Análise Solo: Islands of the Heart (Nintendo Switch)

Solo: Islands of the Heart é um jogo bonito e sensível em que o jogador resolve quebra-cabeças e experimenta uma certa dose de introspecção.

Mesmo contando com pouco orçamento, a parte boa de existir um mercado de desenvolvedoras independentes é que elas podem experimentar liberdade para ir até onde sua criatividade (e seu bolso) puder levá-las. Solo: Islands of the Heart, desenvolvido pela Team Gotham entrega um jogo simples, bonito e com a intenção de levar o jogador a questionar suas concepções sobre relacionamentos amorosos.

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You can pet the dog in Solo Islands of The Heart.

All You Need is Love

Com um visual que lembra os bonequinhos de Animal Crossing ou Earthbound, Solo: Islands of the Heart parece ter um propósito logo de cara. A primeira ação do jogador é escolher e nomear seu personagem e além do propósito, Solo parece conhecer bem o seu público e somos convidados a escolher entre três opções de gênero: masculino, feminino e não-binário. Algo que o jogo não permite é modificar as opções de personagem definido, exceto em um aspecto: decidir se ele é uma pesoa jovem ou de mais idade. Fora isso, a jogabilidade de todos é idêntica e por idêntica leia-se controlar um personagem lento e um pouco atrapalhado, com algumas inconsistências no posicionamento da câmera.

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Sentei pra olhar o oceano e não me levante mais. Tipo, literalmente, por conta de um bug.

Por ser um jogo relativamente simples, vou direto ao ponto aqui e digo que se você não se interessa por puzzles ou por experiências introspectivas (Journey ou Gone Home por exemplo), Solo: Islands of the Heart não vai ser seu jogo preferido. Principalmente por conta da lentidão e dos poucos recursos dados ao jogador para completar cada enigma na tela.

Explico: os puzzles servem como obstáculos para acessar áreas onde devemos acionar um farol que irá acionar uma segunda estátua maior ainda. Cada um desses monumentos irá propor um pequeno dilema que o jogador deverá responder de acordo com suas convicções. “Você acha possível que relacionamentos durem a vida toda?” a estátua irá perguntar e um fantasma que representa seu ou sua parceira amorosa irá contrapor sua resposta com uma indagação ou afirmação relacionada. A cada ciclo resolvido, uma nova ilha surge e propõe um novo desafio.

Confesso que tive dois problemas com essa estrutura, que foram o desafio e a recompensa. Primeiro, para quê colocar obstáculos se a principal proposta aqui não é resolvê-los mas sim passar pela experiência de ter suas convicções questionadas, numa jornada introspectiva? Além da jogabilidade não nos ajudar muito na hora de resolver os quebra-cabeças, há a estranha sensação de que o trabalho não vale a pena. O jogo te pede ao iniciar, que responda aos questionamentos de maneira honesta e íntima mas passa a impressão de que está julgando suas escolhas com algum viés e sempre vai te dar uma alfinetada após você ter escolhido uma das respostas. Pouco ajuda que as próprias perguntas não sejam lá tão interessantes, pelo menos para mim que prefiro enigmas a perguntas abertas.

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O jogo não está localizado para português brasileiro.

As possibilidades de tirar foto com um celular, alimentar cachorros ou tocar violão são bem agradáveis e eu só encontrei um bug (sentei na cadeira do início do jogo e o boneco não se levantou mais), mas a proposta do jogo não é o meu tipo preferido de entretenimento. Outro fator que causa certa estranheza é que o jogo é claramente para adultos, apesar da direção de arte cartunesca e infantil e é uma pena que o jogo não possua localização dos textos para Português brasileiro, uma vez que os questionamentos são seu elemento diferencial.

Don’t go Breaking my Heart

Solo: Islands of the Heart pode ser um dos jogos da sua vida se o visual fofo (o jogo é muito bonito, não há como negar) e a pequena jornada pelos seus sentimentos forem o que você está procurando para preencher o tempo livre, ou para jogar com a namorada/namorado/marido/esposa/amiga/amigo. Mas se você prefere jogabilidade mais fluida e não tem coração, o melhor é procurar alguma outra opção pro seu entretenimento.

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Patrick Swayze e Demi Moore (sqn).
Diego Matias
Let's rock and ride!