Análise DayZ (PlayStation 4 e PlayStation 5)

DayZ, um dos responsáveis pela disseminação dos jogos de sobrevivência, finalmente foi lançado nos consoles pela Bohemia Interactive.

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é brutal. Seja no início da sobrevivência do nosso personagem nas praias frias de Chernarus onde somos castigados pela fome e pelo frio ou nas etapas avançadas em que a autoconfiança e o medo trabalham juntos para nos atrair até os lugares mais perigosos do imenso mapa. A mera possibilidade de uma melhor situação comparada àquela em que estávamos cinco minutos antes é o motor que nos leva tanto à glória quanto à ruína.

Essa obra imperfeita que é um dos responsáveis pela disseminação dos jogos do gênero sobrevivência finalmente (em 2020) foi lançada nos consoles pela Bohemia Interactive.

Um novo dia para morrer

, especialmente nos consoles da geração passada (PlayStation 4 e Xbox One), é daqueles jogos que, caso não tenha capturado sua atenção de início dificilmente irá se você não estiver ao menos curioso para jogá-lo. Esse é um jogo que nasceu como modificação para outro título da Bohemia Interactive, o simulador militar 2 e que faz jus ao ano de 2012 (quando foi lançado) pela quase total ausência de opções convenientes ao jogador (as famosas QoL).

O combate corpo a corpo do jogo é algo próximo a Skyrim/Fallout 4 e no início de cada partida, você precisará usar toda sua sorte e habilidade para tirar o máximo dos socos e pauladas que serão necessários desferir contra os zumbis do litoral já que dificilmente encontrará alguma arma, muito menos munição nesse momento do jogo.

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Esse aí já virou comida de minhoca.

Esse início impiedoso é o melhor professor para que o jogador aprenda que o básico na vida real é também a primeira coisa a ser atendida em pois você só vai conseguir avançar para dentro do mapa quando tiver cuidado da fome, sede e frio do seu personagem. Essa base da pirâmide de necessidades traz consigo algumas surpresas como o envenenamento por comida estragada, a contaminação ao beber água não potável e a gripe, que vai drenar sua saúde aos poucos e exigir mais e mais comida, bebida e descanso, fazendo com que cada nova partida seja como tentar ligar no tranco o motor de um carro na ladeira: ele pode funcionar e você vai finalmente poder explorar Chernarus ou ele vai continuar afogado e todo seu esforço terá sido em vão.

Para muitos, essa aleatoriedade do início é frustrante o suficiente para que não retornem ao jogo pois nem sempre haverá recursos disponíveis quando o sobrevivente surgir no mapa. Para outros tantos fãs, é apenas mais combustível na incessante busca por material, comida e, por fim, por domínio de áreas inteiras do mapa.

Você é o mestre em

Em última análise o que faz (muito bem, aliás) é colocar uma cenoura nova à sua frente a cada 5 minutos e ainda que esse agrado seja simbólico, a mera expectativa de ser recompensado nos leva a explorar mais adiante atrás de comida enlatada, kits de costura ou de um par de visores noturnos, um dos itens mais valiosos do mapa – sem ele é quase impossível jogar quando anoitece.

Algo que pode surpreender jogadores casuais é não existir qualquer regra ou objetivo em exceto manter-se vivo. Você pode escolher permanecer nas praias, seguindo o trilho que liga as cidades ao longo da costa de Chernarus e viver apenas pescando e coletando o que encontrar nos zumbis e nas casas. Problemas como necessidade de água potável surgirão mas é possível se manter relativamente hidratado consumindo frutas. O ponto é que tudo dentro do jogo depende da vontade do jogador e do quanto se está disposto a arriscar para obter melhores equipamentos, já que não dá segunda chance pra ninguém.

A diferença entre ter apenas 5 minutos de partida ou acumular algumas semanas explorando florestas e cidades é que quanto mais tempo você sobreviver, mais terá a perder se não der conta dos inimigos, dos predadores (lobos e ursos) ou ainda, das zonas contaminadas recém adicionadas ao jogo, e é esse medo de perder seus equipamentos que torna tudo instável quando o assunto são outros jogadores. Por isso a máxima em é “não confie em ninguém”, e já que essa é a regra, cada novo ingresso em um servidor se torna uma corrida pelo melhor loot, para tentar assegurar que estejamos do lado correto do fuzil quando o perigo chegar.

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Aprendendo a geografia local.

A presença de outros jogadores faz com que o gigantesco mapa pareça pequeno e com poucas opções. Você nunca sabe onde um inimigo está ou esteve (dá pra ficar atento a alguns sinais como zumbis mortos ou equipamentos deixados para trás) e atirar uma arma não silenciada pode atrair atenção indesejada, especialmente nas proximidades das zonas militares, onde os equipamentos de ponta ficam armazenados. Esse estado de alerta é companhia constante em toda partida mas nem tudo é tensão e combate em Chernarus.

Por ser um multijogador aberto de verdade, DayZ permite a formação de grupos com qualquer pessoa que você encontre no mapa, incluindo os seus amigos da vida real que precisarão saber em qual servidor você está jogando para entrarem na partida. Como nada nesse jogo é dado de mão beijada, você e seu amigo sempre irão iniciar a partida em locais aleatórios próximos à extensa costa. Saber como se localizar é o primeiro desafio em um mapa onde todas as indicações estão em cirílico. Nada impossível com a ajuda de algumas ferramentas externas como o ótimo mapa do site iZurvive.

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Bсе дороги ведут в Электрозаводск

Jogar com amigos transforma a experiência em algo muito mais agradável pois agiliza algumas tarefas como caçar e cozinhar, montar pequenos acampamentos ou bases fortificadas, e também porque adiciona pelo menos uma camada de proteção ao seu personagem: mais armas.

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Caçar é só o começo. Melhor começar a catar lenha.

Imperfeições e profunda

Apesar de ter sido lançado originalmente há quase uma década, DayZ está longe de ser um jogo perfeito. Não é um festival de bugs mas a grande quantidade de elementos com os quais podemos interagir e de objetos que interagem entre si cobra seu preço quando tratamos de estabilidade. Por vezes, alguns problemas afetam os modelos do personagem deixando-o desfigurado e a única saída que temos é encerrar uma sessão e retomar novamente após alguns minutos. Itens desaparecem ou são enviados para o alto quando os soltamos no chão ou se tornam impossíveis de interagir (roupas que não conseguimos vestir, por exemplo) e tentar abrir portões ao passar correndo por eles já me deixou preso à geometria do objeto no meio de um tiroteio. Por isso os servidores do jogo possuem avisos constantes de que serão reiniciados em intervalos de horas específicos. Problemas que afetam a experiência e os jogadores que ainda não foram fisgados.

No final das contas, a experiência única de DayZ (que agora tem um concorrente nos consoles com o lançamento de Rust) é o que mantém os fãs voltando ao jogo.

As mecânicas realistas de carregamento e disparo das armas, os vários itens caseiros necessários para manter o nosso equipamento em boa qualidade e até a ausência de qualquer marcador ou de um mapa embutido no jogo (existem mapas físicos que podem ser consultados em locais do mapa ou como um item no inventário) acrescentam mais à atmosfera do que atrapalham a usabilidade e dão ao jogador, o genuíno sentimento de progresso por aprender cada minúcia da jogabilidade.

Se você procura uma experiência rústica de sobrevivência que irá recompensar a exploração cuidadosa e furtiva e que permite diversos tipos de abordagem, DayZ pode ser esse título. Apenas tenha em mente que a aventura por Chernarus (ou no DLC Livonia) não será um passeio no parque.

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Sobrevivendo em equipe.
Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!