Análise Crash Bandicoot 4: It’s About Time (PlayStation 4)

Crash Bandicoot 4: It’s About Time leva um dos mascotes mais famosos do passado para o topo dos jogos de plataforma com essa sequência incrível.

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Se você acompanha o site, deve ter lido o meu texto sobre a Demo de Crash Bandicoot 4: It’s About Time em que conto como me surpreendi com curva de aprendizado do jogo. Resumindo, apanhei muito na primeira vez que joguei mas quando repeti as fases aquelas derrotas me trouxeram um aprendizado genuíno e eu fiquei melhor no jogo. Simples assim.

Eis que no início do mês, após a maravilhosa ação de marketing que incluiu Crash na Carreta Furacão, Crash 4 finalmente foi lançado e eu pude colocar as mãos nesse que parecia um excelente jogo de com todos os desafios para os quais eu fui treinado durante os anos 90 (não na série Crash, infelizmente). O resultado foi óbvio, Crash é um jogaço de plataforma com inovações de jogabilidade e dificuldade ao estilo retrô.

Multiverso Crash Bandicoot

Para deixar clara a quem ainda não souber, Crash 4 é uma sequência direta ao terceiro jogo da franquia, lançado para o PlayStation 1 e cuja trilogia foi refeita para os consoles dessa geração (Ps4 e ). Nele, o doutor Neo Cortex e seus cúmplices escaparam da prisão dimensional para onde foram enviados e algo se rompeu durante a fuga e agora o próprio espaço-tempo corre perigo. Entram em cena para resolver esse problema, Crash, Coco novas máscaras quânticas que modificam trechos das fases sob o comando dos heróis e outros personagens novos.

Ao total, são 5 personagens jogáveis. Algumas fases são exclusivas desses personagens extras enquanto os níveis regulares podem ser jogados com Crash ou Coco que também possuem várias roupas temáticas para serem desbloqueadas.

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Uma das máscaras quânticas

Se você já jogou Crash ou jogou a N.Sane Trilogy, deve saber que uma das marcas do jogo é que os personagens avançam em várias direções no plano 3D e essa foi a principal dificuldade para mim que só havia jogado títulos de plataforma tradicional e mesmo tendo aprendido a me virar jogando a Demo, Crash 4 me colocou em alguns dos níveis mais difíceis que eu já joguei, a ponto de me lembrar os níveis secretos dos animais em Country 2. Ainda bem que a desenvolvedora Toys for Bob incluiu alguns elementos que facilitam a nossa : primeiro, o círculo amarelo que segue os pulos de Crash e Coco como uma sombra e mostra exatamente onde eles irão pisar quando chegarem ao chão e depois, o modo de jogo “moderno” que deixa de lado a necessidade de acumular vidas e permite repetir as fases quantas vezes for necessário, a partir dos checkpoints. Assim como outros bons jogos, essas modificações ficam disponíveis para o jogador decidir jogar como preferir. Eu mesmo comecei no modo Retrô (acumulando vidas a cada 100 frutas e voltando do início da fase ao perder todas as tentativas extras) e mudei para o modo moderno quando a dificuldade bateu à porta.

Nas fases, Crash e Coco passam por vários universos temáticos com cerca de 5 fases com dificuldade crescente e com modificações divertidíssimas, graças às máscaras quânticas que dão aos heróis as seguintes habilidades: materializar/desmaterializar elementos do cenário, giro quântico capaz de destruir caixas reforçadas e que permite pulos longos, reduzir a velocidade da passagem do tempo (ou conceder supervelocidade aos heróis, dependendo do seu ponto de vista) e alterar o campo gravitacional. A genialidade do desenho das fases aparece quando o cenário coloca obstáculos na nossa frente que só podem ser ultrapassados quando usamos esses poderes e meu amigo, a complexidade desses níveis exige reflexos e muito mas muito sangue frio. Quanto mais frustrado você estiver, mais vezes vai perder para a mesma parede “quântica” e mais frustrado você vai ficar se não conseguir retomar o fôlego, se ajeitar na cadeira e partir pra próxima tentativa.

Uma tonelada de segredos e conteúdo extra

Crash 4 tem dezenas de fases na campanha regular e acumula mais de cem níveis ao todo, contando com chefes, fases com personagens extras e níveis invertidos que são desbloqueados por volta da metade da campanha e que modificam a aparência ou estrutura de todos os níveis para serem jogados após vencidos no modo regular. Isso é parte do desafio que aqueles que decidirem completar os 106% do jogo irão enfrentar já que Crash 4 possui diamantes e fitas VHS para serem coletadas e o requisito para obtê-los vai além de chegar ao fim das fases.

Esses desafios de aperfeiçoamento da jogabilidade seriam impossíveis se o jogo da não tivesse a jogabilidade impecável que possui. Por mais que a sucessão de fases difíceis e longas seja algo cansativo, a jogabilidade, a beleza dos níveis e o seu desenho sempre desafiador possuem um apelo irresistível e é preciso certo esforço pra largar o controle e descansar a cabeça antes de abraçar o próximo desafio, o que me faz pensar em algo muito óbvio: Crash 4 é perfeito para crianças, do mesmo jeito que a série original cativou a geração recém apresentada aos 32 bits do PlayStation original.

A quantidade de conteúdo extra dentro desse pacote é garantia de horas e horas grudado na frente da televisão dissecando todos os cenários em busca de cada um dos diamantes e caixas escondidas nas fases e se poder jogar com Crash e Coco já parece muito bom, o jogo ainda possui modos específicos para dois jogadores.

São 3 modos distintos de jogo, um deles na campanha e outro que se passa nas mesmas fases mas não afeta o seu avanço no jogo. Bandicoot Battle é um modo de tempo em que até disputam quem chega mais rápido aos checkpoints ou quem quebra mais caixas no caminho. E o modo integrado à campanha é o Pass N. Play que é um bonito nome para o modo “cara hora é a vez de um”: você escolhe um critério, morte, checkpoint ou ambos, e a cada evento, o outro jogador assume. Assim como em Bandicoot Battle, esse modo acomoda até 4 jogadores e não é necessário ter mais de um controle, já que a magia aqui acontece quando passamos o DualShock 4 para o amiguinho.

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Coco em um nível invertido, no modo Pass N. Play

Já estava na hora!

Eu não posso ser mais direto que isso: Crash Bandicoot 4 é incrível. Mesmo com trechos dificílimos capazes de fatigar jogadores veteranos ou afastar impacientes, a sequência para a trilogia clássica do marsupial é um deleite para jogadores de todas as idades. O jogo é lindo, com várias opções para que todo mundo possa aproveitar, super gostoso de controlar e com muita coisa extra pra fazer até que tudo seja completado. Se você tem saudade dos jogos de plataforma clássicos, provavelmente já até comprou esse lançamento e se você ainda está em cima do muro, pode vir sem medo para esse maravilhoso multiverso. Vai ser divertidíssimo!

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Uma das fases que se passam em fitas VHS

A análise de Crash Bandicoot 4 foi escrita com base em uma cópia de PlayStation 4 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!