Yokai, que o deixou sem os membros e permanentemente cego. Yami é salvo por uma IA chamada Tengu e reconstruído como um guerreiro cibernético com habilidades que jamais imaginaria ter. Sua vingança é o que move seu corpo e sua honra é o que lhe mantém focado.

Blind Fate é basicamente um Horizon: Zero Dawn japonês, pois tem a trama muito parecida. Há algumas coisas interessantes aqui, mas nada tão revolucionário em termos de enredo ou personagem. Yami é um protagonista razoável, mas ele precisa de mais pessoas para se desenvolver. Tengu é provavelmente a estrela, com uma estranha mistura de gentileza e sarcasmo. E o “cachorro” é… Bom, eu te desafio citar três jogos que permita afagar seu pet e que este pet não seja carismático.

Por Yami não conseguir enxergar, ele precisa baixar uma simulação daquele ambiente e conseguir se locomover. Infelizmente Tengu, seu parceiro e navegador, só possui dados de 500 anos atrás, de quando o mundo estava eu seu auge, e em forma de imagem estática. Portanto Yami deve utilizar esta informação limitada até conseguir baixar os dados atualizados de algum inimigo abatido. Isto faz com que os cenários sejam como uma pintura, uma fração de segundo daquela história trágica parada no tempo.

O jogo possui uma mecânica de combos fácil de entender, porém difícil de dominar devido ao seu input lag, o que faz a física do jogo parecer meio pesada. Ele também possui uma mecânica de parry, postura e estamina onde o jogador deve bater no inimigo afim de encher uma barra acima de sua cabeça e quebrar sua defesa para executar um ataque critico. Combos esses que são aprendidos e melhorados por uma árvore (literal) de habilidades, que o que nos leva para a exploração.

O jogo é dividido em 4 regiões japonesas com 3 estágios cada, porém para liberar estes estágios é necessário habilidades específicas evoluídas até um nível específico. Isso faz com que o fator replay não seja monótono, pois cada vez que o jogador passar pelo estágio, ele terá formas diferentes de combater os inimigos, explorar e liberar caminhos escondidos. Sempre há algo novo e escondido.

Sem sua visão, o jogador deve se aproveitar da mecânica de sensores (calor, cheiro e som) que deve ser utilizada para detectar diferentes tipos de inimigos camuflados, itens e passagens secretas. Quebrando a defesa do inimigo, Yami poderá ver a fraqueza do mesmo e qual sensor deverá utilizar para finalizá-lo.

O jogo utiliza quick time events em diversas partes durante a história, porém se torna exagerado por ser utilizado nas animações de finalização, quando poderia ser apenas a animação sem interação, poupando tempo. Uma coisa que pode incomodar é não ter opção para daltônicos e pessoas sensíveis a flashes e cores vibrantes, já que praticamente todos os cenários do jogo possuem leds coloridos e luzes. Pessoalmente não consegui jogar mais de 2 horas por dia sem cansar a vista.

Um controle genérico terá dificuldade com os ataques críticos, pois ele necessita de precisão em 360º e o analógico genérico normalmente tem alguma limitação de só se mover em 8 direções, ter zona morta ou algo do tipo que vá precisar de uma calibração mais fina. Nada que atrapalhe a gameplay, mas é algo a se notar num jogo que necessita de reflexos rápidos e precisão nos ataques.

Mesmo jogando com os gráficos no mínimo, o jogo ainda consegue ser lindo. Os LEDs da cidade o tornam bem colorido e as superfícies reflexivas funcionam muito bem sem pesar o hardware e cair o fps. A trilha sonora consegue mesclar muito bem a música tradicional japonesa com algo mais industrial e tecnológico, similar à que Wagakki Band faz com maestria, porém com o rock ocidental. As transições de estilo de música entre os ambientes são naturais e sutis, fazendo parecer que tudo é uma coisa só. Um ponto forte é a dublagem. Tanto em inglês quanto em japonês são incríveis.

As cutscenes são contadas através de imagens similares a pinturas

Blind Fate é um jogo mediano. Ele pega o arroz com feijão de seu gênero, não inova em quase nada que já não tenhamos visto e entrega algo sólido. E isso é ótimo! Ele não se propõe em ser “O Dark Souls dos hack and slash“, “O dos jogos plataforma” ou “O Ninja Gaiden dos cyberpunks“. Ele é simplesmente um jogo de plataforma com temática cyberpunk, jogabilidade desafiadora e uma história padrão sobre samurais. Ele é uma típica história japonesa com drama, a jornada do herói e uma batalha épica no fim. Yami busca cegamente por sua vingança a todo custo e, conforme a história anda, seu personagem se desenvolve e percebe que ela não é tão importante assim.

A sensação de jogar este jogo é a mesma de subir uma montanha, passando por dificuldades, pensando em desistir e, no final, sentir alívio e apreciar a vista refletindo sobre aquela jornada. Durante o game, quis jogar novamente e Nioh, e começar a jogar Horizon: Zero Dawn para tentar me manter ainda naquele tipo de universo e naquela ambientação.

A jornada de Blind Fate dura por volta de 10 a 15 horas, chegando a pelo menos 20 se busca a platina. 

A análise de Blind Fate: Edo no Yami foi escrita com base numa cópia gentilmente cedida pela Troglobytes Games. Disponível para Switch, 4, One, Windows, X|S e 5.

 

Thiago França
Também conhecido como "Trigo" ou "Tareav". Viciado em RPG tático e desenhista preguiçoso. Vendeu o PlayStation 2 e agora tem mais de 200 jogos guardados no estojo. Na build da vida esqueceu de botar pontos em carisma e sorte.