Análise Vigor (Nintendo Switch)

Vigor é um jogo de tiro em que jogadores precisam disputar equipamentos e armas em cidades desertas da Noruega e escapar com vida para melhorar seus abrigos.

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Eu sou fã de jogos de tiro tático. Se você me mostrar um jogo que leva em consideração táticas e métodos do mundo real nas suas regras já tem garantido o meu interesse. Foi procurando por jogos assim que fiquei sabendo da existência de Vigor, jogo de combate, coleta (loot) e extração desenvolvido e publicado pela Bohemia Interactive, veterana criadora deos jogos de tiro tático da série ArmA e do Operation Flashpoint original.

Do One para o Nintendo Switch

Eu descobri uma boa parte dos jogos desse estilo sendo lançados em primeira mão no One graças ao sistema de acesso antecipado mas, diferente do que ocorreu com PUBG e Hunt: Showdown (não disponível no Brasil), expandiu sua base de jogadores no Nintendo Switch, primeiro com uma fase beta fechada e agora com a fase exclusiva para quem adquirir o Pacote de Fundadores.

A adaptação foi bem sucedida e nenhum conteúdo do jogo foi removido da versão para o portátil, o que implica dizer que a parte gráfica é que sofreu os maiores ajustes. Ainda assim, é bem impressionante ver um título pensado para o console com maior poder gráfico da geração rodando em um console portátil. Como nada é perfeito, acaba ficando num lugar bem incomum pela natureza multiplayer dele: fica bonito no modo portátil, onde não é tão bom de jogar e na televisão, onde é mais fácil identificar os inimigos, a resolução mais baixa fica bastante visível. Mesmo.

Mas existem outras qualidades além das visuais e tem algo novo a oferecer para o Nintendo.

vigor arsenal
Aqui ficarão todas as armas que você tiver desbloqueado.

Abrigo Radioativo

O loop da jogabilidade começa um pouco confuso já que, exceto pela caixa de suprimentos em cada incursão, não há um objetivo claro para as missões. Inclusive é possível e perfeitamente aceitável que você entre em uma partida, recolha material em algumas casas e dê o fora do mapa antes que alguém te veja e acabe com a graça toda – e com seus equipamentos que são todos perdidos caso você morra. Então para minimizar a chance de voltar pra casa de mão vazia, o melhor a se fazer é melhorar o seu abrigo.

modos de jogo
Os modos de jogo de Vigor.

Em vez de ter apenas um menu como em Hunt: Showdown, a preparação anterior às missões acontece em uma área junto a um lago. Uma casa modesta que será melhorada conforme investimos materiais no aprimoramento das funções dela: uma mesa de marcenaria, armazém de matéria prima, antena de transmissão, horta, gerador de energia. Tudo isso pode ser melhorado com materiais trazidos das missões – fios, vidro, pregos, fertilizante, metal, equipamento eletrônico – e as melhorias incrementam a quantidade de equipamentos que você pode criar e equipar antes de cada missão. Além da criação e das melhorias no abrigo, as áreas da casa também servem como menus temáticos, então, se quiser trocar as roupas dos seu avatar, basta subir as escadas e abrir o guarda roupas no quarto. Uma placa na entrada abre o menu de ranking e a caixa de correios faz as vezes do menu onde recebemos recompensas. Essa adaptação visual é muito bonita mas a melhor parte é que tudo isso é opcional e todas essas opções podem ser acessadas com um botão, exceto na hora de recolher as recompensas que o seu abrigo gera. Para um jogo gratuito que se apoia em microtransações, é bastante generoso no que oferece aos seus usuários, ainda bem. Ainda assim, o menu poderia facilitar mais as coisas deixando a opção de equipar aquilo que criamos sem precisar ficar trocando entre as seções de criação e equipamentos para que quando eu equipasse uma Thompson ou um Carabina, a escolha de criar as munições corretas ficassem à mão e que o mesmo fosse possível para os itens consumíveis como aspirina, analgésico, cafeína e iodo – as partidas terminam com o vento levando uma nuvem de radiação para o mapa então, iodo é essencial para quem decidir ficar até o final.

Por fim, o abrigo também possui um estande de tiro para testar todas as armas que você encontrar e equipar. Um ótimo passatempo que ajuda a esperar as missões começarem.

Grátis para jogar sem pay-to-win

oferece três modos de jogo: a incursão principal em que recolhemos material e pode acontecer em dois mapas à nossa escolha, um modo mata-mata em que jogamos contra outros jogadores apenas para treinar tiro e um terceiro de rodadas em equipes (Islands, o mais legal fora do principal). Temos um modo extra se contar que os embates principais podem ser jogados em cooperação com um amigo ou um estranho. Jogar com um estranho é possível graças à possibilidade de inserir marcadores na tela e no mapa. Estranhamente, essas ações durante a partida são um pouco lentas de executar como se houvesse um pequeno delay entre o que fazemos e o que acontece na tela. Pular uma janela ou cerca é uma das ações que mais resulta em falha porque o boneco executa a animação mas não segue para o lado oposto do obstáculo. Isso não é um problema enquanto estamos sozinhos no cenário procurando por material, mas quando estamos no meio de um tiroteio que é brutal (dois tiros em cheio e adeus precioso loot), o ideal é que a jogabilidade seja mais responsiva. Talvez seja algo comum em jogos que priorizam a animação dos personagens mas ainda assim deixa um pequeno desconforto.

Tudo é melhor em Co-op.

Para incrementar os embates, Vigor oferece alguns “produtos” antes de cada partida que podem ser comprados com a moeda do jogo chamada Coroa. Por 30 coroas podemos ampliar a quantidade de material disponível no mapa em várias vezes (100% mais loot cada vez que algum jogador comprar), melhorar a qualidade do prêmio por conseguir a caixa de equipamentos principal, o maior objetivo em cada mapa, ou adquirir um seguro por 60 coroas. Esse seguro impede que o jogador perca o material coletado na partida ao morrer. Bem prático e seria o gatilho para a infame prática “pay-to-win” caso as coroas fossem obtidas apenas com dinheiro de verdade. Dá pra ficar comprando seguro em todas as partidas mas mesmo o passe de batalha não entrega coroas o tempo todo.

No fim das contas, as partidas de Vigor possuem mais tensão do que adrenalina mas isso também depende do tipo de jogador que você é: quanto mais você quiser arriscar, mais tensas suas partidas vão ser. Alguns detalhes ainda estão no caminho da jogabilidade perfeita como o áudio dos passos que parece ser alto demais em qualquer superfície ou a mira da arma que é meio desajeitada para ativar e desativar, ou o fato de que o jogo trava em uma tela branca ao entrar ou sair de algumas partidas. Existem bem mais opções de jogo nesse estilo no e mesmo a versão do One sendo graficamente superior, com melhorias da jogabilidade e estabilidade, Vigor pode ser um excelente jogo de tiro mais metódico e tático. Uma alternativa bem vinda para os jogadores do Nintendo Switch.

Vigor foi desenvolvido e distribuído pela Bohemia Interactive e está disponível para Nintendo Switch e One.

A análise foi feita com base em uma cópia digital do jogo no Nintendo Switch gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Diego Matias
Além dos reviews, escrevo no Riffs & Solos e faço vídeos com meu irmão no canal SuperContra. Passa lá!