Análise HAVEN (Xbox One)

HAVEN conta a história do casal, Yu e Kay que fogem para um planeta fragmentado em busca de liberdade, e também para viver um grande amor.

é uma aventura tranquila e relaxante desenvolvida pela The Game Bakers em onde os protagonistas fugiram de seu planeta para viver uma história um tanto quanto “proibida”. O jovem casal então se vê impelido para a Fonte, uma terra que dá as boas-vindas à vida, parecendo virgem de qualquer civilização. Pelo menos é isso que eles acreditam no início da aventura, mas logo se descobre que essa terra fragmentada já foi explorada muito antes deles e diante dos perigos, nós temos a missão de fazer com que eles aprendam a se adaptar.

Para começar, HAVEN é um jogo de aventura mas sem muita originalidade, já que rapidamente o game nos pede para vasculhar as diferentes áreas do planeta a fim de encontrar recursos para consertar a nave. Algo tão normal e recorrente para aqueles jogadores que estão acostumados como jogos de exploração espacial. No entanto, o título surpreende com sua beleza artística . O viés do sombreamento das células e cores brilhantes não o deixa indiferente. E a introdução que apresenta o casal em uma boa sequência de animação são um show a parte.

A movimentação dos dois personagens depende do “flow” que na verdade é uma barra de energia que precisamos usar para flutuar e deslizar pelas paisagens seguindo as ondas, eles ganham velocidade e alcançam alturas que pareciam inacessíveis. A experiência me proporcionou uma sensação muito agradável de liberdade, leveza, mas também poder diante do desconhecido.

HAVEN
Em HAVEN deslizar por uma trilha de grama é extremamente relaxante.

De mãos dadas, Yu e Kay viajam de um fragmento de planeta a outro através das rotas das ondas. A chegada bastante rápida de um radar que serve como um mapa para se orientar também é bem-vinda para não se perder e ficar rodando em círculos. Conforme a aventura avança, os protagonistas irão aprender novas habilidades e técnicas de movimento para tornar a navegação ainda mais fácil. Vire-se rápido, vira, pula para trás… flutuar em HAVEN se torna um verdadeiro prazer a ponto de às vezes ser autossuficiente e nos deixar naquele momento de contemplação esquecendo totalmente jogos mais frenéticos que exigem reflexo, habilidade e paciência pra progredir. A música eletrônica no estilo “lo-fi beat” é empolgante e combina muito bem com as sensações de deslizamento. Mas como nem tudo são flores após as primeiras horas de jogo, eles se tornam um pouco repetitivos e cenários que demoram a se diversificar.

HAVEN quase não apresenta dificuldade, tornando o game muito acessível, oferece uma exploração suave que consiste em recolher recursos para a alimentação, criar objetos para curar ou melhorar os ataques, limpar zonas e combater alguns monstros, até mesmo em casos de derrota não existe game over, os personagens não possuem barra de vida, porém mostram o seu status de vitalidade é representado pela cor do seu traje e pela forma como andam e é aí que percebemos se estamos próximos de morrer, e caso aconteça, simplesmente retornamos a sua e voltamos para o jogo novamente.

HAVEN
As batalhas em HAVEN são feitas através da cooperação e sincronismo entre Yu e Kay.

Os confrontos requerem coordenação é possível jogar em modo co-op, mas a experiência que tive foi solo e posso dizer que flui tranquilamente, basta pressionar os dois botões correspondentes ao mesmo tempo. Para realizar um ataque ou para se defender, você deve segurar a chave e soltá-la no momento certo. Traz um certo ritmo para as lutas. Como explicado acima, você só precisa localizar os golpes que afetam seus oponentes e fazer malabarismos para defender e atacar os chefes. Em vez de nocautear as criaturas, liberte-as de uma garra que as torna agressivas depois de receberem dano suficiente. E é nessa que essa pegada de ser um game tranquilo demais sem desafios ao menos medianos, HAVEN pode acabar se tornando uma experiência um pouco monótona.

Embora muitos jogadores não gostem de diálogos e preferem optar por corta-los e partir diretamente para o jogo, eu aconselho a dar uma chance e assistir as conversas que possuem um leve toque de humor e ousadia do casal, seja durante as refeições, conversas no sofá, consertos de navios ou durante uma bebida, rapidamente nos apegamos a Yu e Kay. Todos esses momentos privilegiados também permitem que você preencha um medidor para aprender novos movimentos e habilidades. Basta dizer que o jogo nos impulsiona a multiplicar esses momentos.

Uma conversa no sofá é uma boa forma para lembrar do que precisa fazer.

HAVEN me deu impressão de fui convidado para a intimidade do casal, e realmente senti um lado “voyeurístico”, ou seja uma escolha bastante curiosa que coloca o jogador como ator e espectador ao mesmo tempo.

O sistema de criação de itens é interessante para criar experimentos, mas pode ser um pouco irritante pois é necessário memorizar, pois o game mostra apenas os ingredientes que nós possuímos e cabe a nós misturar e ver uma prévia do resultado.

HAVEN
Em HAVEN podemos encontrar locais de acampamento, onde é possível curar, cozinhar e entre outras…

HAVEN não serve para os veteranos de RPG, falo daqueles que passam horas e horas escolhendo e analisando os melhores equipamentos, se você acha que verá isso no jogo, esquece!

Não existe escolha de armas, acessórios e muito menos uma árvore de habilidades complexa, tudo é bem simples e de fácil entendimento, mas confesso em que há momentos onde jogar games com sistemas profundos e exaustivos é bom deixar pra outra hora, certo?

Sou um amante dos RPGs, consigo ficar por horas escolhendo os melhores equipamentos para o meu personagem, Mas HAVEN dá uma pausa disso. Não há escolha de armas ou habilidades. Às vezes é OK focar apenas em ser bom em combate, por si mesmo. E não ter o trabalho de comparar os atributos de cada item no jogo.

HAVEN
A tela de inventário é bastante simplificada quando comparamos com outros RPGs.

Conclusão

Em HAVEN eu pude perceber que além do clima relaxante, existe um certo cansaço e falta de conteúdo para desafios, os diálogos como disse anteriormente, são divertidos e é o que me fez querer continuar a aventura. A sensação de deslizamento e direção artística são o ponto forte do título. Posso dizer que HAVEN é um tipo de jogo que gera um efeito surpresa encantador porém peca demais pela falta de mecanismos trazidos dos RPG’s e jogos de aventura, mas pode se tornar um game de alívio para aqueles que acabaram de sair de uma aventura frenética, difícil, exaustiva ou até mesmo pra quem tá com o backlog zerado.

HAVEN está disponível para One, /X, 4 e 5, e .