Análise Call of Duty: Black Ops Cold War (PlayStation 4)

A Treyarch dá adeus ao Black Ops do futurismo e te leva para meados dos anos 80 no fervor da Guerra Fria para enfrentar uma ameaça nuclear em Call of Duty: Black Ops Cold War.

Uma bomba nuclear, um espião russo da KGB e heróis americanos prontos para salvar o mundo das ogivas nucleares soviéticas. Não, este cenário não é o de um blockbuster americano do final dos anos 1980, mas sim o de Call of Duty: Ops Cold War. Você jogará como Bell e ajudará os agentes Mason, Woods e Adler a rastrear Perseus, um agente soviético disposto a fazer qualquer coisa para minar o poder do Ocidente.

O enredo do jogo pode ser simples, mas funciona em grande parte graças à encenação muito estilosa do jogo, seu toque retro e seus principais protagonistas. Eu realmente me senti imerso no coração da trama, valendo ser destacado que pela primeira vez em um Call of Duty, o jogador será capaz de recuperar elementos que lhe permitirão conduzir sua investigação e que irão influenciar a história. fazendo com que essa abordagem única crie uma uma identidade própria. A narrativa é excelente e bem sucedida, porém o cenário não é tão emocionante e nem todas as ideias necessariamente funcionaram como eu esperava. No geral, a narrativa é sugada pelo excesso de drama, onde você vai se deparar com uma leitura unilateral focada no patriotismo americano.

A campanha agora quer envolver mais o jogador, em particular fazendo com que ele personalize seu personagem

A guerra fria vai ficar quente

A sensação que tive em Call of Duty: Black Ops Cold War é que ganhamos mais controle sobre o curso da nossa campanha. Várias opções estarão disponíveis para você, como a forma de questionar uma pessoa ou as frases que você formulará em um diálogo. Você realmente será capaz de interagir com os NPC’s ao seu redor, especialmente em sua base secreta. É aqui que você interage com os membros da sua equipe, por exemplo, para aprender mais sobre eles e suas origens.

Em algumas missões eu tive a liberdade que me permitia fazer diversas abordagens diferentes. E estou falando particularmente de uma missão em que você joga como um agente duplo russo infiltrado em Lubyanka, o prédio da KGB. Você terá que recuperar a chave de um bunker ultrassecreto das mãos de um general russo e terá vários meios para atingir seus objetivos, sendo possível envenenar este general, desacreditá-lo ou mesmo pedir para que um prisioneiro o mate . O conceito é até interessante, mesmo que na prática muitas vezes tenhamos a impressão de estar sempre seguindo em frente, ou seja, não espere algo parecido com um mundo aberto por aqui, pois mesmo com esses lampejos de escolhas, o jogo sempre tá te levando para a frente.

Momento onde podemos fazer escolhas frente a frente com um dos principais protagonistas na década de 80, (oitavo e último líder da União Soviética)

O esconderijo não servirá apenas para você bater um papo com seus amigos, sendo útil no planejamento de suas missões. Em um grande quadro serão reunidos muitos documentos, que caso queira, poderá ler para aprender mais sobre a história, mas que também servirão como “evidência” para suas missões paralelas. Além do enredo, duas missões paralelas são adicionadas, que no caso uma exigirá que você tente descriptografar um disquete decifrando uma série de números, o outro exigirá que você rastreie três agentes desonestos, sempre com base nas  evidências.

Na verdade, mal tive tempo de saborear a campanha, pois quando eu estava pronto pra dar uma pausa percebi que já estava chegando ao fim. Então se você já tem uma pegada com jogos de , eu creio que vá levar de três a cinco horas para completar a aventura, mas caso seja um jogador que gosta de vasculhar tudo que o game oferece incluindo as duas missões paralelas que se chamam (Operação Red Circus e Operação Chaos), no qual são ótimas de se jogar, mas dão uma leve sensação que estão ali somente para dar mais vida útil a campanha. Mas não é novidade nenhuma encontrar campanhas curtas em FPS, pois o jogo na verdade tem seu foco central no Multiplayer e o modo história serve apenas pra te colocar na dimensão de qual temática se passa. Achei um pouco estranho o fato de ser jogado rapidamente de Moscou a Cuba e Vietnã sem interrupção.

