Análise Witcheye (Nintendo Switch)

Witcheye é um jogo divertido e carismático que parece saído da era dos 16bits diretamente para o Nintendo Switch!

Logo do Jogo Witcheye

A nostalgia é um sentimento complicado. Nossa memória defeituosa insiste em nos dizer que no passado tudo era melhor e que jamais haverá uma época tão especial como a nossa infância por exemplo. De maneira curiosa, o sentimento é o mesmo independentemente das gerações e não importando a idade, a infância de um é sempre melhor que do outro, o que me leva à conclusão de que ruim mesmo são as responsabilidades da vida adulta. 

Mas uma coisa é certa: aquele seu tio que diz que bom mesmo eram as brincadeiras na rua (quase sempre envolvendo escoriações, podendo escalar para ossos quebrados e afins), nunca poderá experimentar a maravilha que foi crescer em meio à geração de consoles de 8 e 16 bits. Um tempo glorioso em que os jogos eram mais simples e nem por isso, menos divertidos.

Witcheye mundo 4 - Fase com Templo ao fundo
Witcheye tem belos gráficos em pixel art.

Se você cresceu nos anos 1990 e aproveitou os jogos clássicos do SNES e Mega Drive (ou SEGA Genesis), Witcheye vai esquentar o seu coração. 

Simples, mas complicado

Witcheye - Fase da àgua
Seria a vida adulta a fase da água da nossa existência? Questões…

A premissa do jogo não poderia ser mais direta. Aproveitando um momento de distração, um feiticeiro roubou o tesouro de uma bruxa e agora ela precisa recuperá-lo. Só que, tal qual um vampiro que se transforma em morcego, a bruxa transforma-se em um olho que sai flutuando por aí.

A movimentação é toda realizada por meio dos controles analógicos (ou deslizando o dedo na tela) apontando a direção para onde “o olho” irá se mover. Já os botões do controle (qualquer um deles) para a movimentação instantaneamente. Geralmente os inimigos são derrotados ao tocarmos neles (como naqueles jogos de destruir blocos com uma esfera saltitante), mas existem alguns que atacam se chegarmos perto demais e outros que precisam ser atacados no momento certo.

Witcheye subchefes
Às vezes não é fácil esperar o momento certo de atacar.

Em cada fase do jogo existem diamantes escondidos que precisam ser recuperados, geralmente um diamante azul e três diamantes verdes, que servem também como métrica para completar as fases, batendo 100% do desafio proposto. É jogando Witcheye que você vai descobrir se possui coordenação motora aprimorada nas mãos ou é tão descoordenado que parece ter duas mãos esquerdas (ou direitas, se você for canhoto). Usar os analógicos e a tela de toque para controlar “o olho” é bastante desafiador e exige um cuidado com a escolha dos momentos de ataque e esquiva, resultando em um gameplay divertido. Como “o olho” ricocheteia para o lado oposto ao tocar em algo (inclusive nos cantos das telas), desviar e atacar exigem muita concentração, pois movimentar-se no momento errado certamente vai resultar na perda de um pouco de vida. 

Witcheye propõe um desafio honesto e equilibrado, pois as fases são bem curtinhas e chegar ao final delas não é tão complicado assim, mas se você quiser completar totalmente cada fase, encontrando os diamantes escondidos, irá experimentar uma dificuldade maior, ainda mais porque os diamantes desaparecem após algum tempo na tela, então é preciso estar sempre preparado. Mas ainda assim, a dificuldade serve como incentivo a tentar mais uma vez, sem causar aquela frustração que muitas vezes nos leva a abandonar um jogo (estou falando de você Dark Souls). A estrutura das fases é bem curta e ao chegar no final podemos voltar à vontade para localizar os itens não encontrados. Inclusive essa estrutura é ótima para quem estiver jogando no modo portátil em uma sala de esperas ou em um rápido intervalo de trabalho, em 10 minutos dá pra passar algumas fases e avançar no jogo. Witcheye é simples e divertido.

Apertando os botões certos

Para entregar a experiência de gameplay, Witcheye possui belos gráficos pixelados que parecem ter saído de um SNES ou Mega Drive, tal como nos também excelentes The Messenger e Shovel Knight. A progressão do jogo segue o modelo clássico de fases, com um chefe no final e mundos temáticos como a floresta, a montanha e, claro, a fase dentro da água, tudo muito colorido e com um design amistoso. Inclusive o jogo deixa explícita a sua inspiração em Sonic logo no início de cada fase, com uma abertura quase idêntica à dos jogos do ouriço azul da Sega.Os chefes são bem desafiadores e derrotá-los é muito satisfatório, me trazendo lembranças de Megaman X.

Witcheye - Chefe de fase
Witcheye tem desafio na medida certa, sobretudo nos chefes de mundo.

E pra completar esse pacote de nostalgia, a música de Witcheye é um show à parte. As músicas são vibrantes, com vários instrumentos e estilos, dando a tônica da aventura proposta no jogo. Inclusive a trilha sonora auxilia na tarefa de repetir várias vezes algumas fases, pois não enjoam. Gostei tanto que acho que posso compará-las com algumas das trilhas mais legais do SNES como Goof Troop e Super Bomberman, sem medo de estar exagerando. 

Witcheye - referência visual ao Sonic
Witcheye abraça as suas referências. Impossível não lembrar de Sonic a cada início de fase.

Acredito que Witcheye tenha encontrado o ponto de equilíbrio perfeito entre desafio e diversão para entregar um gameplay muito satisfatório além de belos gráficos e uma trilha sonora excelente, o que ajuda a refinar ainda mais a experiência do jogo. Impossível não lembrar dos jogos lançados há 30 anos em uma época em que tudo era mais simples, a grama era mais verde, o céu mais azul e as crianças saiam de casa para quebrar a perna e quase furar perder a visão brincando na rua…

Witcheye foi desenvolvido pela Moon Kid Games e publicado pela Devolver Digital em agosto/2020  e está disponível para PC (Steam), Nintendo Switch e celulares Android e iOS (Apple Arcade).

A análise foi feita com base em uma cópia digital do jogo para Nintendo Switch gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Tiago Matias Escobar
Metaleiro não uniformizado. Cerveja, pizza, games e viagens ocasionais.