Análise Disgaea 5: Alliance of Vengeance

Humor da melhor qualidade e diálogos impagáveis esperam por você nesse JRPG tático feito das raízes dos seus antecessores.

Talvez seja um desafio escrever sobre sem ter jogado qualquer outro jogo da série antes, mas como é um jogo acessível para novos jogadores, vamos lá!

Certa vez um amigo recomendou os jogos da série Disgaea, mas meu desinteresse pela série continuou até conseguir por as mãos na “quinta versão” disponível para PlayStation 4. Ao contrário do que parece, Disgaea 5 não é uma continuação direta do seu antecessor, mas um jogo independente que resgata o melhor da série. Quem conhece provavelmente vai amar, e quem desconhece já pode considerar uma boa oportunidade para começar a jogar essa aclamada série de JRPG tático.

Para quem ainda não conhece, Disgaea é um JRPG tático no qual os jogadores usam um sistema baseado em grades para manipular seus personagens e executar planos de ataque ou qualquer outro elemento de combate. A série ficou conhecida pelo elenco carismático e suas hilárias e exageradas histórias e diálogos. Desde 2003 uma quantidade considerável de jogos da série foram lançados em intervalos variados ao passar dos anos.

Disgaea 5: Alliance of Vengeance, como seu próprio nome sugere, é sobre a tal da aliança rebelde. Uma enorme guerra de dominação dos vários netherworlds, habitar de muitos demônios, está em andamento e praticamente perdida para o lorde supremo (ou overlord) Void Dark, dominador de bilhões de netherworlds com o auxilio do seu exército Lost Army.

Um belo dia um jovem demônio chamado Killia conhece a overlord Seraphina e conversa vai, conversa vem, descobre o curioso interesse da moça por vingança a ninguém menos que Void Dark. Coincidentemente Killia também deseja vingança e resolve se juntar a Seraphina. Assim como qualquer outro overlord, Seraphina controla um mundo próprio denominado Gorgeous.

Seraphina e Killia viajam até vários netherworlds em busca de pistas sobre o paradeiro de Dark Void. Durante suas viagens outros overlords com propósitos em comum se juntam a eles e logo nasce a aliança rebelde.

Concordo plenamente com a Seraphina. :)
Concordo plenamente com a Seraphina 🙂

Com humor pastelão da melhor qualidade e diálogos impagáveis, Disgaea 5 é cômico em todos os sentidos das palavras. Os diálogos são muito bem amarrados e recheados de frases despretensiosas. Acompanhar a forma como cada um dos personagens expressam seu estilo de vida e opiniões desperta um carinho todo especial por cada um deles. Suas dublagens, por pior que pareçam, são incrivelmente divertidas também.

O enredo simples e bem humorado é desenrolado quase que unicamente pelos diálogos, mas conta com cenas também. Apesar de cômico ao extremo, não espere nada muito profundo, é tudo muito bom em detrimento da proposta do jogo, nada mais.

O maior atrativo de Disgaea 5 está nas mecânicas excepcionais. A jogabilidade é um exemplo notável dos maiores esforços da desenvolvedora Nippon Ichi, sua maneira intuitiva fisga novos jogadores com tutoriais agradáveis sem deixar a peteca cair ao apresentar novas mecânicas, e expor tamanha profundidade da parte tática do jogo.

Qual desses pinguins (dood) merece um Overload?
Qual desses pinguins (dood) merece um Overload?

O sistema tático é explorado em um campo de batalha baseado em grades no qual você pode movimentar seus personagens x grades por vez. Inimigos são posicionados estrategicamente em determinadas grades do campo, fica a seu critério escolher a maneira de lidar com eles. Cada personagem possui uma variedade de características, alguns podem atacar através de poucas grades, outros de muitas, liberar especiais específicos de Overlord (caso seja um demônio), e uma variedade de possibilidades de combate no mínimo interessante.

Cheio até o topo de conteúdo, Disgaea 5 pode tomar fácil centenas de horas. As proporções de conteúdo as vezes deixam você sem saber por onde começar ou o que realmente fazer. Além das missões principais, existem missões secundárias, e vários outros modos desbloqueados progressivamente. Um dos modos mais estimulantes e recompensadores é o Item World. Enfrentando inimigos em andares do Item World você consegue melhorar os atributos dos seus equipamentos.

Os visuais de Disgaea 5 agradam, mas não impressionam, algo um pouco decepcionante se levarmos em consideração a exclusividade para PlayStation 4. É perceptível um pequeno avanço visual comparando com títulos anteriores da série. O conhecido estilo inspirado em desenhos japoneses tem um brilho próprio, podendo agradar alguns, desagradar outros.

Tirando a dublagem mais ou menos tanto em inglês como japonês, o áudio no geral é muito bom, climatiza bem todos os momentos do enredo. Talvez a repetição de algumas musiquinhas (tipo a de Gorgeous) enjoem com o tempo.

Unidos além de ataques especiais.
Unidos além de ataques especiais

Disgaea 5: Alliance of Vengeance é um jogo divertido e incrivelmente engraçado, seu humor bem bolado junto com suas mecânicas excepcionais enriquecem a experiência. Sem praticamente conhecer a série consegui me entrosar naquele universo maluco, rir bastante, e ficar motivado a dedicar boas horas investindo no crescimento individual dos meus personagens favoritos. Quem está por fora da série acaba virando fã, enquanto quem já é fãs dificilmente deixaria de ser. 🙂

Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Ascendente escritor, desenvolvedor e empreendedor. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho duro e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante de limão, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.