No esconderijo podemos examinar evidencias e planejar a execução das missões expostas no quadro

Em Call of Duty: Black Ops Cold War possui umas missões muito clássicas onde somos jogados no inferno do Vietnã , que não reproduzem tão bem o clima de combate na selva, mas conseguem entregar os princípios básicos dela. Cold War continua sendo um Call of Duty muito clássico a este nível, com jogabilidade arcade e um design de níveis que como já havia dito, nos empurra sempre em linha reta. A jogabilidade continua nervosa, as lutas intensas, faltando apenas pouco mais de profundidade nesse mais novo título da franquia.

As batalhas mais selvagens ocorrem no Vietnã

Ah, e o modo zombies?

Vamos lá soldado, além do modo single player principal, existem vários modos multiplayer. E é sem dúvida que  Cold War ganha mais pontos com o retorno do , no qual quatro jogadores devem cooperar para tentar sobreviver a ondas de mortos-vivos.

Até o momento eu só pude ver um mapa disponível, que se chama Die Maschine. Bem interessante, com bastante segredos para descobrir, e uma dificuldade que aumenta de acordo com o avanço da equipe. O conceito permanece o mesmo : Temos que armazenar crédito eliminando os zumbis que atacam sua posição, use este crédito para melhorar suas habilidades, seu arsenal e abrir portas que lhe permitirão aumentar de nível e, assim, progredir no cenário. A cooperação com os outros 3 jogadores é fundamental, pois a dificuldade vai aumentando com ondas de zumbis cada vez mais agressivos.

O modo zumbi permanece com a pegada frenética onde a cooperação entre amigos  é fundamental para o avanço dos níveis

Enquanto alguns compram Call of Duty apenas para seu modo zumbi, a grande maioria dos jogadores gastam dezenas ou até centenas de horas de jogo no modo multiplayer da franquia. E não tem como negar que este modo é conhecido pela sua jogabilidade sólida e nervosa, a ponto de ter seu próprio torneio de eSport dedicado a ele. Obviamente, Cold War oferece seu próprio modo multiplayer que permanece simples, eficaz, mas sem muita surpresa.

Da fase de testes ao jogo completo

Como eu já esperava, parece muito semelhante ao beta, mas com alguns novos mapas e alteração das armas. a jogabilidade é boa, o Aim Assist (assistência de mira) foi fortemente nerfado no jogo completo, o que significa que você não vai matar tão facilmente com a mira fixada no adversário (algo que eu vi acontecer diversas vezes na fase Alfa do jogo, corrigida suavemente na fase beta e finalizado na versão completa). Os tiroteios pareciam menos envolventes e o Time-To-Kill parecia muito mais rápido. O Recoil das armas agora exigem um pouco mais de experiência, não é só mirar/atirar que tá tudo certo como visto na alfa. Na versão final você é obrigado a conhecer como cada arma funciona para poder matar os adversários sem maiores dificuldades. Sem falar dos spawns que eram absurdamente horríveis, faltava muita variedade onde você iria cair e iniciar em um ponto do mapa sem lógica alguma. Felizmente isso foi resolvido, e fiquei satisfeito com a jogabilidade geral e a mecânica fundamental do jogo, porém menos realista que Modern Warfare.

Ao começar sua experiência multijogador, você precisará se classificar para desbloquear muitas armas, normalmente, essa é uma parte excitante do jogo, mas parece que os desbloqueios rapidamente se tornam mais eficazes à medida que você sobe de nível.

