Análise Evil West (PlayStation 5)

Evil West cria uma América alternativa infestada de vampiros e herda o estilo de jogos como Darksiders, Castlevania Lords of Shadows e, claro, God of War.

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A América do século XIX é o pano de fundo em que se passa a trama de Evil West, um jogo de ação que abraça o estilo de jogos que hoje são clássicos como Darksiders, Castlevania Lords of Shadows e, claro, o maior expoente desse gênero, God of War. Em Evil West, Jesse Rentier é um agente de campo, um soldado que age em nome de uma organização cujo objetivo é livrar o território da praga mais antiga conhecida pelo homem: Vampiros – Ou como eles se referem aos mortos vivos, Carrapatos (apropriado, não vou negar).

Jesse obedece as ordens de seu pai William Rentier que hoje é o comandante dessa ordem de caçadores que também inclui médicos, engenheiros e outros cientistas que tem por objetivo estudar as para aprimorar a eficiência dos agentes de campo que contam com algumas armas especiais, sendo a primeira delas uma manopla. Aliás, “A” Manopla.

Equipada com componentes que parecem terem saído do laboratório do Dr. Frankenstein, caso ele trabalhasse com Nikola Tesla, essa “marreta” é capaz de incorporar eletricidade aos golpes desferidos por Jesse e será a fiel companheira ao longo da aventura, praticamente sua mão direita, por falta de um termo mais sutil.

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Evil West sendo muito sutil.

De volta ao passado

Confesso que Evil West me enganou. Eu iniciei o jogo acreditando que jogaria um faroeste com vampiros, uma ideia que me agradou imediatamente, e não um Beat ‘em Up com vampiros ambientado no velho oeste, uma ideia que me agradou logo após a primeira alternativa e me surpreendeu por apostar nesse estilo que víamos com muito mais frequência na geração e 3 e 360 e que foi lentamente substituído pelas mecânicas apresentadas nos jogos da série Arkham ou nos jogos da From Software, a ponto dos últimos jogos nesse estilo que eu me lembro serem Lords of Shadows e Enslaved: to the West – certamente existem outros mais populares que esses dois.

Mas nem todo o design de Evil West vem daquela época pois a Flying Wild Hog caprichou nas features de conveniência que nos deixam focados apenas no combate, sem precisar pensar em marcar inimigos ou recarregar as armas secundárias de Jesse. E já que as armas que venceram o oeste são secundárias, Evil West coloca em primeiro plano um sistema de combos e habilidade especiais bastante variado, apesar de parecer confuso por vezes.

Explico. O ataque primário de Jesse Rentier é seu soco. Outros ataques acessórios são um super chute ao modo espartano e, o mais forte de todos, um gancho que leva o oponente ao ar, deixando-o vulnerável para mais golpes ou tiros de revólver e escopeta. Os combos de soco são suficientes para finalizar os inimigos com poucos pontos de vida e Jesse pode usar armadilhas no cenário para executar os vampiros ou suas geringonças elétricas para atraí-los ou ser levado para perto deles e é nessas horas que os comandos se embaralham um pouco. No início do jogo, quando somos apresentados a essas habilidades, a explicação é super simples mas quando o bicho pega de verdade mais pra frente e temos quase dezenas de inimigos para dar cabo, a finalização com as armadilhas parece não “pegar” quando acionamos e a atração elétrica falha diversas vezes sem haver um medidor de energia que a gente possa acompanhar para saber se o comando vai dar certo ou errado. Bom, eu nunca ignoro a possibilidade de que eu estou fazendo algo errado, mas, nesse caso, o jogo que já fez questão de simplificar a jogabilidade de tantos outros jeitos, poderia dar uma mãozinha nessa hora também. De qualquer forma, o combate é a melhor parte do jogo e mesmo com esse pequeno deslize, segue sendo muito satisfatório.

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Mine Cart Carnage

A parte não tanto satisfatória, pelo menos para mim, é a variedade de inimigos, especialmente os minions mais fracos que servem apenas como fonte de HP quando lutamos com as mais grotescas que mesmo sendo visualmente impressionantes também se repetem um bocado tirando deles o status de chefes, já que sempre iremos esbarrar em um deles ocasionalmente. Tudo bem também, essa repetição é algo fácil de ignorar em nome da boa e velha surra em vampiros.

Além de suportar coop online, Evil West faz um bom trabalho em resgatar um gênero de jogos de ação que parecia perdido entre tantos clones da série Souls. Ele entrega uma jogabilidade sólida e por vezes frenética que exige bastante atenção e reflexos do jogador e ao mesmo tempo oferece conveniências para que a gente deixe nosso foco fixo nos na tela, sem precisar dar atenção a ações secundárias como recarregamento das armas que aqui, na prática, são habilidades como em um RPG. A falta que eu senti em um combate com armas foi muito bem substituída por um sistema de combos e habilidades interessante, sem falar na ambientação que vem sendo minha preferida já há alguns anos – eu adoro faroeste!

Se você quer um jogo de ação com dificuldade honesta, cooperação online e que não exige que você aprenda uma enciclopédia de novos termos para aproveitar as habilidades do seu personagem, então você tem grande chance de gostar do mundo caricato, sangrento e exagerado de Evil West.


A análise de Evil West foi feita graças a uma cópia digital gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.

Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!