Análise The Artful Escape (Xbox One)

Embarque em Artful Escape com Francis Vendetti, sobrinho do lendário cantor de musica Folk Jhonson Vendetti, em uma jornada cósmica de plataforma com visual exuberante, uma verdadeira carta de amor aos amantes do Rock and Roll.

10Era 11 de junho de 2017, quando meus olhos estavam voltados para a conferência da Microsoft, a famosa E3 e dentre tantos jogos mostrados, me chamou a atenção logo nos minutos iniciais onde pensei: “esse será um jogo fora da bolha”. As dúvidas vieram a cabeça, talvez um game frenético, relaxante e com visual artístico lindo, mediano ou que me levaria a ter sensações diferentes dos jogos convencionais? A resposta disso tudo você confere aqui.

inicia em sua tela de menu com uma excelente musica Folk onde me vi forçado a pegar o celular para usar o aplicativo Shazam e descobrir quem cantava, antes de apertar o play para iniciar o game, e acredite, estou escrevendo essa review ouvindo ela repetidas vezes. Mas vamos direto ao ponto!

A pacata cidade de Calypso está em crise, pois já se passaram 20 anos desde que Jhonson Vendetti lançou “Pine”, sua obra prima da musica Folk e referencia musical naquela pequena cidade. Todos conheciam o legado de Vendetti com seu visual inspirado no cantor Bob Dylan, em seu inicio de carreira. Porém o grande “problema” surge quando a cidade decide dar uma festa que faça jus ao legado deixado pelo cantor. Quem teria que tocar nesse festival seria alguém de sua própria linhagem, ou seja, seu sobrinho Francis que possui os mesmo traços do seu lendário tio e que carrega a esperança de perpetuar seu estilo musical, fazendo com que o legado de Vendetti continue vivo no coração dos moradores da cidade.

O tão aguardado festival, onde Francis Vendetti carrega a responsabilidade de manter o legado do seu tio Jhonson Vendetti, na cidade de Calypso.

Uma crise existencial que precisa ser resolvida

O game permite caminhar com Francis pela cidade e conversar com alguns personagens, assim como sua amiga Violetta, que nos acompanha durante toda a jornada. Todos estão animados para o festival, havendo até pressão, muitos cobram que ele faça a coisa certa naquele show ou ficará encrencado, um fardo que nosso tímido personagem carrega, o de ter que empolgar um público que aguarda ansiosamente por um “revival’ do lendário Jhonson Vendetti, enquanto o nosso protagonista quer apenas tocar Rock’n Roll e fazer seus riffs de guitarra. Isso é percebido logo nos minutos iniciais do game, porém na madrugada anterior ao festival, Francis recebe a visita de um ser cósmico que o leva para os confins da galáxia, a fim de tornar seu sonho realidade e não dos moradores da cidade, e é exatamente ai que tudo começa de uma maneira excepcional, principalmente para os amantes do Rock.

Francis Vendetti carrega o fardo de ser um cantor de musica Folk, mas será que é isso que seu coração diz?

Francis Vendetti fará você ir até o final

é p primeiro jogo do pessoal da Beethoven & Dinosaur, estúdio fundado pelo músico australiano Johnny Galvatron. O game tem como foco principal contar a história de um artista que se pergunta quem quer ser, que busca brilho, ser uma celebridade, mas cujo potencial parece prejudicado, pois o mesmo está vivendo uma crise existencial. Até que ele escolhe um caminho para seguir e que definirá o seu destino com seus conflitos internos. Sua aparência de um jogo de plataforma 2D, realmente abre caminho para longos minutos se moverem sem qualquer dificuldade, e penalidades. Então, logo após o diálogo com o ser cósmico, ganhamos uma roupa um tanto quanto futurística e uma guitarra sensacional que faz lembrar Matt Bellamy, vocalista da banda britânica MUSE. Ele sugere que Francis pegue sua guitarra elétrica, e com uma simples pressionada no botão X do Xbox, podemos sair executando riffs melancólicos e harmoniosos caminhando pela cidade naquela madrugada. Tudo vai tomando vida e cor de uma forma excepcional e contagiante, a experiência de percorrer as ruas durante a noite e vendo as luzes de postes, lojas, e tudo quanto é tipo de lâmpadas, tomando vida apenas com o som de uma guitarra é o ponto de partida para algo maior que esta por vir.

Francis recebe uma guitarra cósmica, e ao toca-la as luzes da cidade acendem de uma forma mágica naquela madrugada.

Todos nós deveríamos ter um Lightman em nossas vidas

Encontramos um velho chamado Lightman que vive em um mundo cósmico, onde ele é quem manda e nos ensina a tocar a guitarra no modo manual, ou seja bem estilo “rock band”, bastante simplificado, que mais a frente da aventura precisaremos duelar com outros seres cósmicos executando as mesmas “notas” em sequencia para progredir na de Francis. Ele será um personagem de extrema importância para os auto questionamentos que nosso querido personagem tem sobre sua vida, então Lightman funciona não só como um mestre do mundo cósmico, mas também como o cara que irá fazer a ponte para que Francis possa finalmente lidar com seus conflitos internos e assim escolher o que realmente seu coração manda.

tem como objetivo lhe contar uma história, que apesar de divertida é profunda e relevante, feita de encontros únicos, a busca de sua verdadeira identidade que definirá o futuro do nosso personagem. Uma extraordinária e excêntrica como David Bowie deve ter experimentado ao criar Ziggy Stardust.