No inicio você vai sentir que está em desvantagem com a falta de acessórios para armas, vantagens e scorestreaks disponíveis, mas nada que umas horas de multiplayer e um pouco de dedicação podem te deixar em uma situação mais favorável para desbloquear as armas, equipamentos e definir qual delas se encaixa melhor com o seu padrão de jogo.

O multiplayer permanece com a mesma pegada nervosas, rítmica e dinâmica

A nítida percepção que tive em Call of Duty: Black Ops Cold War é que o game tenta se esforçar à frente da Modern Warfare , principalmente na questão dos mapas que encorajam tiroteios evitando assim, movimentos lentos e estáticos. O jogo é rápido e frenético, o que me agradou muito, pois prefiro o estilo de jogo assim do que mapas onde jogadores descobrem pequenas áreas no cenário assumindo o papel dos famosos e irritantes “campers” esperando você passar pra te matar, e isso quase não é visto em Cold War, pois os mapas como por exemplo no modo deathmatch são muito rotativos, ou seja, se acha que ficar parado o tempo todo esperando por diversos inimigos, esqueça!

Novidades que realmente agregam?

Uma pequena novidade é o aparecimento de uma barra de vida acima dos inimigos, que nos dão a percepção de quanto de vida resta de nossos oponentes. Outra novidade é o desaparecimento do sistema Killstreaks. Este é o sistema onde permite que você se beneficie de bônus, tais como um radar que destaca os inimigos no mini mapa, suporte aéreo e entre outros, desde que você consiga uma sequencia de assassinatos em cadeia sem morrer. A partir de agora, este sistema é substituído pelos Scorestreaks, o princípio permanece basicamente o mesmo, exceto que nosso contador não é mais zerado quando morremos. É uma boa ideia que serve para igualar a todos e não só favorecer os melhores jogadores de cada servidor.

Há uma diversidade incrível nos cenários na campanha single player

Em termos de modos de jogo, eu tive uma ligeira sensação de déjà vu. E por um bom motivo, a conseguiu manter todos os modos clássicos de Call of Duty, porém com adição de dois novos modos de jogo. O primeiro é intitulado como VIP Extraction, e como o nome mesmo diz, é para extrair um importante membro designado da equipe e que será necessário a todo custo mantê-lo vivo até o ponto de extração mantendo sua posição por um determinado tempo. Novo na série Call of Duty, mas lembrado com muito carinho pela galera que passava horas jogando Counter-Strike 1.6 em Lan houses ou em suas próprias casas, algo bem parecido com aqueles tempos de glória nos anos 2000.

O segundo novo modo é chamado Sale Bomb e está intimamente ligado ao cenário e ao contexto do jogo. Dividido em dez grupos de quatro jogadores, estes terão que competir enquanto coletam unidades de urânio. Diversas bombas são distribuídas em vários pontos do mapa e a equipe vitoriosa será aquela que detonou o maior número de bombas no tempo previsto. Este modo é sensacional, mas também muito dinâmico e nervoso. pude sentir a influência do gás Battle Royal e especialmente do Warzone neste modo de Venda de Bomba. Você estará em um mapa bastante grande e terá que colaborar com seus companheiros de equipe para detonar essas bombas, mas também para ficar fora das nuvens radioativas. Particularmente achei esse o melhor modo multiplayer de Cold War,ao lado do tradicional Team Deathmatch e Domination.

Tomamos controle de um helicóptero em uma missão frenética e cheia de ação em Cuba

Gráficos, som, iluminação e ambientação

Graficamente Cold War é bonito visualmente mas não existe uma diferença absurda se compararmos com o Modern Warfare, porém mesmo usando o mesmo motor gráfico, pude perceber texturas com ótimos reflexos nas armas, paredes, poças d´água e até mesmo em chuvas, mas não há uma diferença tão gritante que te faça explodir os olhos . O jogo é lindo, mas está longe de ser um Call of Duty da nova geração, mesmo jogando no Playstation 4 acredito que não haverá grandes melhorias que faça você saltar os olhos no , Series S|X e até mesmo PC. Os rostos dos personagens pecam um pouco nos detalhes, as texturas em alguns mapas são excelentes e em outras nem tão boas assim. Por outro lado, alguns momentos são de tirar o fôlego e a direção artística inspirada neste episódio consegue dar a ele uma identidade própria.

