Análise Gris (PC)

Com um conceito que explora pintura em aquarela, cores vibrantes e música, Gris é uma obra prima visual.

é um desenvolvido pela e publicado pela . Foi lançado em dezembro de 2018, mas só agora tive a oportunidade de jogá-lo. A partir do dia 22 de agosto, chega também ao iPhone e iPad pela Apple Store. Ele explora um conceito de pintura em aquarela, cores vibrantes e música.

Encare seus traumas

Uma mulher perde sua voz nos primeiros instantes do jogo. A jornada dela para se recuperar deste problema é o mote principal de tudo que irá ocorrer. Gris não tem uma história complexa, deixando a interpretação dos fatos que vão ocorrendo durante a aventura, totalmente aberta.

Logo, cada um terá uma experiência diferente. Dependerá da sua relação e sentimentos que possivelmente aflorarem a cada música e mudança visual. Os sentimentos e traumas são representados de forma metafórica, como tempestade de areia para raiva, galerias de água para depressão, e criaturas gigantes, que surgem da escuridão para o medo.

O jogo explora cada ambiente em conjunto com a música e com as cores. Estátuas despedaçadas acompanham todo o percurso.  Conforme vamos progredindo na redenção da personagem principal, as estátuas vão sendo recuperadas, mas com rachaduras, como que expondo todas as cicatrizes emocionais vencidas.

Uma aquarela pulsante

As cores são associadas de forma alegórica a recuperação da personagem principal e como ela encara o mundo. O início sem cor, vai evoluindo para um mundo cada vez mais colorido de acordo com cada problema enfrentado pela protagonista.

Os traços lembram pinturas feitas com aquarela e proporcionam efeitos magníficos. Para cada mudança de cor, os cenários vão convergindo, transformando de acordo com estado mental da protagonista. Tudo sempre com uma dualidade entre cores vivas e escuridão.

Sinfonia sentimental

A é um ponto alto de Gris. É impressionante como cada nota musical se adequa, a cada momento, seja ele tranquilo, tenso, triste ou alegre. As músicas potencializam a sensação de cada movimento e ação, ajudando a transportar toda a explosão de sentimentos de cada momento no jogo.

GRIS é um jogo com uma execução primorosa, que desperta muitos sentimentos. Com uma jogabilidade simples e com alguns puzzles, acerta em cheio os fãs de jogos de plataforma. A sinergia dos cenários, das cores e da trilha sonora são perfeitos, conseguindo fazer, de certa forma, uma conexão com nosso próprio passado, presente e futuro.

João Ibarra
Índio do pantanal, nunca teve console. Começou jogando no Super Nintendo na casa de amigos. Viveu a era de ouro das Lan Houses jogando CS 1.6 e NFS Underground. Analista de Sistemas, quase Engenheiro da Computação, vendeu a alma para a Steam, é grande fã das franquias Half Life e Max Payne.