Análise Rogue Legacy 2 (Nintendo Switch)

Rogue Legacy 2 mantém o alto nível da série e entrega um roguelike com jogabilidade excepcional e cheio de carisma!

Tela título do jogo mostra o nome Rogue Legacy 2, uma espada gigante e um fundo vermelho, com uma esfera negra no centro

Vou ser honesto com todos aqui: é incrível. Tem bons gráficos, trilha sonora agradável, excelente performance no Nintendo Switch e uma jogabilidade em um alto nível difícil de ser alcançado. Mas para falar de , é impossível não lembrar do jogo original e da responsabilidade da Cellar Door Games com esse título.

Quando Rogue Legacy foi lançado em 2013, o cenário de jogos roguelike era só mato. Hoje em dia é normal e até esperado que jogos indies utilizem a formula roguelike, sobretudo pela possibilidade de ampliar a experiência do jogador de uma maneira geral através de cenários gerados proceduralmente e a perda de parte dos itens encontrados nas fases, criando uma dinâmica de tentativa e erro que amplifica o fator de replay.  No entanto, quase 10 anos atrás, Rogue Legacy era um dos grandes responsáveis por popularizar a formula com um jogo ágil, divertido e desafiador na medida certa.

Imagem mostra o personagem em um cenário de castelo segurando uma lança
A base de gameplay do jogo continua a mesma

Deu tão certo que pode-se afirmar sem medo que sem Rogue Legacy não existiriam Dead Cells, Moonlighter ou Cult Of The Lamb, por exemplo. E para continuar o legado, trouxe de volta o consagrado núcleo de mecânicas e acrescentou novidades, com clara influência dos jogos que sucederam a original.

Construa seu legado

é, em sua essência, um jogo de ação e plataforma em que devemos encontrar o chefe de cada fase e derrotá-lo. Sobre essa base de gameplay são acrescentados elementos que tornam a experiência única. Começamos o jogo com um personagem que deve encontrar e derrotar os chefes do jogo (chamados Estuários) em um cenário gerado proceduralmente, com a estrutura de um metroidvania. A cada nova tela, encontramos inimigos e possíveis tesouros que são passados aos próximos herdeiros. Isso porque a cada morte, um filho do personagem anterior herda o seu castelo e a sua fortuna e pode melhorar a vida de seus próprios descendentes. Assim não existe uma evolução do personagem, mas a evolução da linhagem dele, com melhorias que são ilustradas pelo castelo da família sendo ampliado. Além dessa faceta, existe também a possibilidade de desbloquearmos novas armas, armaduras e itens mágicos que melhoram as estatísticas dos personagens. Tudo comprado com o ouro encontrado a cada tentativa de encontrar e derrotar os chefes de cada área.

Ficha de um personagem de Rogue Legacy 2, monstrando seus atributos
Alguém está com fome?

Mas a cereja do bolo está nos traços de hereditariedade que cada novo personagem carrega. Cada um possui qualidades e defeitos próprios e, claro, a melhor parte está nessas características uma vez que elas acrescentam uma camada aleatoriedade ao jogo. Um personagem pode ter ataques de pânico a cada golpe recebido e fazer com que a tela se escureça; outro pode ter ossos leves e não cair, mas flutuar lentamente no ar; ou ainda ser excessivamente puritano e ver todos os inimigos censurados por pixels.

Por outro lado, embora essas características já estivessem presentes no jogo original, traz novas classes e armas para contrabalancear os trejeitos de cada novo herdeiro. Essas novas classes ampliam muito a possibilidade de gameplay. Existem classes clássicas como bárbaro, mago, espadachim e ladrão, mas também existem classes menos usuais, como valquíria (ou valquírio), boxeador, pistoleiro e cozinheiro e cada um traz armas específicas que às vezes ajudam, mas também atrapalham (como a necessidade de recarregar a arma do pistoleiro).