É simples definir The Arful Escape em uma única palavra: Excêntrico, e não há nada mais que possa definir esse jogo, é uma verdadeira viagem louca que posso claramente definir como uma “droga alucinógena jogável”. Quando aceitamos partir para outra dimensão, estaremos diante de um universo rico em cores vivas, vegetações, cidades e animais que vão explodir no rosto do jogador com seu belo visual artístico. Fases com um design único que conforme tocamos guitarra, tudo, repito, tudo vai ganhando vida. Assim, quando Francis sai pela sua cidade a primeira vez, isso se repete ao longo de toda a jornada, a cada solo de guitarra temos uma surpresa com a interação do cenário, como plantas que se abrem em nosso caminho, luzes estalando sob nossas botas e trazem vida ao subterrâneo escuro.

Fazer riffs de guitarra em cenários totalmente excêntricos é o que não falta em The Artfull Escape.

Uma experiência com visual e som psicodélico

Como disse antes, The Arful Escape não apresenta nenhuma dificuldade, ele está lá apenas para ser desfrutado, levando diversão e momentos de descontração e empolgação ao jogador, quando estamos solando e de repente pegamos uma super rampa onde Francis desliza, e quando saltamos tocamos uma nota mais aguda com um fundo vasto de informações, mas que não suja a parte artística do game e a impressão que dá é que estamos evoluindo na capa de um álbum do Cream ou The Jimi Hendrix Experience.

Posso dizer que se aproxima mais de experiência visual do que realmente um jogo. É exatamente isso que vivenciamos quando entramos em um novo ambiente, quando entramos no palco, tudo gera uma sensação agradável de querer progredir mais e mais, enquanto dividimos o céu em uma plataforma virtual para fazer sua guitarra chorar em sintetizadores, também detonamos todos os fogos de artifício de uma estranha aldeia na floresta. Enquanto um inseto cósmico gigante nos acompanha em uma subida melódica e eufórica.

Uma das partes mais divertidas depois de algumas horas jogadas é a possibilidade de criarmos um personagem parecido conosco, sim, esse sou eu!

Sensação de magia plena

A direção artística desse jogo conseguiu me surpreender de uma forma que jamais imaginaria, casando-se maravilhosamente com esse protagonista esguio, regularmente reduzido ao estado de uma formiga quando os panoramas de ficção científica decidem prevalecer. Em busca de uma identidade, somos jogados em um mix de som e luz, que ao jogar eu me sentia em um estado de magia absoluta, tanto que zerei o jogo no mesmo dia. Somos capazes de sentir e provar os sons, e nele somos Heavy Metal, Glam, Acid. É lindo e mágico!

A mecânica de tocar guitarra em The Artfull Escape é bem simples de ser executada e divertida, perfeito para quem não quer se estressar com jogos mais hardcore.

Poderia ter mais dificuldade, mas essa não é a intenção

Como nem tudo são flores, a falta de equilíbrio desfavorece o jogo na hora de ganhar nota dez, ao não permitir que nossas habilidades fossem postas em prática com o joystick em mãos. A total falta de dificuldade, diminui um pouco o brilho que o jogo tem, além de fases bem curtas e nas partes onde temos que executar os riffs de maneira correta, o máximo que o joga exige é que apertemos três botões ao mesmo tempo, ou seja, nada desafiador. E mais uma vez, sua habilidade e escolhas nada interfere na narrativa muito bem apoiada por um elenco de peso como (Michael Johnston , Carl Weathers, Jason Schwartzman, Mark Strong, Lena Headey).

é quem joga com o jogador, mostrando cenários com visuais encantadores a todo momento.

Uma jornada cósmica e musical

Além de toda a parte empolgante do jogo, há também um momento onde fui pego de surpresa e que deixou o jogo mais atrativo ainda, que é a customização de Francis, ou seja, podemos ser nós mesmos durante o jogo. Não vou entrar em detalhes, porém durante cenas bastante hilárias, caberá a você fazer com que ele adote o visual que você desejou. Por mais que você perceba que o game é bem claro no que ele se propõe, lhe convida para um show, uma viagem introspectiva de cerca de 5 horas, com música fabulosa, visual encantador, com momentos épicos que respeitam o gênero e as pessoas a quem presta homenagem com exatidão. A estranha visita de um alienígena a casa de Francis, parece meio sem sentido no inicio, mas acaba por ser uma sublime carta de amor dirigida aos amantes do Rock e suas vertentes, para ser apreciado sem estresse, apenas curta e deixa a onda te levar para outra dimensão.

A análise de foi escrita graças a uma cópia digital gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo. The Artful Escape está disponível nas seguintes plataformas: Xbox One, Xbox Series S|X, Microsoft Windows e via Xcloud. Lembrando que o jogo pode ser baixado diretamente caso seja assinante do Xbox GamePass Ultimate.