Análise Twelve Minutes (Xbox One)

Twelve Minutes é um jogo de suspense point and click que leva o jogador ao extremo para revelar um mistério estrelado por atores de Hollywood.

Twelve Minutes intrigou muitos jogadores e eu com certeza fui um desses. Com suas referências cinematográficas tais como “O iluminado” e “Amnésia” sua atmosfera única e seu elenco renomado, o jogo de Luis Antonio tinha tudo para agradar e dar impulso ao gênero point & click. No entanto, à medida que os créditos vão rolando, a decepção aparece instantaneamente, e o que deixa mais triste é ver que todo aquele potencial visto na de 2019, foi desperdiçado.

O game inicia com uma referência clara de uma obra clássica de , o tapete é o mesmo do filme O Iluminado e tudo começa com uma noite romântica. Um homem chega em casa do trabalho, é saudado pela esposa com um beijo, que é acompanhado por uma sobremesa preparada por ela. Ao sentarem a mesa, ela te conta uma bela surpresa: ela diz que está grávida. Uma notícia agradável que rapidamente é abafada por ruídos de corredores anunciando problemas. O som do elevador toca e segundos depois um policial bate na porta, entra e imediatamente amarra nossa companheira e a acusa de assassinato antes de nos matar. Acordamos doze minutos antes dos eventos e os revivemos continuamente e é a partir daí que percebemos como será o jogo daqui em diante, que nada mais é do que desvendar o mistério em torno de sua amada e o agressor.

Twelve minutes já começa com uma referencia clássica de ao utilizar o mesmo carpete do filme O Iluminado.

O jogo então se divide em loops de 12 minutos, onde você deve encontrar pistas no apartamento do casal ou tentar extrair informações de nossa esposa no tempo previsto. Se o nosso personagem passar pela porta, morrer ou ficar inconsciente, um novo ciclo começa. A jogabilidade é toda em Point & click, e como joguei no console, de início incomoda um pouco até que em poucos minutos você já entende como a mecânica funciona e que é totalmente concentrada nas interações com o ambiente e os objetos, e também na narração, com opções de diálogos que variam à medida que a avança um pouco. Durante as três ou cinco horas necessárias para terminar o jogo, você irá, clicar nos itens, mesclar alguns deles e descobrir quais sequências de interações podem desencadear um loop de forma correta, tanto que optei por fazer anotações em um caderno para tentar gravar o que eu havia feito, certo como também as tentativas fracassadas, para que eu não voltasse a cometer o mesmo erro de novo, de novo e de novo…

A angustiante chegada do policial é um dos pontos fortes de Twelve Minutes.

Já me deparei com outras produções do gênero que guiam um pouco o jogador quando ele já usou todos os esquemas possíveis sem encontrar a solução, com os pensamentos íntimos do personagem, por exemplo. Twelve Minutes deixa você em uma sensação de desconforto total, meio que a deriva. Não é que sejamos ruins no jogo, é que, às vezes, há ações a serem feitas que são quase impensáveis ​​e eu por diversas vezes, ficava frustrado quando tinha quase certeza de que uma combinação que fiz iria dar certo, até o policial entrar no apartamento e tudo o que eu havia planejado, ia por água abaixo e eu era obrigado a repensar tudo de novo, porém de uma forma diferente que surtisse efeito. Tentar coisas que não funcionam repetidamente acaba quebrando o ritmo do jogo e isso se transforma em uma falha, sem contar que os quebra-cabeças são muitas vezes confusos.

O fator replay não funciona tão bem…

É difícil não querer jogar o controle contra a parede quando pela milésima vez, você tem que se mover de sala em sala, continuar as mesmas conversas – mesmo que exista uma opção para acelerá-las, ou até mesmo refazer as mesmas sequências. Algumas ações não possuem lógica alguma (sério, quem abre uma geladeira para tirar uma foto que está em cima?). A rigidez do jogo é frequentemente angustiante, as animações são muito travadas, os cliques no console não reagem bem se comparado a outros jogos no mesmo gênero, resultando em reinicializações indesejadas que com certeza podem fazer o jogador desistir do game. Uma pena, porque no início existem boas ideias e o jogo funciona maravilhosamente bem nas primeiras horas , entretanto é rapidamente devastado pela repetitividade a longo prazo.