Isso faz com que as tentativas (ou runs, para quem gosta de falar inglês) sejam focadas em objetivos como, acumular dinheiro ou encontrar itens novos, já que determinada classe não será muito útil para avançar até o chefe.

A tela mostra um cartão com a descrição de uma nova classe de personagem
Nova classe desbloqueada!

Jogabilidade no padrão Nintendo

Eu gosto de dizer que é um metroidvania, só que divertido. O bom humor presente no jogo faz com que a frustração própria dos jogos roguelike sejam relevadas, auxiliando no engajamento do jogador em tentar avançar várias vezes de forma consistente. Por outro lado, o jogo é perfeito para aqueles que possuem poucos minutos disponíveis para jogar, criando uma inescapável formula de diversão viciante.

O maior responsável por isso é a dinâmica equilibrada entre desafio e diversão, aliada à excelente movimentação dos personagens e combate agradável. Cada detalhe do jogo colabora para uma experiência fluida e divertida, sem deixar de lado a dificuldade, calibrada na medida certa para manter o jogador interessado. Pode-se dizer que , embora tenha sido lançado inicialmente apenas para e PC, encontrou a sua casa no Nintendo Switch ao lado de jogos memoráveis da desenvolvedora japonesa, sobretudo pelo avanço em relação a Rogue Legacy, com novos inimigos, movimentos, classes, armas, mecânicas e interações com o cenário, que fazem do jogo algo sempre novo.

A jogabilidade de é muito coesa

Além da campanha em si, também existem desafios que podem ser acessados tão logo passemos pelo primeiro chefe, dando boas recompensas aos jogadores em mais um modo de jogo.

Adeus, pixels

Além de todas as qualidades de gameplay, a melhoria mais significativa de Rogue Legacy 2 está nos gráficos. Embora a pixel art do primeiro jogo seja atemporal, a Cellar Door Games optou pela utilização de gráficos em 3D com a utilização de ambientes em 2D, o que resulta em uma maior taxa de quadros e proporciona uma ação frenética em certos momentos. A direção artística é excelente e mantém as características do jogo original. O destaque fica para os personagens, com novas classes que resultam em combinações bastante divertidas, como um chef de cozinha gigante que deixa um rastro de arco-íris por onde passa, por exemplo. Também existem efeitos de iluminação e efeitos especiais belíssimos que em nada prejudicam a performance do jogo, que sempre roda de maneira suave no Nintendo Switch.

A cada nova tentativa, podemos gastar o ouro acumulado e garantir a longevidade do clã

Além das melhorias visuais, o conta com auxílios de acessibilidade para aqueles que necessitam, assim como auxílios de jogabilidade para quem quiser adequar a experiência com redução de dano, janela de invencibilidade e outros detalhes. Não posso deixar de ressaltar que o jogo está totalmente em português do Brasil (embora a tradução não me agrade totalmente, mas eu sou chato, eu sei).

A trilha sonora do jogo continua competente e os design de som dá a exata noção da ação que acontece na tela, com belos detalhes, como correntes se movimentando quando passamos por elas. Resumindo, é tudo incrivelmente bom.

Você já sabe a conclusão

Não há como fazer qualquer mistério sobre as minhas considerações em relação a Rogue Legacy 2. Eu já era muito fã do primeiro jogo, uma obra simples, mas com excelente jogabilidade e mecânicas que colaboraram para me manter engajado até terminar a campanha no PlayStation Vita. Rogue Legacy 2 melhora praticamente todos os aspectos do primeiro jogo e expande os elementos de gameplay e traz gráficos belíssimos que mantém a identidade da série. Não tenho do que reclamar e acredito que aqueles que não gostarem do jogo, precisam buscar ajuda com urgência. Título obrigatório para quem possui um Nintendo Switch.

Rogue Legacy 2 foi desenvolvido pela Cellar Door Games e lançado para Nintendo Switch em novembro de 2022. O jogo também está disponível para Xbox e PC (via Steam e Epic Games).

A análise foi feita com base em uma cópia digital gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo. 

Tiago Matias Escobar
Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.