Análise Metamorphosis (PS4)

Acorde de sonhos intranquilos e transforme-se em um inseto não tão monstruoso em Metamorphosis, aventura em primeira pessoa baseada em obras do escritor Franz Kafka.

Há muitos anos comecei a ler A Metamorfose de Franz Kafka e apesar de ser um livro curto e com ritmo bom confesso que não o terminei e nem lembro o porquê.

Mas recentemente quando vi o trailer de anúncio de Metamorphosis fiquei curioso sobre como ele transporia o universo do livro para os videogames e por conta disso recomecei o livro enquanto o jogo não era lançado.

E agora tendo terminado tanto o livro quanto feito os dois finais do game venho trazer para vocês, leitores do Conversa, o meu review.

Metamorphosis foi desenvolvido pelo estúdio polonês Ovid Works, publicado pela All in! Games e lançado em 12 de agosto de 2020 para PlayStation 4, Microsoft Windows, Nintendo Switch, Xbox One totalmente legendado em português.

Detalhe importante: as legendas das ações de fundo, que acontecem independentes das atividades do seu personagem, vêm desativadas por padrão e é necessário habilitá-las no menu ou partes significativas da história podem ser perdidas.

E por falar em história vamos a ela.

Já imaginou que tem um inseto te observando nesse momento?

Quem conta um conto, aumenta um ponto

A história de Metamorphosis não é só livremente baseada no livro A Metamorfose, como havia imaginado inicialmente, mas também em outro livro de Kafka chamado O Processo, então temos aqui duas narrativas interdependentes acontecendo ao mesmo tempo.

O seu personagem é Gregor Samsa e após uma noite de farras com seu amigo Joseph acorda com uma ressaca considerável e em uma situação inusitada: foi transformado em um inseto.

Assim como no livro nenhuma explicação é dada para isso, pode ser uma maldição, um encantamento, uma viagem alucinógena ou nada disso, nesse ponto tanto livro quanto jogo te convidam a aceitar o absurdo, a diferença é que aqui o tom não é tão pesado e desesperançoso como no livro, mas sim um convite a aventura.

É possível aplicar um zoom out para estudar o caminho a ser seguido

Gregor desbravará um mundo em miniatura cheio de obstáculos e surpresas: uma mesa cheia de quinquilharias torna-se um cenário em vários níveis, uma vitrola se torna um clube de música para insetos, encanamentos se tornam labirintos, etc.

Mas se esses já não fossem problemas enormes comparados ao tamanho agora diminuto no nosso protagonista, paralelo a isso é preciso ajudar Joseph a provar sua inocência.

Joseph aguarda o julgamento de um crime do qual é acusado logo no início do game, mas com um detalhe muito interessante envolvido: esse crime não é revelado para ele e muito menos para o jogador.

E é nesse teatro de absurdos que Metamorphosis faz, e faz muito bem, a sua homenagem e adaptações às obras kafkinianas.

Os diálogos com NPCs contêm informações importantes para a sua missão

Pensando como um inseto

A jogabilidade gira em torno da exploração dos cenários e na resolução de quebra-cabeças, através de diversos elementos de plataforma, já que agora devido ao seu tamanho insignificante tudo é um obstáculo para Gregor.

O game é construído em uma perspectiva em primeira pessoa e para aumentar a imersão na pele de um inseto ao mover a câmera para baixo é possível ver as suas patas da frente, mas infelizmente em momento algum é possível ver que tipo de inseto você se tornou, a não ser por quadros na parede na primeira área.

Não existe combate em Metamorphosis, mas sim diversos perigos, como o risco de ser esmagado, eletrocutado, afogado, queimado, dedetizado e o mais comum de todos: cair de uma altura significante (e inclusive existe um troféu para morrer de todas essas formas), porém os loadings pós-morte são relativamente rápidos, então isso não deve ser um problema considerável.

Os puzzles são bem simples e sem muito desafio

Para navegar os cenários é possível correr, pular, derrubar itens para criar caminhos e passagens e andar sob substâncias viscosas que permite ao jogador andar em estruturas verticais por um tempo.

O game é linear e intuitivo e em nenhuma vez fiquei preso em um local sem entender como ir do ponto A ao ponto B, ou ele realmente é bem simples ou talvez eu tenha aprendido a pensar como um inseto, vai saber.

Vale a pena?

Metamorphosis é interessante e é impressionante o amor que os desenvolvedores têm pelas obras do escritor tcheco e como conseguiram fazer adaptações mais leves comparadas a escrita desesperançosa característica de Kafka.

Não caiam nessa, crianças

Por se tratar de um estúdio indie com 15 funcionários e um orçamento não muito grande não espere gráficos realistas aqui, o estilo adotado privilegiou uma abordagem mais cartunesta e dentro dessa proposta os cenários e outros insetos são bem-feitos, mas os humanos têm animações um pouco truncadas.

A exploração e movimentação do seu personagem são excelentes e realmente mimetizam bem um inseto, inclusive muito por conta do som das suas patas nas diferentes superfícies, contudo a linearidade na escolha de caminhos e a dificuldade quase inexistente dos puzzles pode decepcionar quem tentar ser mais criativo.

Metamorphosis usa o artifício da surrealidade em diversos momentos (como tornar-se um inseto que fala não fosse surreal o suficiente), o que me lembrou muito Alice: Madness Returns, que platinei na época do PlayStation 3, o que considero um ponto extremamente positivo e me fizeram gostar ainda mais do game e ficar ansioso por novos projetos do estúdio.

A análise de Metamorphosis foi escrita com base em uma cópia de PlayStation 4 gentilmente cedida pela assessoria de imprensa do jogo.


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Papai Platina
Trophy hunter e pai de 3 filhos maravilhosos.