Análise Ghostbusters: Spirits Unleashed (PlayStation 4 e PlayStation5)

Ghostbusters: Spirits Unleashed é o jogo que liga pra você quando os fantasmas voam livres por aí. Será que você deve atender essa ligação?

Os mesmos desenvolvedores que nos trouxeram Friday the 13th: The Game e Predator: Hunting Grounds, a americana Illfonic acaba de publicar mais um multiplayer assimétrico baseado em outra querida franquia do cinema. Será que Ghostbusters: Spirits Unleashed é melhor ou pior que as tentativas anteriores de capitalizar a nostalgia do jogador e, ainda, o novo jogo faz jus aos filmes dos Caça-Fantasmas? Saiba mais aqui mesmo!

Quando há algo estranho…

Se você não tem idade para ter visto Roberto Baggio errar o pênalti que deu à Seleção Brasileira o seu tetracampeonato mundial, pode ser difícil conceber que uma franquia de dois filmes (não três) em que senhores usando macacão de mecânico despacham fantasmas gosmentos e uma eventual ameaça apocalíptica para o outro mundo tenha sido uma febre tão grande quanto Guerra nas Estrelas, mas assim era com Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, o saudoso Harold Ramis e a franquia Caça-FantasmasGhostbusters como são conhecidos internacionalmente. Graças à recente onda de retomada de filmes oitentistas e à recente produção Ghostbusters Afterlife, o interesse pelo quarteto mais famoso de Nova Iorque (sinto muito, Mestre Splinter) renasceu trazendo com ele Ghostbusters: Spirits Unleashed, um novo multiplayer assimétrico que nos coloca dentro do macacão cinza dos caçadores e em perseguição a do além.

Eis que Ghostbusters: Spirits Unleashed chega aos consoles atuais cumprindo a promessa ousada de nos fazer sentir como um caça-fantasmas de verdade. O jogo da Illfonic se baseia em elementos simples para cativar o jogador: visual estilizado, jogabilidade divertida e fidelidade dos apetrechos criados pelo Dr. Egon Spengler. Além disso, GBSU conta com as participações especiais de Dan Aykroyd e Ernie Hudson.

ghostbusters spirits unleashed intro
A direção de arte do jogo é bastante leve.

Na vizinhança…

Simplicidade é a chave. Após um breve tutorial e uma conversa com os chefes Ray e Winston, atendemos nosso primeiro telefonema e começamos o serviço sujo imediatamente, com amigos ou com outros jogadores aleatórios. Se você já viu qualquer cena de um filme ou desenho ou ainda, do último jogo dos Ghostbusters remasterizado em 2019, então você conhece o procedimento: rastrear os fantasmas com o medidor de atividade psicocinética (PKE), acertá-los com o disparador de prótons e por fim, usar a armadilha para capturar as “criaturas”.

Mas falando assim até parece fácil só que na prática, a teoria é outra porque os fantasmas também são controlados por outro jogador que fará de tudo para não ser capturado e cumprir com a própria cota de assombro do local onde se manifestou. Aqui deixo a minha primeira crítica: os mapas onde os caça-fantasmas cumprem seu trabalho até são variados – tem museu, hotel, prisão – mas falta que a atmosfera deles os diferencie de fato como acontece quando jogamos outros jogos com cenários fechados (Rainbow Six Siege é um excelente exemplo de variedade). O resultado é que tudo parece similar demais – o que também pode ser efeito do meu pouco tempo com o jogo, insuficiente para decorar os cenários.

Ghostbusters: Spirits Unleashed_crossing_streams
Não cruzem os raios!

Voltando às missões, a principal diferença entre ser um Ghostbuster e um fantasma é a ausência de companheiros e no caso dos fantasmas, é preciso ser bem astuto para fugir do quarteto com as mochilas protônicas.

Os fantasmas possuem duas habilidades básicas para interagir com o mundo: possessão e assombro (haunt). Assombrar é o objetivo principal de toda alma gosmenta e cada objeto assombrado pelos fantasmas irá ajudar a confundir o medidor psicocinético dos caçadores e se eles não sabem onde estamos, estamos livres para assombrar mais e mais. Assombrar o local gasta nossa energia que será recuperada assim que possuímos algum objeto, habilidade que tem a dupla função pois também nos tira da vista dos caçadores. Além dessas duas habilidades, cada fantasma tem um conjunto de poderes que pode usar para nocautear os caçadores cobrindo eles de ectoplasma!

Essas habilidades e poderes, quando bem usados, transformam o trabalho dos caçadores em caos que só pode ser contornado com muito trabalho em equipe. Especialmente quando lidamos com fantasmas mais experientes, a organização e a coordenação da equipe de caçadores faz toda a diferença porque capturá-los é naturalmente difícil e existe até um troféu para aqueles que conseguirem acertar e capturar um fantasma sozinho. Infelizmente a movimentação dos caçadores também parece um pouco truncada e em certos momentos nosso personagem parece desajeitado demais, especialmente quando colide com objetos no cenário. Ainda assim, o conjunto supera os pequenos defeitos e as partidas seguem sendo muito divertidas.

Quem você vai chamar?

Vestir o macacão e disparar a arma de próton é muito bom, não vou mentir. Prender os fantasmas nas armadilhas com todos os caçadores trabalhando em conjunto é incrível e, apesar dos cenários não parecerem tão variados, a direção de arte escolhida pela Illfonic casa perfeitamente com o tom leve do jogo, o oposto da NY dos anos 80 onde todo mundo tinha o “direito sagrado de ser desagradável e tratar os outros como porcaria”. Recomendo muito esse jogo para quem gosta de partidas com os amigos ou para quem queira apresentar os Ghostbusters à nova geração de jogadores da família, apenas lembrando que o foco aqui é exclusivamente o de partidas multiplayer ou contra bots e que o jogo possui crossplay entre as plataformas onde está disponível.

Ghostbusters: Spirits Unleashed_rift
Fechar as fendas acaba com as vidas extras dos fantasmas.

 


Essa análise de Ghostbusters: Spirits Unleashed foi escrita graças a uma cópia digital gentilmente cedida pela desenvolvedora do jogo que está disponível para 4 e 5, Xbox One e S|X e PC.

Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!