Análise Windbound (PlayStation 4)

Windbound é belíssimo jogo de aventura com foco em sobrevivência, construção e navegação.

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Eu fui pego de surpresa quando tomei conhecimento de Windbound algumas semanas atrás e obviamente fui levado a acreditar pelo visual colorido e estilo artístico que seria uma espécie de clone de Zelda Breath of The Wild e eu não poderia estar mais enganado. Apesar de se apropriar de alguns elementos trazidos pelo último jogo do menino fada, Windbound, desenvolvido pela 5 Lives Studios e publicado pela Deep Silver é um jogo com menos interações de elementos, a marca de Breath of the Wild, e mais risco e recompensa como dinâmica central. E navegação, muita navegação.

Navegar é preciso

O cenário onde o jogo se passa é uma sequência de arquipélagos com bastante distância entre as ilhas e por isso, Kara, a protagonista do jogo, tem como uma das suas primeiras habilidades, construir um barco com palha e corda. O barco será o meio de transporte da guerreira que tem como objetivo ativar pilares de energia com seu amuleto mágico. Cada elemento encontrado nas ilhas (e até no mar, em recifes de corais) é matéria prima para obtenção de novas ferramentas, armas e utensílios como cordas e balaios que servirão para construir e guardar outros materiais e ferramentas. A questão é que Kara precisa de melhores equipamentos para poder explorar as ilhas onde estão os pilares de energia, pois no início, apenas a sua faca e uma lança de madeira talhada são suficientes mas os riscos aumentam conforme avançamos.

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“vento ventania me leve sem destino…”

Além das melhorias para si própria, Kara precisa implementar melhorias no seu barco. Eu ignorei durante um bom tempo essa parte e estava satisfeito com minha canoa com vela de bambu mas a diferença na velocidade da navegação é bastante perceptível quando melhoramos a embarcação. Esse é mais um dos objetivos implícitos – a rigor, se você for capaz, pode ir do início ao fim do jogo com a embarcação mais simples – que o jogo nos apresenta, uma boa dose de desafio já que as melhorias também exigem que Kara encontre os recursos necessários e como cada ilha tem sua fauna e flora própria, navegar sem planejar seus próximos passos pode custar seu barco, seus itens e todo o seu progresso.

Explico.

A aventura é dividida em capítulos. Em cada capítulo precisamos encontrar e ativar 3 pilares antes de prosseguir para a ilha final de onde seremos transportados para um salão, conhecemos mais da história deste mundo e enfrentamos um desafio de navegação para finalmente regressar ao oceano no capítulo seguinte. Após cada capítulo, Kara obtém uma bênção (pode ser um arco inquebrável, ou resistência a veneno, por exemplo) e está livre para explorar um novo arquipélago com desafios mais complexos.

Caso Kara morra, ela volta ao início do primeiro capítulo sem nada do que construiu, exceto os equipamentos que estiverem equipados. Quase um estilo rogue-like. Para aqueles que preferirem, o jogo permite que você inicie uma campanha sem essa punição, para continuar avançando sem perder seu progresso.

Eu não sou fã do estilo rogue-like mas confesso que não achei o sistema muito desestimulante, pelo menos não no início, e saber que você irá perder tudo que construiu certamente é um estímulo para avançar de maneira cuidadosa de uma ilha à outra.

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Lute para não virar janta.

Aviso aos Navegantes

Windbound é um jogo com premissa simples mas que exige certo cuidado para dominar suas mecânicas. O sistema de combate se torna satisfatório quando nos acostumamos com os botões e caçamos alguns animais e essa adaptação é absolutamente necessária para aprender a lidar com os bichos que estão no mesmo patamar da cadeia alimentar que você e irão tentar te devorar. Gerenciar fome e resistência, caçar alimento e descobrir novas “receitas” é um trabalho duro e cada novo equipamento obtido é uma recompensa valiosa que faz você percebe que o planador de Link em Breath of the Wild saiu super barato.

O que não é tão satisfatório é a briga para dominar os menus de construção e gerenciamento de itens, ativado com R1. São dois painéis, no lado direito e esquerdo da tela e o mesmo botão alterna entre eles, sendo que L2 e R2 alternam entre as categorias de construção (sobrevivência, armas, barco, manutenção). Fica mais fácil com o tempo? Fica. Precisava ser tão confuso? Não sei. O que eu sei é que apanhei um pouco de algo que não precisava ser complicado.

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“…sonífera Ilha, descansa meus olhos…”

Navegar de uma ilha para a outra é um exercício de descoberta, paciência e domínio do vento que nem sempre estará ao seu favor, aliás, descobrir como manejar a vela do barco para navegar usando o vento contrário é muito satisfatório. Observar o horizonte atrás de sinais de vida terrestre é estimulante e chegar até esses lugares é um dos desafios mais legais que eu já experimentei nesse estilo de jogo porque o comportamento do vento e das ondas define quanto de esforço será necessário para chegar até o seu destino, desviando de rochas e corais para aportar ileso, explorar e retornar. Quando esse ciclo de construção, caça, coleta e navegação começou a parecer um pouco tedioso já que até a música da navegação era a mesma (lindíssima!), melhorar o barco ajudou muito, já que as viagens ficaram mais curtas e portanto, eu passava mais tempo explorando e planejando minha próxima jornada.

Menos é mais

Apesar de não ter localização para português do Brasil,Windbound é um jogo lindíssimo com uma curva de aprendizagem que acompanha muito bem o nosso avanço pelos capítulos e nos dá a possibilidade de escolher se o melhor é jogar de forma lenta e segura ou arriscar tudo sob pena de voltar do início. Tudo no jogo pode ser útil mas nada é entregue de mão beijada ao jogador o que torna a aventura de Kara pelo oceano muito recompensadora. O visual que não esconde a inspiração em Zelda Breath of The Wild e a trilha belíssima sonora muito marcantes e tenho certeza que acompanharão por muito tempo os fãs que esse jogo certamente terá.

A análise de Windbound foi escrita com base em uma cópia de PlayStation 4 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!