O áudio funciona muito bem e foi muito melhorado em relação as versões de teste em que pude jogar, se antes o som das soavam um tanto quanto genérico, na versão final consigo perceber uma melhora sonora no do eco dos tiros, explosões e efeitos sonoros do cenário.

Um fator que dói é a renderização, que em alguns momentos, até mesmo do multiplayer as vezes demora a carregar, e mesmo com um ligeiro refinamento de texturas e alguns pequenos efeitos visuais adicionados e animações antes das partidas impressionam apenas nas primeiras horas de jogo, mas logo você se acostuma e essa sensação se torna quase nula. Obviamente, isso não impediu a Activision de cobrar um pouco mais desta versão de última geração…

Em uma missão noturna onde você não pode ser detectado, é possível notar o muro de Berlim ao fundo

Como joguei a fase de testes no PS4, achei que alguns problemas seriam resolvidos na versão final de Call of Duty: Black Ops Cold War, mas o jogo continua sofrendo de uma série de pequenos problemas técnicos que variam de texturas que demoram a carregar, lentidão em alguns momentos do jogo, o menu que por alguns segundos não carrega, personagens na fila de espera que desaparecem, ficando totalmente invisíveis e queda de fps em momentos de muita movimentação no cenário, mas nada que aquela atualização de 30GB não resolva né? haha!

Outro ponto que vale ser mencionado para aqueles que gostam de estar com um amigo e jogar com a tela dividida, Cold War não oferece mais o modo multijogador local para o multiplayer, mas no modo zumbi é possível jogar ao lado de um amigo dividindo a tela.

Algo que não consigo entender é que os desenvolvedores de franquia parecem ter dificuldades com a noção de “otimização de arquivo”, pois o jogo instalado com uma campanha curta e mapas multiplayer pequenos se comparados aos de Battlefield, pode ocupar 93GB de espaço no disco rígido do .

Conclusão

Depois de Call of Duty: Modern Warfare que veio com a campanha para um jogador muito boa, e com um modo multiplayer que trouxe tudo que os fãs da franquia queriam juntamente com o famoso Warzone, a Activision em parceria com a Treyarch oferece Call of Duty: Black Ops Cold War voltado ao passado com um conteúdo multijogador muito generoso com novos modos e seu modo Zumbi, deixando de lado o tão criticado Black Ops futurista que ninguém mais aguentava. O contexto do jogo é, no entanto, muito atraente, uma vez que estamos no meio da . Com seu elenco de alto calibre, cutscenes impressionantes e sequências de ação intensa, o modo single-player da Cold War tem o sabor de um bom blockbuster de Hollywood.

A conseguiu trazer um pouco de ar fresco para a franquia com novos elementos investigativos para a série, escolhas narrativas e diálogos. Mesmo a ideia sendo um pouco forçada e o jogo tende claramente glorificar demais as forças americanas, em conflitos sujos que ficaram marcados no passado. Infelizmente o modo campanha tá se tornando cada vez mais curto porém ainda podemos desfrutar de momentos prazerosos nela quando nos fazem viajar de uma região a outra do mundo através de um cenário totalmente fantástico, para nos mostrar o País em que faz parte da história. Particularmente teria me agradado mais ver a guerra do Vietnã de um modo mais sujo, mais espionagem e mais pontos de vista narrativos. Mas como o foco central é o multijogador, posso dizer que desta vez todas as peças estão no lugar, sem personagens futurísticos dando pulo duplo no maior estilo Titanfall, para oferecer um conjunto genuinamente grande de modos multiplayer em um Call of Duty: Black Ops Cold War que tanto esperávamos.

A análise de Call of Duty: Black Ops Cold War foi escrita com base em uma cópia de 4 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.