Twelve Minutes é um jogo extremamente ruim? Não, mas pelo potencial poderia ser bem melhor aproveitado, alguns aspectos neste jogo são interessantes de desvendar e de assistir, tais como a música cantarolada por uma voz feminina, toda vez que você entra em um loop, fica na cabeça, ela soa de uma forma que faz você se sentir incomodado, ver os carros passando na rua através da janela, também criam uma sensação de aprisionamento. A chuva se aproximando, o relâmpago seguido do trovão e a música que podemos ouvir no rádio, geram uma sensação meio que inexplicável e esses pequenos detalhes eu achei bem interessante. Outro ponto também que vou mencionar e pode ser um Spoiler é quando precisamos combinar uma espécie de calmante em um copo d’água, entregar para a esposa beber e aguardar com que ela sinta sono e vá para a cama dormir. Nesse momento colocamos nosso personagem dentro do closet, e ali conseguimos observar através de uma brecha o policial chegando pelo som do elevador, logo depois batendo na porta do seu apartamento e em seguida invadindo-o e fazendo suas ações. É bem interessante quando você consegue pela primeira vez descobrir as formas de escapar de tais situações, através da tentativa e erro. Quando as ações dão certo, geram uma sensação de prazer, mas quando dão erradas, acredito que para aqueles jogadores que curtem um jogo mais lúcido, vão partir para outra com certeza.

Uma fotografia tirada através de uma Polaroid pode ser fundamental em Twelve Minutes ou é um mero objeto no jogo?

Atuação desconexa dos atores luta para convencer…

Ao pagar por um elenco formado por Daisy Ridley (Star Wars), James McAvoy (Fragmentado) e Willem Dafoe (O Farol), e ao destacar as inspirações cinematográficas em todas as campanhas de comunicação, tínhamos o direito de esperar uma narrativa com o mínimo de sutileza e impacto. No cenário da pergunta, o sistema de questionamentos anuncia rapidamente: o personagem entende e aceita que está em um loop temporal a uma velocidade quase indecente. As inconsistências se fundem por toda parte, os diálogos são monótonos, vazios, muitas vezes são interligados sem lógica e às vezes, se misturam em um efeito insuportável.

A atuação não é ruim, mas sentimos que não houve consistência na direção das gravações. Conclusão, as frases estão certas individualmente, mas em um diálogo elas soam completamente erradas e não são muito confiáveis ​​por causa de tons ou interpretações muito opostas . É ainda mais lamentável que o título opte por uma visão de cima que deixa espaço para a interpretação das emoções e expressões dos personagens, mas a atuação desconexa dos atores luta para convencer . Me questiono sobre o interesse de ter um casting de tão prestígio para tal resultado. Dito isso, Willem Dafoe se destaca da multidão, mais ameaçador e assustador do que nunca, carregando toda a tensão do jogo sozinho.

Parece um simples relógio de bolso, mas não é bem assim em Twelve Minutes…

Um suspense inconsistente

Apesar de tudo, Twelve Minutes consegue nos segurar graças ao seu clima de suspense, seu grande ponto forte. Mesmo depois de zerar o game, ainda fica aquela sensação de infligir mais alguns loops caóticos para desvendar o mistério de nossa esposa, ver se ainda restam cenas tão intensas como a do início e principalmente saber o desfecho. O destino depende ainda menos da viagem, já que a reviravolta essencial do jogo é tão ridícula quanto nojenta. É como se Luis Antonio quisesse tanto fazer uma revelação chocante que esqueceu toda a consistência e credibilidade da e da relação dos personagens. O trio nunca é desenvolvido, não é cativante e cenas que deveriam ser comoventes, são inevitavelmente impassíveis. No final das contas, o jogo ganha uma sobrevida em um loop que pra mim é o melhor, porém é um final mais pesado que eu já vi em todos os meus anos jogando diversos jogos de vídeo game. Este desfecho é sem dúvidas avassalador e pra piorar, o nome da conquista ao fazer esse final é tão bizarro, que eu preferia não ter no meu Gamescore. De resto, as revelações e o cenário se encaixam em duas linhas pobres que, em última análise, não contam muito como o jogo em que eu me empolguei tanto pelo suspense que ele passava no trailer de 2019. Dito isso Twelve Minutes é um game que eu não voltarei a jogar novamente, confesso que fiz outros finais por pura curiosidade e para tentar enriquecer um pouco mais essa análise.

A análise de Twelve Minutes foi escrita graças a uma cópia digital gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo. Twelve Minutes está disponível nas plataformas One, |S e